Marcela Belchior
da Redação
Longe do poder e dos áureos tempos, o PFL mudou de nome e busca se modernizar para se manter entre as principais forças do jogo político nacional. Tentando se desvincular da imagem de partido da direita, o novo Democratas (DEM) abraça bandeiras como a união civil de pessoas do mesmo sexo
02/04/2007 01:06

Democratas. No dicionário, aqueles que adotam uma "concepção de democracia de governo". Para o partido, o conceito se estende e ganha ares de motivação. O antigo PFL vê na mudança de nome o primeiro passo para curar a apatia do partido nos últimos anos. Mais do que mudar de nome, ele quer mudar de perfil, ganhar novos adeptos e chegar às eleições de 2008 e 2010 com força para aderir espaços no poder público e surpreender a população.
Desgaste é pouco para falar do PFL, ou melhor, Democratas. Em oito anos na vice-presidência da República - com o hoje senador Marco Maciel (PE) - o partido se consolidou como uma potência no parlamento e, sobretudo, no Nordeste. Nas últimas eleições, o partido se viu sem nomes para concorrer a cargos e sem os votos dos eleitores. O partido governava quatro estados, três deles no Nordeste: Bahia, Maranhão e Sergipe, além do Tocantins. No ano passado, conseguiu eleger apenas um governador - no Distrito Federal - e teve seu número de deputados federais reduzido.
O Democratas elegeu, ainda como PFL, 65 deputados, que, pela migração para outras legendas, foram reduzidos para 57. A bancada tornou-se a quarta força da Câmara, atrás do PMDB (91), PT (82) e PSDB (58). Na eleição para a presidência, o partido nem apresentou candidato próprio.
No Ceará, o Democratas conta apenas com um deputado - Edson Silva - que, por sinal, já anunciou que deixará o partido para ingressar no PMDB, a convite do deputado federal Eunício Oliveira. E não é pela crise do partido, mas por estratégia política. Ele mesmo conta que se filiou ao partido com vistas à candidatura. "Não tenho identidade com o PFL. Por acaso, eu aportei no partido". Ele explica que sua intenção era disputar a Prefeitura em 2004 pelo PTB, partido ao qual pertencia. "Mas o PTB resolveu se coligar ao PSDB, para apoiar o Cambraia, e eu não concordei. Rompi com o PTB", resume.
Edson Silva acabou apoiando a candidatura de Moroni Torgan, que disputava a Prefeitura pelo PFL, e que foi derrotado no segundo turno. Logo depois, Edson aportava no PFL.
Veio a eleição de 2006, e, na avaliação do deputado, o partido errou de estratégia. "Moroni se aventurou (na candidatura ao Senado) e bateu com a cabeça na parede. E o PFL não moveu uma palha pela minha eleição", avalia. Outro "imprevisto", como ele mesmo se refere: o PFL se aliou ao PSDB. "Eu acho que o PSDB já governou o que tinha que governar, já deu o que tinha que dar. Eu pulei fora". Em plena campanha, Edson Silva abriu dissidência e resolveu apoiar Cid Gomes ao governo do Estado, abandonando a candidatura de Lúcio Alcântara - então no PSDB - apoiada pelo partido.
O destino, agora, é o PMDB. "Não existe compromisso comigo, nem eu estou me oferecendo para ser candidato a prefeito. Mas, se o PMDB apoiar candidatura própria, será o Eunício (Oliveira) ou o meu nome", garante Edson.
Assim como ele, outros filiados deixaram o partido. Há algumas semanas, foi o vereador Alri Nogueira que foi para o PSDB, desfalcando a já minguada bancada pefelista - agora democrata - na Câmara Municipal de Fortaleza. Na avaliação do secretário-geral do Democratas no Ceará, Edgar Fuques, essa "debandada" se deve à "infidelidade ao partido". "O candidato usa a legenda do partido. Terminada as eleições, vem aquela revoada em busca do poder. Isso não é bom. Como é que fica o tempo de eleição que ele usou do partido? As pessoas esquecem determinadas situações. Se alguém é convidado para integrar um partido, primeiro, ele tem que aceitar o ideário, a filosofia do partido", desafaba Fuques. Quem quiser entrar no time dos Democratas, agora, terá de jogar de acordo como mandam as novas regras do partido.
PRÓXIMOS PASSOS DO DEMOCRATAS
- Jorge Bornhausen, ex-presidente do partido, disse que a intenção da legenda é tirar o partido da acomodação e se lançar em 2008 com candidatos próprios nos 200 maiores municípios brasileiros.
- O principal objetivo é a reeleição de Gilberto Kassab (DEM) para a Prefeitura de São Paulo, ainda que o PSBD resolva apresentar a candidatura de Geraldo Alckmin para o cargo.
- O Democratas está também de "olho grande" no cargo de Lula (PT), embora ainda não tenha apostado, publicamente, em nenhum nome em específico para candidato próprio na próxima eleição para presidencial, em 2010.
- Os que saíram do partido podem dar adeus a qualquer chance de "pegar carona" da motivação do Democratas. O novo estatuto diz que quem saiu do partido não pode retornar antes de cinco anos de quarentena.
- O partido busca alguém um nome para dar continuidade ao trabalho de César Maia (DEM), prefeito do Rio de Janeiro há dois mandatos. Entretanto, ainda não há ninguém em vista.
- Em Fortaleza, o bom e velho Moroni Torgan (DEM) vai encarar novamente a disputa pela Prefeitura em 2008. Ele ainda é o nome mais forte e estrela solitária do DEM cearense.
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