Política
PREFEITURA
Conciliação negocia R$ 6 milhões
Para atenuar o problema da dívida de precatórios, desde 2005 a Prefeitura de Fortaleza passou a destinar a quantia de R$ 1 milhão por mês ao pagamento das dívidas. Em conciliação com o credores, mais de R$ 6 milhões em precatórios foram negociados
14 Abr 2007 - 14h23min
A redução em 50% do montante de dívidas da Prefeitura também se deve à conciliação de precatórios, no Dia Nacional da Conciliação, em 8 de dezembro de 2006. Foram negociados mais de R$ 6 milhões em precatórios, que estão sendo saldados em parcelas. Alguns credores, inclusive, receberão o pagamento somente em setembro deste ano. “Os credores tiveram uma compreensão. Sabiam que a dificuldade era grande e isso possibilitou ao Município fazer o pagamento. Mas existem peculiaridades em cada processo. Quem tivesse interessado (em conciliar), a gente aderia. Já para outros (credores), não era interessante, porque teriam que renunciar a muita coisa”, afirma o procurador Guilherme Rodrigues.
Uma dívida de R$ 12 milhões no Tribunal de Justiça ainda é uma das maiores pendências de Fortaleza. Segundo o procurador Guilherme Rodrigues, uma das formas que podem ser utilizadas pela administração para quitar a dívida é por meio do uso de depósitos iniciais. Ele afirma que a lei garante que o Governo pode utilizar essa verba no pagamento de precatórios. Os recursos vêm de valores depositados por empresas que contestam custos de tributos municipais e depositam, em juízo, o valor que acham devido, passando a questionar o restante. “Ainda não temos idéia, precisamente, de quanto seria. Mas a gente espera formalizar esse convênio e passar a fazer uso dessa verba. Nossa intenção é insistir na negociação e eu acredito que, em breve, isso será feito”, estima o procurador.
PRECATÓRIOS NO BRASIL
Confira como está o quadro de estoque e pagamentos de precatórios em alguns dos principais Estados do País.
SÃO PAULO
Deve mais de R$ 23 bilhões. É responsável por 37,4% da dívida total do País. No final de 2005, o estoque de precatórios devidos pelo Estado somava R$ 12,99 bilhões. A secretaria da Fazenda de São Paulo contabilizou, em dezembro de 2005, R$ 1,026 bilhão de precatórios que já tinham sido empenhados e se transformado em restos a pagar processados.
PERNAMBUCO
Em 2007, o Estado deve gastar cerca de R$ 80 milhões para quitar todos os títulos vencidos. O valor equivale a menos de 1% das despesas primárias líquidas de Pernambuco, abaixo do valor mínimo estipulado para o pagamento de precatórios pela PEC. Já na Prefeitura de Recife, o estoque de precatórios deste ano é de R$ 5 milhões, que serão pagos integralmente.
BAHIA
Acelerou o pagamento de precatórios já existentes e evitou, em parte, a emissão de novos, a partir de juízo de conciliação nos processos trabalhista do Estado. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia, entre 2003 e 2006, mais de 12 mil precatórios foram conciliados, somando R$ 440 milhões. Até 2005, o volume total de precatórios registrados no passivo permanente da Bahia era de R$ 640,4 milhões.
SANTA CATARINA
Possui hoje no Tribunal de Justiça registro de precatórios no valor de R$ 288 milhões e outros R$ 27 milhões no Tribunal Regional do Trabalho. Em 2006, Santa Catarina pagou R$ 10 milhões em precatórios, com orçamento estadual de R$ 7 bilhões. A capital, Florianópolis, tem hoje um volume de R$ 6 milhões em precatórios, sendo os maiores valores de títulos alimentares. Não há pagamento desses títulos desde 2004.
PARANÁ
O Estado recolhe R$ 10 milhões por mês em precatórios alimentares e trabalhistas, equivalente a R$ 120 milhões ao ano. O estoque de dívidas com precatórios do Paraná é de R$ 3,55 bilhões. A despesa primária líquida de 2006 foi de R$ 14,4 bilhões.
RIO GRANDE DO SUL
Acumula R$ 3 bilhões em dívidas judiciais, algumas vencidas há quase dez anos. Não deve aderir às novas regras para os precatórios estaduais, caso seja aprovado. O percentual de 3% das despesas primárias líquidas do ano anterior é considerado inviável pelo governo gaúcho, pois significaria um desembolso extra de R$ 500 milhões ao ano.
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