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Péres quer ouvir empresário que complicou Renan
José Amilton Barbosa disse à imprensa que Renan Calheiros colocou "um laranja" na direção do O Jornal, quando o comprou em Alagoas. O presidente licenciado do senado diz que nada tem a ver com o negócio e é investigado em processo relatado por Jefferson Péres
29 Out 2007 - 05h53min
Relator do processo que investiga se Renan utilizou terceiros para comprar veículos de comunicação em Alagoas, Péres afirmou que solicitará a ajuda da Polícia Federal para localizar o economista. José Amilton Barbosa foi supervisor contábil das empresas do usineiro João Lyra e de Renan Calheiros, entre 1999 e 2005.
O usineiro confirma que foi sócio do senador na compra do jornal, o que foi desmentido por Renan na defesa apresentada ao conselho, na semana passada. "Esse depoimento (de José Amilton Barbosa) tem que ser tomado de imediato. Pretendo falar diretamente com ele e vou aonde ele quiser", afirmou o relator do processo.
Jefferson Péres também pedirá ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), que abra investigação sobre correspondências enviadas a alguns senadores. Segundo Péres, num DVD de cinco minutos, são veiculadas informações que sugerem que ele praticou corrupção.
O relator do processo contra Renan Calheiros quer a investigação, pela corregedoria, para apurar quem são os autores das gravações. Ele ressalta que, "necessariamente, os autores deste DVD não são os remetentes das correspondências aos parlamentares".
O senador disse que não vai levar essas investigações para o âmbito do Conselho de Ética. Primeiro porque, segundo ele, não cabe ao colegiado apurar questões como essa e, segundo, porque isso acabaria por desviar o foco de sua investigação.
Jefferson Péres é o relator da terceira representação contra Renan Calheiros no Conselho de Ética. A acusação é de que ele teria usado "laranjas" para comprar emissoras de rádio e o diário alagoano O Jornal.
Perícias
Na defesa que apresentou ao Conselho sobre o caso, Renan Calheiros sugere que a Polícia Federal realize perícia contábil nos documentos do Grupo João Lyra, da Empresa Editora O Jornal Ltda e da emissora de rádio Manguaba do Pilar Ltda, relativos ao período de 1999 a 2002. O objetivo, segundo os advogados do senador, é verificar a origem dos recursos financeiros utilizados na transação comercial com os ex-proprietários Nazário Ramos Pimentel e Luiz Carlos Barreto Góes.
Os advogados do senador também requerem que o Conselho de Ética peça à Secretaria da Receita Federal auditoria nas contas bancárias do usineiro alagoano, bem como nas empresas das quais é proprietário.
As perícias, segundo os advogados, poderiam demonstrar a origem do dinheiro entregue a Nazário Pimentel quando da compra da Editora O Jornal, em 1999.
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