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Cai investimento; sobe gasto com pessoal

Arrecadação maior, investimento menor e despesas com pessoal em alta são o saldo econômico dos três primeiros meses do governo Cid Gomes, na comparação com o mesmo período do ano passado. O ajuste fiscal começa a mostrar resultado e reduz as despesas em 10%

Daniel Sampaio
da Redação

14 Abr 2007 - 01h41min

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Uma notícia boa: o Estado economizou 10,1% comparando o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2006 e a receita total cresceu 7,6%. Enquanto o governo Lúcio Alcântara (PR) gastou R$ 1,5 bilhão entre janeiro e março de 2006, a cifra na administração Cid Gomes (PSB) ficou em R$ 1,39 bilhões no mesmo período. A notícia ruim é que essa economia tem sido feita principalmente com redução dos investimentos - recursos que levam ao crescimento da capacidade produtiva do Estado, como obras de infra-estrutura, compra de equipamentos e melhoria de serviços. Os números estão no relatório da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), disponibilizado pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, Nelson Martins (PT).

Os investimentos caíram 84,8% entre a janeiro e março deste ano, na comparação como primeiro trimestre do ano passado, percentual corrigido pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos três primeiros meses de 2006, no governo Lúcio, o gasto real com investimentos foi de R$ 97,3 milhões. No primeiro trimestre da administração Cid, o valor ficou em R$ 15,2 milhões.

Outra grande economia feito pelo Estado foi no chamado custeio finalístico - cujos resultados chegam mais diretamente à população. A economia, segundo o relatório, foi de 49%, percentual corrigido pelo IPCA. No primeiro trimestre de 2006, foram gastos 275,2 milhões contra R$ 144,4 milhões no mesmo período de 2007.

O investimento diminuiu e, curiosamente, o gasto com pessoal aumentou na comparação com os primeiros meses do ano passado, apesar da dispensa de terceirizados e do corte de cargos comissionados realizados no início do ano. Se comparados os três primeiros meses da administração Cid, o gasto com pessoal aumentou 17,6%, percentual corrigido pelo IPCA. Se Lúcio gastou R$ 603,8 milhões, a cifra no governo atual ficou em 731,3 milhões.

O Estado também gastou 16% a mais com a amortização da dívida. O percentual corrigido pelo IPCA equivale a R$ 103,2 milhões no primeiro trimestre de 2007. No mesmo período do ano passado, o valor foi de R$ 86,4 milhões.

Menos investimentos e mais arrecadação. Aumentou a quantidade de dinheiro nos cofres do Estado nos três primeiros deste ano em relação ao primeiro trimestre de 2006 - segundo dados da Secretaria da Fazenda (Sefaz), disponibilizados pelo líder do governo. No total, foram R$ 1.724.579.697,88 bilhões arrecadados entre janeiro e março de 2007, contra 1.682.758.543,94, aumento de 7,6% em valores nominais - desconsiderada a inflação. Corrigindo os valores pela inflação medida pelo IPCA, a arrecadação deste ano, contudo, fica ligeiramente menor que no ano passado - redução de 0,9%.

O maior crescimento ocorreu no dinheiro que chega via Governo Federal. As transferências tiveram aumento de 11,94%, sem considerar a inflação do período. No primeiro trimestre de 2006, a cifra foi de R$ 624,2 milhões. Em 2007, no mesmo período, o número sobe para R$ 698,8 milhões.

Já as receitas próprias - arrecadação de impostos e taxas - cresceram 4,83% no primeiro trimestre deste ano, em valores nominais, segundo o relatório. Se em 2006, entre janeiro e março, a arrecadação foi de R$ 976,4 milhões, no mesmo período de 2007 o valor foi de R$ 1,025 bilhões.

Nelson Martins comemorou a melhoria nas receitas e nas despesas nos três primeiros meses da administração Cid. "A diminuição dos investimentos é porque o governo do Estado está avaliando as políticas do governo anterior", justificou. O petista contou ainda que o Estado deixou de arrecadar R$ 80 milhões em créditos tributários da gestão passada.

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