Política
CHAPÉUS E BOMBACHAS
Com que roupa eu vou?
Os parlamentares que usarem trajes "extravagantes" na Câmara dos Deputados poderão ser advertidos por quebra de decoro parlamentar. A decisão do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), causou polêmica entre parte dos deputados federais
Paulo R. Zulino
da Agência Estado
13 Abr 2007 - 01h55min
Um dos atingidos pela medida é o deputado Edgar Mão Branca (PV/BA), que não tira da cabeça um chapéu de vaqueiro. "Nos momentos em que nós estamos presidindo a sessão, os parlamentares têm nos procurado para saber se é permitido o uso de chapéu ou de boné dentro do plenário. Vários deles têm manifestado que, se for permitido, eles também querem usar", disse o primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Antes que virasse moda, a mesa diretora da Câmara decidiu que ninguém mais pode entrar no plenário com roupas e acessórios considerados extravagantes. A decisão da mesa diretora, que vale a partir de hoje, estabelece que os deputados só podem entrar em plenário de terno e gravata. Já as deputadas devem usar traje equivalente. De acordo com regimento da Casa, quem não cumprir essa ordem pode ser punido, primeiro com uma advertência, depois com suspensão e até com a perda de mandato.
A nova regra pegou de surpresa, por exemplo, o deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS). No dia da posse, ele apareceu de bombacha, traje típico do sul do País. "A bombacha, para mim, é um traje legal. E nós temos um País continental, com diversidades culturais, que nós temos de aprender a respeitar aqui. Esse decreto vai contra isso", defendeu o parlamentar. O deputado e estilista Clodovil Hernandes (PTC-SP), por sua vez, acha que tem mesmo é que proibir o chapéu em plenário, mas por outra razão: "Um homem bem educado não usa chapéu em ambiente coberto".
Antes de punir o dono do chapéu, os deputados vão tentar convencê-lo a desistir do acessório. A difícil tarefa caberá ao primeiro-secretário da Câmara, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). "Claro que tenho uma missão e que eu acho um pouco espinhosa, na medida em que preciso convencê-lo a que não mais utilize. Eu sei que ele tem afirmado que isso é uma característica dele. Eu até respeito isso. O problema é que o plenário é um local sagrado. Eu vou ter de conversar com ele numa boa, enfim, demovê-lo disso. Tomara que eu consiga", comentou.
Serraglio pode ter certeza que não vai ser fácil mesmo demover o deputado Edgar Mão Branca a deixar de utilizar o chapéu. Ele acha que não está fazendo nada de errado. "Como é que eu posso ser punido se eu tenho consciência de que não estou errado? Antes de me candidatar, eu tomei conhecimento do regimento interno da Casa. Não tem nada lá que me proíba disso. O que não é proibido é permitido, a meu ver. Eu só me candidatei nessa condição". As informações são do jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo.
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