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Jorge Henrique Cartaxo

Para ex-presidente, no Brasil caminhamos para o estilo mais americano de eleição, onde o mercado é quem faz a grande integração da sociedade. É possível que estejamos mesmo nesse caminho, o que não quer dizer que tenhamos as inegáveis virtudes da vida política nos Estados Unidos, com toda a sua exuberância brega


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28/06/2008 14:54

O PSDB está de luto. O Brasil perdeu sua grande dama. Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que faleceu em São Paulo na noite da última terça-feira, foi uma mulher extraordinária, companheira de um homem igualmente extraordinário. FHC e Ruth formavam um casal raro na paisagem brasileira. Ambos intelectuais respeitados e atuantes na academia. Ambos comprometidos com as virtudes públicas e políticas, necessárias ao País. Ambos vitoriosos na suas trajetórias acadêmicas, políticas e familiares. Se FHC tinha e tem como uma de suas marcas a exuberância sedutora da sua inteligência, Ruth sempre se pautou pela sobriedade, a discrição com uma elegância distinta e suave. A sociedade brasileira é excessivamente ridícula para notar grandes ausências, mas o País perdeu uma filha cuja história e atitudes sempre estiveram voltadas para a mais singela e nobre das inspirações humanas: o bem.

O PENSAMENTO
Fernando Henrique, encastelado em seu elegante instituto, no Vale do Anhagabaú, em São Paulo, continua sendo um dos grandes oráculos da política brasileira e da percepção dos desafios da nossa contemporaneidade. Há pouco mais de 10 dias, ele falou ao jornal O Valor, onde, mais uma vez, sublinha aspectos importantes dos nossos embates partidárias e eleitorais.

Uma observação a ser notada naquela fala de FHC é a sua reflexão sobre o deslocamento crescente da sociedade brasileira, incluindo aí os movimentos sociais organizados, do mundo propriamente político e partidário. "O que tinha ligação (com os movimentos sociais), que é o PT, perdeu também. Ele está próximo dos líderes sindicais. Os sindicatos perderam relevância na vida social brasileira. Já houve época em que os sindicatos mobilizavam, faziam greves. Não tem mais isso. O número de filiados caiu muito. O que ficou foi uma camada sindical, que se organizou muito ao redor da CUT e da Força Sindical. Quando fazem manifestação de massa é porque tem prêmio, tem sorteio de casa. Não é uma coisa politizada. Estávamos num horizonte pré-queda do muro de Berlim. Tinha uma movimentação diferentes das massas. O mundo de lá para cá tomou outras características... a sociedade assiste ao espetáculo da política pela televisão, pelo jornal, assiste de fora", observa FHC, já no inicio da entrevista.

Para o ex-presidente, ao contrario da Europa, onde a vida partidária é mais integrada com a sociedade, no Brasil caminhamos para o estilo mais americano, onde o mercado é quem faz a grande integração da sociedade. É possível que estejamos mesmo nesse caminho, o que não quer dizer que tenhamos as inegáveis virtudes da vida política nos Estados Unidos, com toda a sua exuberância brega. Mas, entendo, que no caso especifico do Brasil há dados bem específicos da nossa cultura.

A redução do papel do Estado na economia brasileira deslocou também a função da política partidária congressual. Hoje, fazer política no Brasil é, de certa forma, um negócio. Não se percebe mais as grandes ações de evidente interesse nacional. Essa é uma diferença importante, porque nela reside parte significativa do descrédito das nossas instituições políticas e partidárias. O Congresso continua sendo, e cada vez mais, um centro aglutinador e acolhedor dos interesses da sociedade politicamente organizada brasileira. Mas, agora, de uma forma difusa, aparentemente caótica. Essa falta de uma expressividade nacional, tira do cidadão a percepção do papel do Congresso, dos parlamentares e dos partidos na grande gestão do estado, da governabilidade e dos interesses coletivos do País.


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