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O lado mais amargo do aperto

A economia que o Estado tem feito para dar um salto nos investimentos no segundo semestre já causa efeito nos setores que atingem diretamente a população. Áreas como saúde, educação e de infra-estrutura reclamam da economia excessiva do Governo e apontam problemas

Daniel Sampaio
da Redação
Marcela Belchior
da Redação

05 Jun 2007 - 01h33min

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Mauro Filho anunciou, semana passada, arrecadação recorde e economia de R$ 800 milhões (Foto: Evilázio Bezerra)
O Governo do Estado comemora a forte economia obtida no primeiro semestre e, no discurso, garante que o resultado não afetou o funcionamento da máquina. Porém, há reclamações quanto aos efeitos sobre o dia-a-dia das repartições devido à economia feita nos cofres públicos e o corte de verbas. Empresários denunciam a paralisação de obras, atribuindo a conseqüente geração de desemprego, enquanto servidores reclamam da falta de materiais básicos e dizem que o atendimento nos hospitais está comprometido. Na educação, faltam estrutura e professores. Já a segurança pública, a maior bandeira do governo Cid, reclama de falta de equipamentos básicos para o trabalho cotidiano. Os setores dizem ter pressa nos investimentos prometidos pelo governador.

Na última quarta-feira, o secretário da Fazenda, Mauro Filho (PSB), anunciou, na Assembléia Legislativa, que no primeiro quadrimestre deste ano o Estado arrecadou R$ 2,326 bilhões, um incremento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Um recorde. Outro recorde foi de economia nos gastos, que chegou a R$ 800 milhões no período, de acordo com a assessoria de imprensa da secretaria. Além do sucesso na arrecadação de tributos, o Estado fez um sério corte em atividades-fim. A idéia, como o secretário já havia anunciado, é poupar agora para que, no segundo semestre, a administração dê um salto nos investimentos.

Setores já começam a pagar essa conta. A própria segurança pública, função específica do Estado, está trabalhando em condições abaixo do necessário para garantir as atividades básicas em algumas áreas. Os agentes penitenciários, por exemplo, reclamam da falta de coletes à prova de balas, lanterna, material de higiene e armamento. A única viatura do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPOO) está parada há mais de um mês, por falta de manutenção. As informações são do diretor do Sindicato dos Agentes e Servidores Penitenciários do Estado do Ceará (Sindepe), Antônio Abreu. "A condição fez foi piorar depois que o governo Cid entrou. A gente tem pedido favor à Polícia Militar para deslocar presos e deslocar pessoal. E isso não é função deles (policiais)", disse Abreu. Segundo ele, hoje, às 9 horas, candidatos aprovados no último concurso para agente penitenciário do Estado irão realizar um ato público em frente ao Palácio do Governo para exigir a convocação.

Mesmo com o aperto do primeiro semestre, há quem prefira aguardar até o final do ano para constatar os investimentos anunciados pelo Governo. Para o diretor de relações públicas da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar do Ceará, o soldado Flávio Sabino, seis meses não é tanto tempo assim para se "abrir mão" de certa estrutura para o bom funcionamento da máquina pública. "Todo administrador tem que dar um choque administrativo mesmo. Quando está devendo, precisa pagar, tem que ver, primeiro, como estão as coisas", diz. Sabino afirma que o setor aguarda, agora, que sejam concretizados os investimentos em segurança pública. "O problema não é nem em termos de material bélico, são as questões de perdas salariais", aponta.

O corte de verba do Governo também afeta o setor da saúde. O Estado quer agora cortar horas extras de funcionários. A medida reduz em 30% o número de funcionários nos plantões, afetando o atendimento. "O governo, alegando que essa demanda deveria ser suprida por concursados, cortou esse plantão, mas até agora não chamou os concursados", explica Luiz dos Anjos, do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde no Estado do Ceará.

Apesar disso, explica o sindicalista, houve uma melhora nos últimos dias por conta da normalização do repasse de verbas do programa "Saúde Mais Perto de Você". Segundo ele, 14 hospitais deixaram de receber porque parte deles estava recebendo dinheiro sem necessariamente oferecer os serviços. "Alguns não mereciam os recursos, mas faltou cuidado ao fazer essa triagem", observou. O Hospital Geral de Fortaleza (HGF), por exemplo recebia R$ 1,3 milhão e chegou a ter repasse de apenas R$ 700 mil. Hoje os repasses estão normalizados, segundo governistas.

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marcelabelchior@opovo.com.br
danielsampaio@opovo.com.br


NÚMEROS

R$ 2,326 bilhões
Arrecadação do Estado de janeiro a abril

6%
Incremento em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado

R$ 800 milhões
Economia de gastos no período

R$ 500 milhões
Investimento no 2º semestre com recursos próprios

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