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REFORMA POLÍTICA

Para FHC, propostas abrem portas para corrupção

Para o ex-presidente, as propostas de reforma política em tramitação na Câmara podem abrir "uma porta enorme para a corrupção". FHC defendeu que o PSDB deve evitar uma "lambança" na discussão sobre a reforma

Elizabeth Lopes
da Agência Estado

23 Jun 2007 - 03h34min

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FHC: a favor do voto distrital (foto: Agência Estado)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem, duramente, em São Paulo, o modo como a reforma política é discutida na Câmara dos Deputados. Na avaliação de Fernando Henrique, as propostas em discussão, como a lista fechada ou flexibilizada, a defesa de um sistema misto de financiamento de campanha (público e privado) e o fim do voto proporcional, entre outras, podem abrir uma porta enorme para a corrupção.

"O PSDB precisa ter uma posição firme com relação à reforma política porque, se não, vai ser um desastre, uma lambança", disse, em discurso realizado ontem de manhã, num evento promovido pela Juventude Estadual do PSDB. O ex-presidente disse que a reforma é um dos principais mecanismos, neste momento, para pôr um fim à corrupção que impera no meio político. "A posição do PSDB deveria ser clara, favorável ao voto distrital", afirmou à platéia, formada, basicamente, por jovens militantes do partido.

Sem citar o nome do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter despesas pessoais pagas pelo suposto lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, e sob questionamento da origem dos rendimentos, FHC afirmou que o fato é "gravíssimo" e reiterou que a reforma eleitoral deveria ser cobrada com mais ênfase.

Ainda sobre a mudança política, o ex-presidente elogiou a proposta defendida pelo governador José Serra (PSDB). "A sugestão do Serra é boa", emendou. O governador de São Paulo é favorável à aprovação de um modelo de voto distrital e quer que a experiência seja posta em prática nas eleições de 2008, nas Câmaras Municipais.

O projeto de modificação política está previsto para entrar em pauta na Câmara na próxima terça (26) ou quarta-feira (27). O deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), que também esteve no evento, declarou que a legenda "quase sucumbiu às armações do PT, DEM e PMDB, entre outros, de imposição de uma lista fechada". "Seria a pá de cal na política brasileira, seríamos responsáveis pela falência de um sistema que iria sepultar as vocações políticas", destacou. Torres continuou: "Inventaram agora, uma lista flexível. Mas, graças à posição do PSDB, a discussão não foi fechada e, apesar de não termos a vitória garantida, vamos continuar defendendo nossa posição na semana que vem, que é a de resistir a qualquer tipo de lista porque defendemos o voto distrital misto".

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