Celebridade maior das artes dramáticas escocesas, o veterano ator Sean Connery será a grande atração do Edinburgh Book Festival 2008, que acontecerá em agosto. É que justamente na data que estará comemorando seus 78 anos, 25 de agosto, Connery lançará sua autobiografia em primeiríssima mão na sua cidade natal, atraindo para a capital escocesa os flashes da mídia mundial. O livro foi escrito em colaboração com o cineasta Murray Grigor. O título original da obra é Being A Scot
21/06/2008 15:13

Sean Connery é um símbolo para a Escócia. É motivo de orgulho para o país mais setentrional do Reino Unido. Por sua trajetória no cinema mundial, sua popularidade a toda prova ao redor do mundo, e sua integridade como cidadão e ao sempre exaltado amor à terra natal que já o levou até a manifestar ser simpático à independência da Escócia. O espírito nacionalista é confirmado na escolha do título de sua autobiografia: Being A Scout ('Ser Um Escocês'). O livro está no prelo e já tem data e local para o lançamento mundial: dia 25 de agosto, seu aniversário de 78 anos, como ponto alto e encerramento da programação do Edinburgh Book Festival, evento que chega este ano a sua 25ª edição.
O anúncio do lançamento foi feito semana passada por Catherine Lockerbie, diretora da feira de livros escocesa. Segundo ela, os escoceses acompanham de perto tudo que sir Sean Connery faz e, tão logo os organizadores do festival souberam que a autobiografia estava sendo escrita, trataram logo de entrar em contato com a editora responsável para fazer do lançamento do livro o momento máximo do evento e uma data inesquecível para a cidade de Edimburgo, homenageando um de seus cidadãos mais queridos, se não o mais querido. "Seu livro, obviamente, tinha que ser lançado conosco", afirmou.
Thomas Sean Connery nasceu em Edimburgo no ano de 1930. De origem simples, ainda jovem trabalhou como entregador de leite, serviu na Marinha Real, foi motorista de caminhão e, já atraindo olhares pelo belo porte, ganhou uns trocados como modelo no Colégio de Artes de Edimburgo. Bem nesta época, Connery ficou na terceira colocação no concurso de Mister Universo. Foi aí que, por insistência de um amigo, foi fazer testes para o musical South Pacific, conquistando o papel. Logo foi chamado para papéis pequenos na televisão e no cinema britânicos - sua primeira aparição foi uma ponta não-creditada em Lilacs in the Spring (1954), filme protagonizado por Errol Flynn. Se destacou participando de teleteatro na BBC e a fazer alguns episódios da Disneylândia, no final dos anos 50.
O sucesso mundial só viria mesmo ao ser escolhido para viver o papel do agente secreto James Bond, personagem criado pelo escritor inglês Ian Fleming em 1953, que chegava aos cinemas com a produção de 007 Contra o Satânico Dr. No, em 1962. O filme se tornou um dos maiores êxitos do cinema mundial, abrindo o que seria a mais bem sucedida e longeva série cinematográfica que ainda rende novos produtos e dividendos até os dias de hoje. Connery é considerado até hoje o ator que melhor incorporou o personagem, tendo feito outras sete películas, todas de grande êxito. Depois de 007 Os Diamantes São Eternos (1971), ele deixou o papel para o qual só voltaria em 007 - Nunca Diga Nunca Outra Vez, em 1983.
Carisma
Marcado pelo personagem carismático, Sean Connery teve uma certa dificuldade de se impor como ator dramático, apesar do êxito de Assassinato do Expresso Oriente (1974). Ele começou a conquistar a crítica por sua atuação em O Homem Que Queria Ser Rei (1975), quando atuou ao lado de Michael Caine. Mas seus papéis mais destacados, fora da série 007, viriam na maturidade em produções das décadas de 80 e 90, como O Nome da Rosa (1986), Os Intocáveis (1987) - pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante - e Caçada ao Outubro Vermelho (1990). Mas continuou atuando também em filmes de aventura como Highlander, o guerreiro imortal (1986), Indiana Jones e A Última Cruzada (1989), Robin Hood - o príncipe dos ladrões (1991), A Rocha (1996) e Armadilha (1999).
Em 2000, mesmo sendo um nacionalista convicto e colaborador do Partido Nacionalista Escocês, foi agraciado pela Rainha Elizabeth II como Cavalheiro do Reino Unido da Grã-Bretanha, recebendo assim o título de 'Sir'. Por anos, a cerimônia foi adiada até que o cerimonial da Coroa Britânica aceitasse suas exigências: a cerimônia ser realizada na Escócia, para a qual compareceu trajanto o tradicional kilt, vestimenta típica do homem escocês tradicional. Depois da péssima bilheteria de A Liga Extraordinária (2003), sir Sean Connery se afastou do cinema, alegando estar dedicado a escrever sua autobiografia.
Volta agora aos holofotes midiáticos justamente para lançar Sean Connery - Being a Scout em agosto. Para ajudá-lo na empreitada, ele convocou o cineasta escocês Murray Grigor. Grigor é amigo de Connery de longas datas e já havia dirigido o documentário em curta-metragem Sean Connery´s Edinburgh, em 1983. Os dois estarão entre os 800 autores que participarão da 25ª edição do Edinburgh Book Festival, que começa dia 9 de agosto e será encerrado dia 25 com o lançamento da autobiografia de Sean Connery.