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CRIMINALIDADE

Especialistas: redução de crimes não é garantida

Especialistas afirmam que o modelo proposto no Ronda de Quarteirão deve estar aliado a outras políticas de segurança e a ainda a programas sociais que possam absorver os egressos do crime. Mas confirmam que o modelo aumenta a sensação de segurança da população


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13/01/2007 15:14

POLICIAL do projeto-piloto do Ronda de Quarteirão, que começou no Porto das Dunas: sensação de segurança e prevenção de pequenos delitos(Foto: ALEX COSTA)
POLICIAL do projeto-piloto do Ronda de Quarteirão, que começou no Porto das Dunas: sensação de segurança e prevenção de pequenos delitos(Foto: ALEX COSTA)

"Vai haver um grande aumento do número de chamadas para a polícia, que por sua vez não é capaz de dar conta da nova demanda"
Paulo de Mesquita Neto, professor da USP


Durante a campanha, o governador Cid Gomes (PSB) promoveu o Ronda de Quarteirão como o sistema de segurança pública que levaria atendimento às chamadas da população em no máximo cinco minutos. Se comprometeu em realizar uma ampla distribuição de patrulhas da Polícia Militar na Capital e Região Metropolitana, de forma que o cidadão possa acionar, por meio de um número de telefone celular, a viatura responsável pela segurança da área onde mora. O programa integraria ainda a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros. Mas será que este modelo de fato reduz o tipo de criminalidade que hoje assusta os cearenses?

O POVO procurou estudiosos dos sistemas de segurança e ainda integrantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública, ligada ao Ministério da Justiça, do Ministério Público, da Polícia e do Judiciário para ouvir a opinião dos especialistas sobre policiamento comunitário e o tipo de patrulhamento proposto no Ronda de Quarteirão.

Todos são unânimes em dizer que o Ronda, aliado a um sistema de policiamento comunitário, aumenta a sensação de segurança, aproxima a polícia da comunidade e previne pequenos delitos, mas não garante que os índices de criminalidade cairão. Segundo eles, o programa só é valido se vier ancorado em um policiamento inteligente e de repressão, que dê conta da criminalidade organizada, e, ainda, de programas sociais, que permitam aos egressos do crime oportunidades de sustento.

Segundo o professor Paulo de Mesquita Neto, especialista em sistemas de segurança pública do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), não basta ter muitas viaturas, policiais e números de telefone se não houver estudo, discussão e definição clara dos conflitos e dos tipos de crimes que ocorrem em cada área da cidade. "Do contrário, pelo que tenho visto, vai haver um grande aumento do número de chamadas para a polícia, que por sua vez não é capaz de dar conta da nova demanda. O resultado é frustração a curto prazo", diz.

Mesquita afirma que investidas do tipo tendem a dar certo em áreas geográficas bem delimitadas e quando o intuito é combater um tipo de atividade criminosa específico do local, como o tráfico de drogas, por exemplo. "O ideal é que vários órgãos públicos se envolvam no trabalho, que haja adaptação da Ronda para atuar com vários níveis de crime e que a diferença de prioridades em cada área fique bem definida", ressalta.

O coordenador do Plano de Implantação e Acompanhamento de Programas Sociais de Prevenção da Violência do Ministério da Justiça, Pehkx Jones Gomes da Silveira, diz que o policiamento comunitário é adotado em muitos países e representa, em sua visão, a melhor saída para o combate ao crime e à violência em todas as esferas. "Enquanto atua na prevenção de pequenos delitos, o policiamento comunitário ajuda a inteligência policial a detectar os esquemas maiores das gangues e do crime organizado, com as informações que recebe da comunidade", diz ele.

Silveira ressalta que a opção pelo policiamento comunitário está embasada em uma orientação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) para os estados. "Estabelecemos uma matriz para que as policiais estaduais sigam e possam receber incentivos do Fundo Nacional de Segurança Pública em seu projetos", esclarece. (Clovis Holanda)

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