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INTERNAUTA POLÍTICO

A "praça" virtual

Blogs, comunidades no Orkut, sites de partido. Internautas encontraram na rede uma maneira de discutir política e ainda de conseguir fazer com que sua opinião chegue às autoridades


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20/01/2007 14:02

(Foto: Mauri Melo)
(Foto: Mauri Melo)

Na era da Internet, a política saiu dos gabinetes. A praça dá lugar ao espaço virtual. Do cidadão que começou a discutir a melhor maneira de administrar o domínio público na Pólis (cidade-estado) da Antigüidade clássica, surge o homem contemporâneo. Sujeito que tem pressa pela informação e que ampliou sua capacidade de comunicação e interação social por meio da Internet.

Blogs, comunidades do Orkut, sites de partidos, de políticos, de candidatos, de poderes. A rede permitiu mais do que conhecer a notícia em tempo instantâneo. Possibilitou comentar e reivindicar direitos, propor políticas públicas, anunciar apoio e voto, acompanhar ações governamentais.

Em março de 2005, quando o então presidente da Câmara, ex-deputado federal Severino Cavalcanti (PP) quis aumentar o salário dos deputados, os parlamentares passaram a receber centenas de e-mails todos os dias criticando a proposta. A iniciativa repercutiu na grande mídia e os próprios parlamentares reconheceram o grande apelo social contra a iniciativa.

Na página de relacionamento Orkut (www.orkut.com), só as comunidades sobre política criadas por brasileiros supera a casa do milhares. A maior delas é "Fora Lula", com mais de 190 mil membros. Em seguida aparece "Eu odeio o Bush", com 169 mil integrantes. Mas o Orkut não tem espaço apenas para ódios. Há comunidades engraçadinhas, como "Queremos mais feriados", com quase 60 mil participantes, além da patriótica "Eu sou brasileiro", que reúne 52 mil pessoas. Em cada uma das comunidades, há fóruns de discussões sobre assuntos definidos livremente pelos próprios participantes.

Outra recente febre da política nacional são os blogs. Originalmente espécies de diários virtuais, eles tornam-se cada vez mais voltados para a cobertura dos bastidores dos partidos, governos e do Legislativo. Suas marcas são informações e notas rápidas, notícias em tempo real e o constante debate entre os internautas. Pioneiro no gênero, o blog Política do O POVO ultrapassou a marca de um milhão de acessos em apenas oito meses no ar. Neste período, foram publicados 28.752 mil comentários de internautas, que optaram por este canal para falar o que pensam dos acontecimentos e bastidores da política.

"É como se a gente tivesse falando diretamente com a autoridade. A Internet está enquadrando os políticos. Ela (a rede) submete os políticos à opinião popular, cobra, de maneira instantânea, um novo tipo de posição", diz o professor Gisonaldo Granjeiro Ferreira, um dos internautas mais assíduos em blogs de política. "Muitos políticos lêem. Já vi até deputado responder reclamação de internauta no blog", afirma.

Na visão do professor, apesar da abertura de novos meios para debater política e administração pública, a realidade prática tem mudado muito pouco. "Ainda vivemos um período de curral eleitoral. Nem a transparência das ações mudou e o povo continua condescendente", diz ele que, além do blog O POVO, freqüenta salas de debate político de Pernambuco, estado de sua procedência.

"Acho que temos um novo cidadão político, a diferença é que no debate direto, você mostra sua cara. Pela Internet, não há nada a temer. Daí a necessidade de filtrar as informações e os comentários políticos que circulam na rede", opina o advogado Antônio José Maia, que costuma comentar os acontecimentos e as decisões do poder público nos blogs de política. Além do blog do O POVO, ele indica a página do jornalista Paulo Henrique Amorim e do ex-ministro José Dirceu.

Já para o também advogado Emanuel Accioly, internauta assíduo em espaços de discussão política, o valor dos blogs está na possibilidade de conhecer a opinião do maior número de pessoas. "Nos (veículos) impressos, vemos a visão de especialistas, uma visão imparcial. Nos blogs, é possível saber de fato o que as pessoas pensam", diz. (CH)

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