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NOTA OFICIAL

Réveillon custou R$ 2,2 milhões

A prefeitura de Fortaleza apresentou comparativo com outras três capitais para mostrar que teria realizado a festa mais barata. Além disso, aponta os patrocinadores do evento e o valor que cada um deles pagou

Marcela Belchior
da Redação

27 Fev 2007 - 00h36min

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OPOSIÇÃO se reúne e avalia pedido de CPI do réveillon na Câmara Municipal (Foto: Marcos Campos)
A Prefeitura de Fortaleza divulgou ontem nota oficial a respeito dos custos dos eventos de réveillon da cidade. Segundo o órgão, os shows, que foram realizados na Praia de Iracema, Barra do Ceará, Messejana e Conjunto Ceará, reuniram cerca de 300 mil pessoas e custaram R$ 2,2 milhões, rateados com bancos públicos e a iniciativa privada. Deste total, o Banco do Brasil teria contribuído com R$ 1,25 milhão; o Banco do Nordeste do Brasil financiado R$ 150 mil, a Caixa Econômica Federal arcado com R$ 200 mil, a Ambev contribuído com R$ 200 mil e o Ministério do Turismo com a quantia de R$ 297,5 mil. A contrapartida da Prefeitura teria sido no valor de R$ 150 mil, utilizados para a compra de fogos de artifício.

Todos os recursos teriam sido repassados diretamente dos organismos patrocinadores para a empresa organizadora, a Estrutural Locação de Banheiros e Toldos Ltda. O órgão justifica, ainda, que a contratação desta empresa se deveu ao fato dela deter a carta de exclusividade das datas dos artistas que se apresentaram durante a virada do ano.

Quanto aos valores destinados a cada artista, mencionados no Diário Oficial do Município do dia 29 de dezembro de 2006, a Prefeitura explica que correspondem não apenas ao cachê individual, referindo-se também aos valores cobrados pelas produtoras e agências, além de impostos e taxas. Ela cita a contratação do show da cantora Elba Ramalho, em que o custo total seria de R$ 490 mil, destinados ao cachê e despesas da artista e sua equipe, como músicos e dançarinos. Este valor também se referiria aos gastos com alimentação, cenografia, instrumentos, deslocamento aéreo, hospedagem, iluminação e efeitos visuais e sonoros.

Na nota, a Prefeitura avalia a festa realizada em Fortaleza como a menos onerosa, dentre as principais festas do País. Ela cita o réveillon do Rio de Janeiro, que teria gasto R$ 5 milhões; São Paulo, R$ 6 milhões; e Recife, com um gasto de R$ 2,5 milhões. Ainda assim, há grandes diferenças nas estruturas de cada festa. No Rio de Janeiro, por exemplo, participaram da festa cerca de 3,5 milhões de pessoas, segundo estimativa da Subsecretaria Especial de Eventos e da Reator, nas praias de Copacabana, Ipanema, Barra, Penha, Ilha do Governador, Pedra de Guaratuba, Céptica e Paquetá. O número pessoas é maior do que a população de Fortaleza.

Em Capa cabana, houve baile com as orquestras Tabajara e Cuba Lebre e show de Eduardo Dose. A praia foi iluminada durante vinte minutos, por 24 toneladas de fogos e mais de 130 tipos de efeitos. Segundo estimativas da Subsecretaria de Eventos/Reator, o reveillon do Rio recebeu 593 mil turistas e gerou renda aproximada de US$ 429 milhões.

Conforme a Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Recife, a capital pernambucana ofereceu show do cantor Paulinho da Viola na praia de Boa Viagem. A festa também contou com telões com transmissões simultâneas, tenda mística, arrastão de samba da escola Galeria do Ritmo, show de Geraldo Azevedo e de Claudionor Germano, além da Orquestra Popular do Recife. A festa da virada também aconteceu em outros pólos da cidade, como Marco Zero, Ebola e Morro da Conceição.

Já em São Paulo, a estimativa da gerência de comunicação e imprensa de São Paulo Turismo (SP Tares) é de que a festa tenha reunido mais de 2 milhões de pessoas, em shows ao longo da Avenida Paulista. Foram seis horas de programação artística, sendo 15 minutos de espetáculo pirotécnico. A estrutura da festa ofereceu dois painéis eletrônicos, com apresentação de imagens e efeitos visuais, dez telões, torres exibindo imagens da contagem regressiva, além de potência de som de 500 mil watts.

A Prefeitura diz reconhecer, ainda, que o extrato de todos os contratos realizados para as festas de final de ano teriam gerado "especulações". "As denúncias em questão são vazias e têm a clara tentativa de desestabilizar a administração do povo de Fortaleza. Trata-se de interesses de grupos com fins eleitoreiros que tentam confundir a população", aponta. De acordo com o órgão, estes dados deverão ser republicados, ainda em data definida.


PARA ENTENDER O CASO

- A polêmica surgiu depois que o vereador Carlos Mesquita (PMDB) questionou os elevados valores computados como cachês para os artistas que se apresentaram na festa de fim de ano em Fortaleza. No Diário Oficial do Município de 29 de dezembro de 2006, foram mencionados gastos na quantia de mais de R$ 1,25 milhão na contratação de artistas pela Estrutural Locação de Banheiros e Toldos Ltda, empresa prestadora de serviço contratada com inexigibilidade de licitação.

- Artistas ouvidos pelo O POVO negaram ter recebido ao menos 10% do valor declarado. O show de Dominguinhos aparece a um custo de R$ 339,87 mil. Paulo Façanha teve computadas despesas de R$ 18,8 mil, mesmo valor que teria sido pago a Valerie Mesquita. Já a vinda de Tânia Mara teria custado R$ 154,8 mil.

- A Prefeitura argumentou que quase todas as despesas teriam sido custeadas por patrocinadores e disse que o dinheiro teria sido usado não apenas com cachês, mas com estrutura dos shows.

Perguntas por responder
- Quanto foi o cachê de cada artista?
- O restante do valor que consta como gastodos shows foi destinado a quê?
- Por que a captação de recursos foi realizada pela empresa organizadora?
- De que forma foi utilizado o nome da Prefeitura para captar recursos?
- Em que foram empregados os recursos repassados por cada patrocinador - que totalizam R$ 2,247 milhões?

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