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Lula dá recado ao PT e defende diálogo com PSDB

O presidente justificou as conversas com os senadores Tasso Jereissati e Antônio Carlos Magalhães, ambos de oposição, e disse que "não pode ficar apenas governando com os seus"

Leonencio Nossa
da Agência Estado

24 Abr 2007 - 01h57min

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a aproximação com a oposição, numa entrevista repleta de recados endereçados ao PT, no programa de rádio "Café com o presidente". "O presidente da República tem que ser uma espécie de magistrado, não pode ficar apenas governando com os seus", afirmou.

O PT reclama do arco de alianças do governo e se sente preterido por Lula na ocupação de cargos federais. Lula encontrou-se nos últimos dias com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e os senadores oposicionistas Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), nova sigla do velho PFL, e com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, esteve em Belo Horizonte, onde se encontrou com o governador tucano de Minas, Aécio Neves.

No rádio, Lula disse ainda que, no poder, se comporta como um pai que cuida com "carinho" do filho. Ele ressaltou que não pensa na eleição de 2010, sem observar, no entanto, que está impedido de se candidatar. "Tenho de pensar em cuidar deste País como se estivesse cuidando do meu filho, o Brasil precisa de carinho", salientou.

Lula disse, no programa de rádio, que as conversas com a oposição mostram que o Brasil vive uma "nova fase". "Quando converso com o Tasso e com o senador Antonio Carlos Magalhães, converso sabendo que eles são oposição, que podem ter candidato em 2010", afirmou. "Vamos conversar com mais gente", avisou, sem definir a data de um possível e aguardado encontro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A tática está dando resultados. Antonio Carlos Magalhães, que já chamou Lula de "rato", após ouvir o presidente chamá-lo de "hamster", foi à tribuna do Senado para comentar eufórico a inesperada visita do presidente durante internação num hospital de São Paulo. Tasso Jereissati deixou o Planalto na última quinta-feira, após encontro com Lula, dizendo que fazer oposição não é só xingar, gritar ou ameaçar, bem diferente do senador que acusou o presidente de ser "corrupto".

Também ontem, o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que há setores do partido descontentes com a repartição de cargos no governo federal. Segundo ele, esses setores ainda não foram contemplados "no primeiro escalão do governo" e por isso seus integrantes estão irritados.

"Como nós buscamos um equilíbrio no relacionamento interno, o ideal é que nós possamos fazer isso em conjunto com o governo, evidentemente dentro do que se poderia chamar de cota do PT, se é que há cota do PT. Evidentemente os setores que estão se sentindo menos representados estão irritados, estão reivindicando, e isso é natural", disse ele, em entrevista ao site do partido.

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