Rômulo Farias
Especial para O POVO
No Ceará, hoje, pelo menos 10 concursos iniciados ainda no governo anterior não avançam por causas diversas. Comunidade do Orkut tenta organizar pressão para fazer o processo andar
07/06/2007 01:50

Disposta a ir atrás do sonho da estabilidade, a estudante de direito decidiu largar o estágio, onde garantia um valor "razoável" em dinheiro, para se dedicar somente aos estudos. O objetivo mais próximo era ser aprovada no concurso de escrivão da Polícia Civil, para o qual se inscreveu em março do ano passado. "Essa profissão sempre me interessou muito. Conhecer essa área seria uma experiência super-legal, além de poder prestar um serviço público", disse ela, durante conversa com sob a condição de não ser identificada. O objetivo dela tem sido sucessivamente adiado por entraves diversos que impedem o processo seletivo de seguir em frente.
O Governo do Estado enfrenta dificuldades para concluir concursos públicos iniciados desde a gestão passada. São, hoje, dez concursos pendentes no total. Somadas, representam 6.646 vagas aparentemente prontas para serem ocupadas. Por exemplo, quem se inscreveu para concursos abertos na Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, delegado e escrivão da Polícia Civil, além de servidor (nível superior) e médico da Secretaria da Saúde (Sesa), no ano passado, ainda não concluiu nem o processo de seleção. Não há, portanto, sequer o resultado final dos aprovados.
Outros concursos, como de professor temporário, servidor do Centro Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede), agente penitenciário e servidores de nível médio da Sesa, até já concluíram as etapas da seleção. Contudo, ainda dependem de disputas judiciais entre Governo e alguns candidatos que impetram recursos na Justiça por se sentirem insatisfeitos com o resultado das provas.
Atualmente, a situação mais preocupante é a dos concorrentes às vagas de escrivães da Polícia Civil - o caso da anônima estudante de direito, a personagem citada acima, está contado em comunidade do Orkut, na internet. Lá, estão histórias que se repetem de candidatos que aguardam julgamento de recursos administrativos referentes, ainda, à primeira etapa - de cinco -, iniciada em 11 de junho do ano passado. Completará, portanto, um ano na próxima semana.
O líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Nelson Martins, argumenta que a máquina administrativa estadual não tem capacidade de pagamento para chamar todos os concursados do governo anterior no momento. Segundo afirma, o rombo nos cofres do Tesouro Estadual seria de "aproximadamente R$ 68 milhões anuais". Sobre a demora no processo por conta de burocracia administrativa e de disputas judiciais, Nelson, evitando polemizar, afirmou que o Governo precisa esperar esse processo que é realizado no âmbito da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
NÚMEROS
10
são os concursos pendentes no Estado
6
são os concursos em que nem o processo de seleção foi concluído
6.646
é o nº. de candidatos afetados pela indefinição
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