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TASSO JEREISSATI, na única declaração pública, disse ser “um homem do PSDB, de ponta a ponta” (Foto: Evilázio Bezerra)
TASSO JEREISSATI, na única declaração pública, disse ser “um homem do PSDB, de ponta a ponta” (Foto: Evilázio Bezerra)
PSDB
O silêncio de Tasso
A cúpula do PSDB agiu, ontem, para fazer parecer que a crise no Ceará, entre Lúcio Alcântara e Tasso Jereissati, não afetou a rotina da campanha nacional de Geraldo Alckmin

Érico Firmo
da Redação

23/08/2006 03:07

Apesar da tentativa de demonstrar que a aparição do presidente Lula no programa de Lúcio Alcântara não muda a rotina da campanha, a nova estratégia tucana no Ceará elevou o clima interno no partido. O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, optou pelo silêncio. Na sua única declaração pública, feita em Viçosa do Ceará na segunda-feira, o senador se disse "triste com as traições", sem explicitar a que se referia. No PSDB nacional, o clima foi de mal-estar. Alguns tucanos chegaram a tecer duras críticas ao posicionamento do governador, enquanto alguns setores do partido iniciaram um movimento para tentar debelar a crise.

Fugindo, de certo modo, a seu estilo, Tasso respondeu a Lúcio ensaiando o que chegou mais perto até hoje de uma declaração de voto no governador. Ainda que por razões estritamente partidárias. "Estou triste com as traições que a vida nos coloca. Reafirmo para vocês: eu sou do PSDB de ponta a ponta, do começo ao fim".

O senador foi acusado pelo próprio Lúcio de não apoiar a campanha do partido para o governo. Nos muros da sede das empresas de Tasso, apenas há menção a Alckmin, sem referência a Lúcio. Ao longo do dia de ontem, Tasso foi procurado pelo O POVO, e por toda a imprensa nacional. Em visita aos municípios de Santa Quitéria, Novo Oriente e Crateús, pedindo votos para Alckmin, ele optou pelo silêncio sobre o assunto.

Há quase cinco meses, o senador partiu para o ataque em um duro pronunciamento contra Lúcio, seu círculo "doméstico" e seu governo. À época, o governador esperou a poeira baixar e, quando veio a público, respondeu sem confrontar Tasso. Com isso, conquistou apoios dentro e fora do partido e saiu vitorioso no primeiro round com o ex-governador. Desgastado com o embate, Tasso teve que engolir a candidatura Lúcio. Na última segunda-feira, a aparição de Lula na propaganda de Lúcio foi o mais veemente contra-ataque contra o senador até agora. Mas desta vez, Tasso agiu como Lúcio fez meses atrás. O silêncio foi a resposta. Pelo menos até aqui.

Em contraste com o silêncio de Tasso no Ceará, a fase da campanha de Lúcio iniciada na última segunda-feira fez barulho Brasil afora. A cúpula nacional se dividiu, a direção da sigla no Ceará minimizou o episódio e a ala tassista do PSDB não escondeu o mal-estar, em meio a um clima de tensão que tomou conta do tucanato. O incômodo é maior ainda pelo fato de Lúcio ter sido um dos defensores da candidatura Alckmin, na época em que José Serra era o favorito para disputar a Presidência.

Hoje, a situação do Ceará será discutida em Brasília em uma reunião entre Alckmin e o coordenador nacional da campanha tucana, Sérgio Guerra. Integrante da ala tassista do partido, o deputado federal Bismarck Maia resume o clima dentro do PSDB. "Estou absolutamente estarrecido, como está toda a direção nacional".

Lúcio tomou a iniciativa de procurar o coordenador nacional da campanha de Alckmin, Sérgio Guerra, para dar satisfação sobre a chapa Lu-Lu, de que permanece na campanha do partido à Presidência e que as menções a Lula são somente uma satisfação ao eleitor. "A fotografia de Alckmin é maior do que a minha no comitê eleitoral", disse Lúcio ao coordenador nacional da campanha tucana.

Na delicada situação de presidir o partido no Estado e coordenar a campanha de Lúcio, Raimundo Viana adotou o mesmo discurso. "O partido adversário tem dito que, em Lula sendo reeleito, terão muito trânsito. O que o governador disse é que já tem muito trânsito", afirmou o presidente tucano, ressaltando que Lula foi "muito solidário" com Lúcio. "O governador continua no PSDB, mas isso não impede que ele faça referência a um ou outro candidato a presidente, dizendo que foi correto com a administração dele. Não há nenhuma anomalia nesse fato". (com as agências de notícias)


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