Política
RONDA
Recursos negados, pregão mantido
A Nissan do Brasil conseguiu liminar na Justiça garantindo o direito de disputar a licitação para a compra dos automóveis para o Ronda do Quarteirão. Outras montadoras pediram a impugnação do processo por se sentirem excluídas da disputas, mas os recursos foram recusados
Clovis Holanda e Simone Faustino
da Redação, especial para O POVO
15 Mai 2007 - 01h11min
A maior queixa das montadoras e concessionárias é com relação à exigência de câmbio automático e tração 4x4 permanente nos carros que formarão a frota do Ronda. O único automóvel que reúne todos os pontos exigidos no edital de licitação e ainda estes dois itens é a Hilux SW4 Diesel, da Toyota.
As demais montadoras têm modelos SUV (veículo esporte de capota fechada), com ar-condicionado, air-bag duplo, freios ABS, bancos de courvin, vidros e travas elétricas e direção hidráulica - todos exigidos no edital -, mas só oferecem o câmbio automático e a tração 4x4 permanente como funções adicionais. Juntos, os dois itens devem somar cerca de R$ 30 mil a mais no preço individual de cada carro a ser adquirido.
Se o governo optasse pelo câmbio manual e tração 4x4 opcional, as montadoras calculam uma economia que poderia proporcionar a compra de mais 50 carros, além dos 200 previstos, num total de 250 viaturas. O cálculo foi feito com base no montante de R$ 30 milhões disponibilizados pelo Executivo para a aquisição da nova frota.
A Hilux SW4 Diesel, da Toyota, única empresa que oferece um modelo com todas as exigências do edital, custa R$ 153.501,00 para pessoa jurídica, segundo o Serviço de Atendimento e Vendas Diretas da fábrica. Quando se trata de venda para órgãos governamentais, o preço pode diminuir dependendo da natureza de cada negociação.
A concessionária Jangada, representante Nissan em Fortaleza, possui o modelo SUV X-Terra, que ficaria de fora da licitação não fosse a liminar conseguida. O automóvel não possui o câmbio nem a tração permanente exigidos. Ele custa cerca de R$ 126 mil, podendo haver desconto de R$ 5 mil por veículo, dependendo da concorrência. Reinaldo Lima, gerente comercial da Jangada, afirma que não há histórico de uso de carros com câmbio automático, nem tração permanente por órgãos públicos no Brasil.
Já o exemplar da Chevrolet, a Blazer Diesel, também desqualificado para o edital pelas mesmas razões, custa R$ 128 mil. O modelo já foi usado pela Polícia Federal. Osvaldo Furtado, vendedor frotista da concessionária Silcar (Chevrolet), diz que o governo feriu a lei ao não deixar espaço no edital para que todas as empresas com veículos do gênero proposto participem.
A Pajero Sport, da Mitsubishi, também não poderá entrar na disputa. Mesmo possuindo câmbio automático, conta somente com tração 4x4 opcional. Custa R$ 116 mil. Williams Cito, vendedor da concessionária Nissei (Mitsubishi), afirma que carros de polícia automáticos terão dificuldades de manutenção e de operação. "Para que tração permanente? Ninguém vai andar na neve! Só em poucas operações será preciso".
O POVO não conseguiu falar com o procurador geral do Estrado, Fernando Oliveira, apesar das várias tentativas até o fechamento da edição e dos recados deixados com a secretária dele.
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