Política
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Reforma agrária no Brasil é alvo de críticas
23 Jan 2007 - 01h19min
A organização internacional Via Campesina lançou ontem, no terceiro dia do Fórum Social Mundial, em Nairóbi (Quênia), uma campanha para unir movimentos de luta pela terra na América Latina, África e Ásia. A campanha foi discutida por líderes de movimentos de diversos países. Políticas recentes da Venezuela, Bolívia e Equador foram elogiadas, e o governo brasileiro recebeu críticas pela falta de avanços.
Segundo o hondurenho Rafael Alegria, coordenador da campanha, os objetivos são relacionar reforma agrária com soberania alimentar, emprego e combate à pobreza e desassociá-la da imagem de violência.
Alegria disse que nos últimos 25 anos, apesar de os conflitos pela terra terem aumentado, as políticas mundiais de reforma agrária regrediram. A campanha tentará reverter a tendência acompanhando lutas dos sem-terra em diversos países, como Brasil, Colômbia, África do Sul, Filipinas e Malásia, com troca de experiências e demonstrações conjuntas.
Segundo Mercia Andrews, coordenadora do movimento na África do Sul, apesar de todos os avanços de seu país, a maior parte da população rural do país - 60% dos sul-africanos, segundo ela - não tem acesso à propriedade da terra.
Ao falar da América Latina, Alegria disse que governos como do Equador, da Venezuela e da Bolívia tem sido "revolucionários" na distribuição de terra produtiva. Por esse motivo, o presidente boliviano Evo Morales foi indicado pela Via Campesina ao Prêmio Nobel da Paz.
Já o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teria trazido avanços, diz Alegria. "Não há, até agora, suficiente vontade política para fazer distribuição maciça de terra".
João Paulo Rodrigues, do MST, disse que, há cinco anos, "a reforma agrária saiu da pauta" no Brasil. "Não temos coragem de convidar a Via Campesina para conhecer um assentamento completo criado no Brasil de Lula porque não existe".
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