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Ceará exporta técnica de crime, diz juiz

O juiz Danilo Fontenele, diretor do Foro da Justiça Federal no Ceará, alerta para a organização do crime no Estado. Os cartãozeiros cearenses estariam exportando a técnica para outros países. O diretor de Inteligência da PM, Francisco Crisóstomo, afirma que o Ronda de Quarteirão não terá o crime organizado como foco


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13/01/2007 15:14


O perfil do crime no Ceará tem mudado nos últimos anos. De localizada e pouco articulada, a ação das quadrilhas tem chamado atenção pela ousadia e habilidade com que é executada, haja vista o grande aumento do número de seqüestros - em 2006 foram 22 contra três registrados em 2005 -, a máfia dos falsificadores de cartões de crédito (cartãozeiros) e ainda os assaltos a bancos e comércios. Da mesma forma, cresceu nos dois últimos anos o número de homicídios, latrocínios e assaltos registrados no Estado (veja quadro).

Segundo o diretor do Foro da Justiça Federal no Ceará, juiz Danilo Fontenele, as ações das quadrilhas organizadas de outros estados têm sido tão freqüentes no Ceará, que não se pode dizer que o crime local permaneça desorganizado. Ele também afirma que os cartãozeiros chegaram a um nível de habilidade e especialização, que já estão criando braços fora do Estado e até exportando a técnica para outros países. O magistrado teme que, com a decisão dos governadores do Sudeste de se unirem para combater o crime naquelas regiões, haja uma migração ainda maior de quadrilhas para o Nordeste.

O juiz julga de extrema importância a implementação de programas sociais que possam absorver egressos do crime. "Se eles forem impedidos de agir naquela área, vão para outra. Da mesma forma, se a viatura ficar patrulhando um período do dia e o outro não, o crime volta a ocorrer", afirma. "O combate bélico não suficiente. É preciso um grande engajamento social. A própria classe média favorece o crime quando sonega impostos, quando consome produtos falsificados e contrabandeados", diz.

Opinião semelhante tem o diretor da Divisão de Inteligência da Polícia Militar, delegado Francisco Crisóstomo. Ele diz que o crime no Estado já tem um certo grau de organização juntamente com outros grupos criminosos do Nordeste. O delegado explica que a PM não estava aparelhada e preparada para combater os seqüestros que marcaram o ano de 2006, daí a necessidade de ter sido criado o Grupo Anti-Seqüestro. Crisóstomo, porém, não acredita na possibilidade de uma migração das quadrilhas do Sul e Sudeste para o Ceará. O delegado diz que os seqüestros foram realizados por quadrilhas do Nordeste antes especializadas em roubo a bancos.

Na opinião do delegado, o Ronda de Quarteirão vai minimizar apenas os crimes pequenos, os assaltos de sinal, dentre outros. Mas julga a iniciativa positiva a partir do momento em que se propõe a aproximar a polícia da comunidade. "Para combater os grupos mais articulados, os departamentos de inteligência policial têm que atuar em conjunto, integrando os estados vizinhos", afirma.

O promotor de Justiça Pedro Casimiro, da 6ª Vara Criminal, diz que o crime no Ceará está bem organizado em algumas modalidades, mas mesmo os criminosos menos especializados já mantém um certo grau de interação entre si. Um exemplo disso são os vários casos de homicídios em que a arma usada para o delito havia sido alugada.

"Eles optam pelo aluguel da arma porque num caso de uma investigação e de um julgamento, o fato da arma não ter sido encontrada com o autor aumenta as chances de redução da pena", explica. Assim como o juiz Danilo Fontenele, Casimiro afirma que os cartãozeiros chegaram ao ponto de ensinar a grupos de fora como agem. "Os chefões dos cartãozeiros estão dando verdadeiras consultorias", diz. (Clovis Holanda)

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