Política
GESTÃO CID
Governo negocia empréstimo para pagar salários atrasados
Servidores públicos fizeram muito barulho no Palácio Iracema. Após caminhada pela avenida Washington Soares, os manifestantes que estão com salários atrasados foram recebidos por Ivo Gomes
Daniel Sampaio
da Redação
09 Jan 2007 - 02h21min
Ainda faltam ser pagos cerca de R$ 70 milhões para que o Estado fique em dia com os funcionários públicos que tinham pagamento previsto para os dias 4 e 5 de janeiro. Desse dinheiro, o governo argumenta que só tem em seus cofres R$ 22 milhões que poderão efetivamente ser usados para pagar a folha de pessoal.
Para pôr o pagamento dos servidores em dia, o Estado aposta na arrecadação prevista para entrar no próximo dia 10. O dinheiro é relativo ao ICMS e às transferências federais. No entanto, mesmo esta quantia pode não bastar para pagar todo mundo. Por isso, um empréstimo do Banco do Brasil está em estudo.
"Temos receio de que o repasse, pelas estatísticas, não seja suficiente para pagar a folha. Pode acontecer. Pode ser que não (aconteça)", avisou Ivo Gomes aos servidores. O chefe de gabinete explicou que o dinheiro que entra nos cofres públicos em cada dia 10 é a menor arrecadação mensal do Estado, se comparada ao dinheiro que entra nos dias 20 e 30, datas fixas para o depósito do ICMS e transferências do governo federal.
Em entrevista, Ivo disse, contudo, que não sabe quanto será necessário pedir emprestado. Ele afirmou que esse montante vai depender do total que será efetivamente arrecadado no dia 10. Por enquanto, o governo negocia com o Banco do Brasil para assegurar que poderá pegar o empréstimo, caso seja preciso. Só depois, caso haja necessidade, a quantia será definida.
No entanto, o chefe de gabinete acredita que a arrecadação deve cobrir a maior parte do salário dos servidores que ainda não receberam. O eventual empréstimo, segundo ele, deve representar um percentual reduzido da folha de pessoal que está pendente. "Se (a arrecadação) não for suficiente, vai chegar muito perto. Vão faltar R$ 10 milhões, R$ 5 milhões. Vai bater na trave". Ele admite a possibilidade, porém, do empréstimo não ser necessário, caso a arrecadação obtida em função das vendas de fim de ano fiquem acima da média. "Se tiver uma surpresa boa pelas vendas de Natal, pode ser que dê para pagar (sem pedir o empréstimo)", disse à imprensa. Mas garantiu: "Nem que chova canivete o salário estará depositado nas contas dos servidores".
Os servidores que foram ontem ao Palácio Iracema reivindicar o pagamento dos salários saíram em caminhada pela avenida Washington Soares. Chegando ao Palácio, os manifestantes foram recebidos por Ivo e pelo líder do governo na Assembléia, Nelson Martins (PT). O auditório tem capacidade para 101 pessoas sentadas, mas havia mais do que o dobro em pé ou sentados na lateral da sala. Segundo o chefe de gabinete, Cid Gomes não recebeu os manifestantes porque estaria cumprindo uma agenda junto aos secretários de governo.
Após a conversa com Ivo, os servidores da Educação se reuniram do lado de fora do Palácio Iracema. Eles decidiram reduzir de 10 minutos em cada aula. Na próxima quinta, haverá uma assembléia unificada dos servidores públicos, que poderá decidir pela greve da categoria.
ENTENDA O CASO
- Um dia após a posse, o novo secretário da Fazenda, Mauro Filho, anunciou a suspensão dos pagamentos dos servidores que recebem nos dias 4 e 5, alegando falta de dinheiro.
- O ex-secretário da Fazenda, José Maria Mendes, negou ter deixado o cofre vazio e disse que o governo Lúcio Alcântara (PSDB) havia deixado R$ 228,5 milhões em caixa e que esse dinheiro poderia ser gasto com o pagamento dos servidores.
- Mauro Filho rebate Mendes e diz que, desse total, só R$ 22 milhões poderiam ser usados. Ficaria faltando ainda cerca de R$ 48 milhões. O resto do dinheiro seria específico para outras receitas e, por isso, não poderia ser usado.
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