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Reforma ministerial em câmera lenta

Depois de adiar a reforma para janeiro, o presidente Lula decidiu deixar as nomeações para o mês que vem. A demora já provoca queixas na base aliada, principalmente na Câmara


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18/01/2007 02:10

PRESIDENTE Lula, em evento ontem no Palácio do Planalto: reforma condicionada à eleição da Câmara e ao anúncio do programa econômico (Foto: Beto Barata/AE)
PRESIDENTE Lula, em evento ontem no Palácio do Planalto: reforma condicionada à eleição da Câmara e ao anúncio do programa econômico (Foto: Beto Barata/AE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiará, mais uma vez, a reforma ministerial, que agora deve sair pouco antes da segunda quinzena de fevereiro e tende a ser menor do que o esperado. O objetivo de Lula é condicionar as nomeações a compromissos de apoio por parte dos aliados e impedir que a briga pela renovação das cúpulas do Congresso - marcada para o dia 1º - atrapalhe a aprovação de medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A demora dele provoca queixas de deputados do PMDB, que reclamam da falta de espaço no governo e da gulodice dos integrantes do partido no Senado por cargos nos ministérios e estatais. Nesse cenário, correligionários do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), candidato à reeleição, acusam o candidato a presidente da Casa Arlindo Chinaglia (PT-SP) de prometer ministérios a deputados em troca de apoio. Chinaglia nega.

"O presidente nos comunicou que só vai começar a fazer consultas para as mudanças no ministério depois do dia 1º de fevereiro", disse o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro. "Ele quer que acompanhemos o impacto que o Programa de Aceleração do Crescimento terá na estrutura partidária e na coalizão para, a partir daí, tratar da reforma na equipe."

Sobre a possibilidade de a negociação ocorrer no estilo do toma-lá-dá-cá, Genro ficou irritado e disse que a observação era sinal de "má-fé". Na prática, embora muitos itens do pacote a ser anunciado na segunda-feira, dia 22, contenham o formato de medida provisória (MP) boa parte do programa para impulsionar o crescimento terá de passar pelo crivo do Legislativo.

"Se, eventualmente, o PAC não conseguir soldar a base do governo, isso pode preocupar", admitiu. "O problema é que o PT ajudou a enfraquecer a coalizão e isso causou muitas feridas", observou o líder do PSB na Casa, Renato Casagrande (ES), partidário da candidatura de Rebelo. "Deve ter muita gente falando em cargos sem autorização do governo."

"O ideal era que o presidente assumisse o mandato com o governo composto, mas não teve condições políticas para isso. Esperamos que a decisão saia logo após a definição da presidência da Câmara", acrescentou Casagrande.

Na terça-feira passada, o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) telefonou para o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato à reeleição. Reclamou que, até agora, Lula não abriu a interlocução com a Câmara. Geddel é um dos cotados para integrar o ministério. Está de olho nos de Cidades e de Integração Nacional. Mas a fila para a ocupação de espaços é grande.

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), deve indicar o ministro da Saúde. O mais cotado para a vaga é o médico José Gomes Temporão. Ainda na seara peemedebista, os ministros das Comunicações, Hélio Costa, e de Minas e Energia, Silas Rondeau, tendem a permanecer nos cargos. É possível que o partido ganhe uma quarta cadeira na Esplanada: a da Integração.

Transportes é o ministério mais cobiçado até agora e há pelo menos cinco peemedebistas atrás da mesma vaga. Pelos sinais emitidos por Lula em conversas reservadas, no entanto, o ex-ministro Alfredo Nascimento, senador eleito pelo PR, deve retomar o posto. No comando do Turismo, o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson (RJ) quer agora Agricultura, hoje nas mãos do PT.

Até porque o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, deixará o PTB: deve migrar para o PSB. Se os petebistas conseguirem o objetivo, o mais citado para a vaga é o deputado Nélson Marquezelli (SP). A questão é que, antes de mais nada, o governo quer tirar Jefferson - autor das denúncias do "mensalão" - da presidência do PTB. (das agências)

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