24/02/2007 01:40
O POVO apurou que a empresa Estrutural Locação de Banheiros e Toldos Ltda também atende pelo nome de Andaime Eventos. Está constituída como microempresa desde 2002 e seu endereço é no bairro Itaperi. O empresário Elpídio Luiz Pereira Neto fala como um dos sócios. Segundo ele, as acusações apontadas não passam de "intriga da oposição". Diz que o réveillon 2007 promovido pela Prefeitura foi um dos mais baratos de Fortaleza e que os cachês de artistas costumam ter um valor maior nessa época, por causa da dificuldade de estarem disponíveis na data. Elpídio diz que a captação dos recursos foi feita por sua empresa e que o valor que aparece no Diário Oficial do Município para cada artista é referente aos custos de produção do evento. Ao O POVO, ele prometeu que segunda-feira esclarecerá os detalhes dos contratos. (Cláudio Ribeiro)
O POVO - O que o senhor tem a dizer sobre essas acusações lançadas na Câmara Municipal?
Elpídio Luiz Pereira Neto - Isso aí é tudo intriga da oposição. Foi o réveillon mais barato de Fortaleza. É porque no cachê dos artistas tivemos que incluir a passagem aérea, hospedagem, alimentação, iluminação, cenografia, já estava no contrato com o artista. Outra coisa, a prefeitura só disponibilizou R$ 150 mil pro réveillon de Fortaleza.
OP - Os R$ 150 mil é o dinheiro que a prefeitura usou?
Elpídio - É. O restante todo foi captado junto a outros órgãos e iniciativa privada pela nossa empresa e pela prefeitura.
OP - Os órgãos são Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste?
Elpídio - E outros mais. Teve outros mais. Da prefeitura só foram R$ 150 mil, dos fogos de artifício que ela pagou.
OP - Vocês receberam quanto da prefeitura para pagar o show da Elba Ramalho, por exemplo?
Elpídio - Nesse cachê não está incluso só o cachê do artista, não.
OP - Mas como é discriminado o valor para todo o show da Elba, por exemplo, a quantia de R$ 490 mil que consta no Diário Oficial do Município?
Elpídio - Existe um valor pra cada um. Tem uma série de fatores que explicam isso aí. Tem outra coisa. Às vezes, como o seu Carlos Mesquita (vereador autor da denúncia) está falando, que o cachê da Ivete dá R$ 300 mil, só pra título de informação, a Ivete, o custo dela no réveillon foi R$ 2 milhões. O réveillon tem um preço especial, ele foge à regra. Um artista não vem cantar em público da prefeitura cobrando um cachê normal, não.
OP - Sua empresa existe há quanto tempo?
Elpídio - Nossa empresa está há alguns anos no mercado. Montamos os principais eventos do Ceará. Sou pioneiro no ramo de eventos. Trabalhamos em todos os eventos de Fortaleza e no Nordeste. Trabalhamos no Verão Vida&Arte, Ceará Music, Fortal, fizemos carnaval em todas as capitais do Nordeste. É uma empresa daqui do Ceará, que tem respaldo e responsabilidade para assumir qualquer compromisso desse tipo.
OP - Vocês já haviam trabalhado com a Prefeitura de Fortaleza?
Elpídio - Já. Diversos eventos. Por exemplo, o Carnaval. Mas eu não trabalhei para a Prefeitura. Fui contratado pela Federação (das Agremiações Carnavalescas).
OP - Se houver algum tipo de apuração sobre esse caso, você tem como responder e justificar esses gastos?
Elpídio - Eu vou. Não tenho nada a esconder. Tudo foi feito com a maior transparência. A documentação está toda na Procuradoria (Geral do Município).
(Nota da Redação: O POVO voltou a ligar para o empresário no final da tarde, após a coletiva dos secretários municipais) OP - Durante a coletiva, os secretários não detalharam como foi o uso do dinheiro. O senhor poderia nos informar, por exemplo, como foi o repasse de cada patrocinador?
Elpídio - Têm informações de patrocinador, não sei se posso repassar, é confidencial. Mas o levantamento de custos, tudo foi embutido dentro do cachê da empresa. Fizemos o custo por evento. Não é simplesmente o cachê, há outros custos agregados.
OP - Procuramos alguns artistas e nenhum confirmou aqueles valores. Falei com um que disse que nem chegou a assinar nada, só um termo de uso de imagem e recebeu só R$ 800. E é um artista que está declarado no Diário Oficial com R$ 18.882,00.
Elpídio - O artista assinou um termo que deu à empresa o direito de fechar negócio com ele. Não foi de direito de imagem, não. Se ele falou, ele tá mentindo. Nenhum cachê foi de R$ 800.
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