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Política

PSDB E PT

Desconfiada, militância petista critica aliança

Erivaldo Carvalho
da Redação

Um dia depois de o deputado federal Eudes Xavier (PT) dizer que o PSDB no governo Cid Gomes ¿constrange¿ o PT, militantes petistas ouvidos pelo O POVO reforçam o sentimento de mal-estar


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19/01/2007 02:22

Com todos os oito moradores filiados ao PT, a casa do pintor de carro Sudilberto Ferreira Pinto, 37 anos, no bairro Farias Brito, em Fortaleza, deveria estar eufórica. Afinal de contas, o partido no qual militam desde a década de 80, depois de amargar várias derrotas, conquistou uma vitória na eleição para o governo do Estado.

Ao contrário disso, o clima entre os familiares e correligionários é outro. "Para nós, dá um desânimo", sintetiza Sudilberto, referindo-se às perspectivas políticas do governo que ajudou a eleger e que tem o PT na vice. Mais precisamente, diz o pintor, por causa da presença de membros do PSDB na gestão Cid Gomes. "É como se fosse uma faca de dois gumes. Para mim, é errado", compara.

O sentimento do pintor reforça as declarações do deputado federal eleito Eudes Xavier (PT), ontem no O POVO. Da corrente mais à esquerda do partido, o petista admite que a militância está "constrangida" com a escolha de tucanos para o primeiro escalão do governo.

Numa arriscada jogada política, Cid Gomes anunciou o nome do tucano Marcos Cals, presidente da Assembléia Legislativa, para comandar a Secretaria da Justiça. O também tucano, licenciado do partido, Bismarck Maia, foi para o Turismo. Na lista entrou ainda o secretário de Infra-Estrutura, Adail Fontenele, depois de uma mal explicada "expulsão" do PSDB.

Nos bastidores do PT, o clima entre membros de tendências mais à esquerda - que aceitaram a aliança com os Ferreira Gomes depois de muito debate - é de incômodo. Uma fonte de uma das alas avalia que, no momento, a discussão prioritária é a participação do PT no governo, mas que poucos apostam que não existe uma crise num horizonte próximo.

Para o petista Sudilberto, a presença de integrantes do PSDB no governo Cid é a segunda marca negativa para a militância. "Já começou com aquela falta de dinheiro", lembra Sudilberto, sobre o polêmico atraso no pagamento dos servidores públicos, na primeira semana de gestão. "Com mais essa, o PT fica ainda mais a mercê desse falatório", avalia o petista.

O mecânico de trator agrícola, Ademar da Silva Rodrigues, 51 anos, morador da Serrinha, faz uma análise mais crítica ainda. Filiado ao PT desde 1983, ele diz ter feito campanha para Cid Gomes, mas admite que gostaria que outro nome tivesse saído para a disputa. "Meu candidato ao governo seria o João Alfredo. Infelizmente, ele saiu do PT", afirma Ademar, referindo-se ao deputado federal, ex-petista e hoje no PSol. "Se fosse ele (Alfredo) eu acreditaria numa mudança mais profunda".

Na avaliação do mecânico, o governador deveria ter montado o governo apenas com os aliados da campanha eleitoral. "Essas vagas (de secretários) deveriam estar sendo preenchidas pelos partidos que elegeram Cid Gomes", afirma Ademar, completando que não espera nenhum tipo de rompimento político com o grupo que perdeu a disputa. "Pela história dos Ferreira Gomes, eles têm uma tradição de fazer um governozinho com pouca mudança".

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