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Política

Muita matrícula, pouco rendimento


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22/09/2007 16:29


Apesar da unanimidade de que a educação é uma das mais seguras soluções para a elevação do nível sócio-econômico, um recente estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), ligada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) quebra essa tese em relação ao Bolsa Família. O centro cruzou os últimos indicadores sociais do IBGE com os resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

A pesquisa constatou que o Bolsa Família estimulou muitas famílias pobres a matricular seus filhos no ensino fundamental. Mas, por falta de um sistema escolar com um mínimo de qualidade, essas crianças não tiveram sucesso na progressão escolar, recebendo as notas mais baixas nas avaliações do Saeb. "Estou cada vez mais convencido de que, se não pegar essa criança desde seu nascimento e não desenvolver seu aparato cognitivo e nutricional, nenhum programa social vai conseguir quebrar a miséria intergeracional", critica Eduardo Rio-Neto, do Cedeplar.

Por essa lógica, o Bolsa Família esbarraria na conhecida tecla de que, sem educação adequada para se inserir socialmente, as massas assistidas tendem a continuar vagando entre a miséria e a pobreza, por falta de capacitação técnico-profissional. Ou como diria o contemporâneo de Gonzagão, o ativista norte-americano Whitney Young Jr: "É melhor o pretendente estar preparado para uma oportunidade e não ter nenhuma, do que ter uma oportunidade e não estar preparado".

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