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DOM FLÁVIO GIOVENALE

"Incendiário em nome da lei"

Amazônia, século XXI. Em uma cidade no Interior do Pará, a síntese dos problemas e dramas históricos de quem vive na região. A violência, os conflitos de terra, a pobreza, a violação do meio ambiente e, também, o tráfico de drogas. É em Abaitetuba que vive dom Flávio Giovenale, um bispo marcado para morrer


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26/05/2008 02:25

(Foto: Cristino Martins/O Liberal)
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(Foto: Cristino Martins/O Liberal)

O sorriso largo e as passadas rápidas daquele senhor alto nem de longe lembram a figura de um religioso na casa dos 70 anos. Naquela manhã, mais ainda, era preciso pressa. Dom Flávio Giovenale, bispo de Abaitetuba, a 100 quilômetros de Belém, no Pará, seria a primeira pessoa recebida pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Acompanhado do senador José Nery (PSol/PA), ele iria expor a situação de violência e ameaças na região que ficou conhecida como "A Medellín do Brasil".

Na mesa de oito lugares no refeitório do Centro Missionário Católico, casa de estudos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Flávio toma café sentado ao lado de jornalistas que participaram na noite anterior (7/5) da entrega do Prêmio CNBB de Jornalismo. Enquanto aguarda o carro do senador para levá-lo ao ministério, fala da Amazônia, da absolvição do acusado de matar a missionária norte-americana Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, entre outros temas.

Pautado para entrevistá-lo, os poucos minutos de conversa não me satisfazem. A agenda do religioso, porém, está lotada. Depois da audiência com o ministro, ele teria reuniões no Senado e na CNBB, antes de pegar o vôo de volta a Belém no meio da tarde. A menção ao nome do senador Nery, cearense de Pedra Branca, me faz sugerir acompanhá-los numa carona. Ele não se opõe. No carro do senador, a conversa flui, inicialmente sobre o Ceará.

O trânsito congestionado da manhã em Brasília vira aliado, quando precisamos estender o assunto sobre as ameaças contra religiosos em regiões de conflito no Pará. Além de Geovenale, estariam marcados para morrer dom José Luiz Azcona, bispo da diocese da Ilha de Marajó, e o bispo de Altamira e do Xingu, dom Erwin Kräutler. No dia anterior, os três tinham participado de encontros com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e com o secretário Especial de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi.

Segundo o relato dos religiosos, cerca de 300 pessoas que vivem no Interior do Pará estão ameaçadas de morte por denunciarem diversas violações de direitos, como a exploração sexual de mulheres e crianças, tráfico de seres humanos, tráfico de drogas, grilagem, invasões de terras e extração ilegal de madeira. A primeira parte da conversa termina na ante-sala do ministro Tarso Genro. Minutos depois é concluída em uma sala do gabinete do senador Nery.


O POVO - O senhor tem sido ameaçado de morte em Abaitetuba, no Pará. Gostaria que o senhor falasse sobre este problema.
Flávio Giovenale - Abaitetuba é uma cidade do Pará, bem perto de Belém, na foz do rio Tocantins. E esse sistema geográfico, por causa da foz, do estuário que temos lá - são 70 ilhas fluviais no município -permitiu o desenvolvimento de uma economia saudável no passado, a economia da cana-de-açúcar, do transporte fluvial, várias plantações, da pesca. Infelizmente, junto com isso, veio o contrabando. O contrabando saía do Brasil e ia em direção à Guiana Francesa e ao Suriname. Esse contrabando foi crescendo e, nos últimos decênios, evoluiu para o cigarro e a droga. Portanto, Abaitetuba se tornou um entreposto de saída da droga do Brasil. Vem da Colômbia, passa por todo o rio Amazonas, seguindo depois para Guiana, Suriname e, posteriormente, para Europa ou Estados Unidos. Nos anos 70, o ciclo da cachaça, da cana-de-açúcar, foi acabando, quando foram construídas as grandes rodoviais e, com elas, a possibilidade da vinda de outros produtos, como a cachaça de outros estados, com melhor qualidade e preços mais baixos. Isto foi o fim do ciclo da cana na região. Também a cerca de 30 quilômetros se criou o pólo do alumínio, com a Vale do Rio Doce ainda estatal. Com isso se mudou um pouco o clima da região. As firmas que se constituíam empregavam pessoas simples, sem estudo. Mas quando se começou a trabalhar efetivamente eles desprezaram os trabalhadores locais dos melhores postos de trabalho, trazendo pessoas de outras regiões, especialmente da região sul. Com isso, na prática, a partir dos anos 80, Abaitetuba passou a viver economicamente um clima absolutamente instável. Crescem o comércio ilegal de mercadorias e o contrabando avança até se tornar uma das fontes principais, não diria de arrecadação, mas de meio de subsistência da população.

OP - E como o senhor entra nesse contexto? Está lá desde quando?
Flávio Giovenale - Estou lá desde o finalzinho de 1997. Dez anos antes da minha chegada, a Folha de S.Paulo publicou duas páginas inteiras sobre a Medellín (1) do Brasil, demonstrando a importância que a droga tinha assumido na região. No final de 98, em novembro, um policial mata, a sangue frio, um desses pequenos traficantes, chamados "aviões", que levava cigarros para Belém. Isto de manhã. E à tarde, então, houve uma revolta popular (2), mas estando por trás os traficantes, que termina na queima e destruição da Prefeitura, Câmara dos Vereadores, do Fórum e da casa do prefeito. Os prédios que representavam os três poderes constituídos foram destruídos. A partir daí houve uma reação liderada pela Igreja e começaram as ameaças.

OP - Mas como vocês se comportaram? De que forma se deu essa reação da Igreja?
Flávio Giovenale - A reação foi pelo fato de não entendermos o comércio de droga como um comércio legal, oportuno. A reação foi na busca de alternativas econômicas e sociais para a economia de Abaitetuba.

OP - Mas vocês estavam em uma encruzilhada. A população entendeu a intenção da Igreja?
Flávio Giovenale - A população entendeu. No primeiro momento, a droga passava por Abaitetuba, mas eram poucos os usuários. Mas eles começaram a ver que a droga estava ficando na cidade e muitas famílias estavam temendo a tragédia de ver gente drogada dentro de casa. Também porque a droga criou uma mentalidade de não se querer trabalhar. Por que, afinal a venda da droga rende muito mais? Então a reação da Igreja foi no sentido de se dizer que podemos trabalhar, ser honestos, viver e ter alternativas econômicas. Essa tem sido a nossa busca nesses dez anos. Alguma coisa conseguimos, como organizar os artesãos, o Sebrae está dando uma força enorme, a movelaria também. Conseguimos criar uma escola profissional na Diocese para levar qualificação. No segundo semestre deste ano, estaremos recebendo uma escola técnica federal. Estamos em um esforço para que a UFPA (Universidade Federal do Pará), que tem um campus lá, melhore a oferta de cursos orientados também ao mercado de trabalho.

OP - E essas ações começaram a interferir no comércio ilegal?
Flávio Giovenale - Sim, e as primeiras ameaças surgem no ano de 2000, depois pararam....

OP - Que tipo de ameaças?
Flávio Giovenale - Eram mais de intimidação: 'Parem com isso, senão vão se dar mal...'

OP - Mas eram de forma direta ou velada?
Flávio Giovenale - Algumas começaram veladas, às vezes via telefone. Amigos nos falavam: 'Olhe, uma pessoa amiga minha falou da preocupação de estarem procurando vocês'. Enfim, as pessoas ficavam sabendo através de outras e nos falavam. Mas depois acalmou e por vários anos não aconteceu nada. Até que em junho de 2007 houve uma ação da PF (Polícia Federal) mais orientada à pirataria de roupa. Alguns comerciantes se espantaram. Passaram a dizer: 'Foi o bispo'. E aí houve duas ou três ameaças pessoais, na rua, direta, direta mesmo: 'Parem com isso, senão vão ver...'. Uma semana depois: 'Ou pára ou vamos fazer um serviço'. Foi aí que ameaçaram uma menina que estava como voluntária em um projeto de hortas comunitárias da Diocese e o jeito foi pedir que ela desistisse. Ela era italiana e voltou à Itália para tirar a possibilidade de qualquer agressão.

OP - O senhor chegou a sofrer algum tipo de atentado ou só ameaças?
Flávio Giovenale - Não, só ameaças. Mas aí depois teve o caso da menina que ficou presa na cela de uma delegacia com homens (3). Nós demos apoio ao Conselho Tutelar, tanto moral, como físico, de locomoção etc. Então houve duas outras ameaças diretas. Uma vez, na rua, uma pessoa disse para mim, e duas pessoas do Conselho Tutelar: 'Vamos deixar baixar a poeira, depois acertamos as contas'. No final de janeiro deste ano, sofri um assalto, mas isso considero até coincidência. Não tem nada que indique algo planejado. Mas nesse mesmo dia recebi telefonema, alguém dizendo: 'O próximo é você'. Duas horas depois fiquei sabendo que tinham matado uma pessoa que estaria envolvida com a morte de um policial. Então a situação está assim.

OP - O senhor se considera uma pessoa marcada para morrer ou acha que essas ameaças têm mais o objetivo de intimidar, já que uma morte como a sua geraria repercussão internacional?
Flávio Giovenale - As primeiras ameaças, a história da droga..., eu achei que era mais intimidação. Sendo muito objetivo, nosso trabalho é importante para Abaitetuba, mas só arranha um pouquinho o tráfico de drogas. O tráfico de exportação não foi atingido, enquanto o tráfico varejista (consumo local) está só aumentando. Agora, as ameças mais recentes, relativas ao caso da menina, penso que venha mais da banda podre da Polícia. Isso porque o governo prometeu trocar todos os policiais e vários deles vivem muito da corrupção, da droga e, sendo tranferidos, perderiam essa chance de ganhar. Esses são os mais preocupantes.

OP - Mas o senhor acha que essas pessoas não têm a dimensão do que representaria sua morte?
Flávio Giovenale - Sim, por isso eu sempre cobro proteção - porque acho que elas correm mais perigo do que eu - para as conselheiras tutelares. Porque a morte delas, um acidente com elas, provavelmente teria uma notinha no jornal e, no dia seguinte, ninguém mais falaria. Enquanto a morte ou ferimento no bispo teria uma repercussão, até pelo caso da menina, de caráter internacional. A mídia internacional já entrou, a própria congregação salesiana, a que eu pertenço, tem uma visibilidade internacional. Então, eles, com certeza, antes de fazer alguma coisa com o bispo, vão pensar duas vezes.

OP - Recentemente tivemos a absolvição de um acusado de ser mandante da morte da irmã Dorothy Stang. O senhor considera a possibilidade disso vir a influenciar ações mais ousadas na região?
Flávio Giovenale - Pode modificar se a coisa ficar como está. No sentido de todo mundo aceitar que ele foi absolvido e acabou. Agora me parece que, nesse caso, o tiro saiu pela culatra. Até o Supremo (Tribunal Federal) se manifestou contra a decisão. Mas certamente é uma vitória do outro lado. Não sei se será uma vitória definitiva ou, como se diz, uma vitória de Pirro, quer dizer, ganha a batalha e perde a guerra. Espero que seja assim. Neste momento o grupo de madeireiros e fazendeiros inescrupulosos, porque há fazendeiros e madeireiros bons, ganharam uma parada. Estão mais fortes e eles podem até pensar: 'Podemos matar quem quiser, até com repercussão internacional, como irmã Dorothy e, mesmo assim, nada aconteceu'. E quem sabe não venham a cometer qualquer besteira para dizer: 'Agora nós ganhamos'. Ou então, quem sabe, parem de fazer besteiras, curtam a vitória, para preparar vitórias mais definitivas.

OP - Dom Flávio, uma luta como essa que o senhor empreende exige intervenção do poder público. Mas a própria PM é uma instituição pública que, como o senhor diz, levanta suspeitas. Como tem sido o apoio de órgãos governamentais à sua luta?
Flávio Giovenale - O poder público tem feito algumas ações preventivas que estão avançando muito, muito devagar. A Diocese tem parceria boa com o governo do Estado no campo da educação. Temos várias escolas diocesanas, mas em convênio com o Estado. Estamos avançando e bem. Porém, não estamos avançando bem, por exemplo, em outros campos que poderíamos ter maior agilidade. Tanto no governo passado como no atual, para avançar em projetos comuns está meio devagar.

OP - É verdade que o senhor não tem bom diálogo com a atual governadora Ana Júlia (PT)?
Flávio Giovenale - Não. Com a atual governadora, como o governador passado, toda vez que nos encontramos sempre foi agradável conversarmos. Mas depois entra a burocracia, não sei o que é, a coisa anda muito devagar. Enquanto os problemas sociais aumentam em velocidade de corrida, ali vai se engatinhando. Politicamente tenho a minha liberdade de poder falar e de apoiar quando a coisa vai indo bem. Quando temos problemas, é preciso denunciar, independente de partido A, B ou C. Em Abaitetuba convivemos com três prefeitos diferentes e em todas as gestões temos tido avanços e recuos, não é problema partidário. Parece que existe mesmo um Estado cheio de problemas e não sabe aproveitar as chances de parcerias para poder crescer.

OP - No momento estão surgindo vários focos de conflitos na região Amazônica e gostaria que o senhor fizesse uma avaliação dessa situação.
Flávio Giovenale - A Amazônia é uma região muito variada. Abaitetuba, por exemplo, é uma região que já foi explorada, trabalhada e tem uma presença sistemática desde o início da colonização. Portanto, é uma Amazônia, digamos assim, numa perspectiva muito integrada, bastante parecida com outras regiões do Brasil, especialmente do Nordeste. Depois temos outras situações, como o sul do Pará, em que estamos em uma fronteira agrícola. A chamada fronteira do desenvolvimento, que mais do que isso, está sendo a fronteira da depredação. De onde as ameaças são mais fortes. Foi onde morreu irmã Dorothy e de onde vêm as ameaças ao frei de Altamira, no Xingu. Ali é mesmo a fronteira da agressão, tanto à natureza, quanto à convivência do caboclo que está ali de origem muitas vezes nordestina, vindo nos anos 30, 40, mas que nunca tiveram título de terra. E agora os grandes, até com a conivência de cartórios, corrupção de funcionário público, expulsam, matam e destroem tudo, querendo fazer da Amazônia o que já foi feito no Nordeste. Depois temos outra parte da Amazônia, e aí vale para Roraima, Rondônia. Estão todos nessa fronteira com grandes projetos agrícolas e pouquíssimas pessoas envolvidas. Grandes lucros para poucas pessoas. Então temos essa parte que é a fronteira da ganância. Quero só lembrar que ali também tem gente boa e correta. Mas o sistema em geral diz que vamos avançar, vamos destruir, vamos aproveitar e depois vamos para outro lugar, como gafanhoto. Temos ainda a Amazônia mais central, que é composta por muita floresta, populações indígenas, populações tradicionais. Contra eles há aquele negócio de dizer que tem muita terra. Mas o modo de vida deles é muito diferente do nosso.

OP - Há uma crítica recorrente de que muitos movimentos em defesa da Amazônia são conduzidos por ONGs de fora do País com interesses não só preservacionistas ou de sustentabilidade. Queria que o senhor comentasse essa crítica.
Flávio Giovenale - Bom, que pode ter, pode, como tem tantas ONGs no Brasil todo com interesses próprios, de corrupção, mascarados. Agora só se combate o interesse de estrangeiros se aproveitarem da região com a presença do estado brasileiro. E a melhor forma de assegurar isso é proteger e demarcar as terras indígenas. Porque ali vai ser do Brasil, para brasileiros, com restrições da PF, da Funai e tudo mais. Agora, quando se diz, podem ir para lá fazer o que quiser, aí sim, há chance de aproveitadores brasileiros ou estrangeiros. As grandes marcas, grandes firmas, que financiam a soja, são todas estrangeiras. E como é que a bancada ruralista defende essas empresas que detêm o monopólio mundial das sementes transgênicas? Como é que a bancada ruralista defende a Cargill, a Monsanto e outras grandes empresas que são todas americanas? Isso não é também problema de segurança nacional? Se nós deixarmos avançarem essas grandes firmas, aí sim o território não será mais do Brasil. Então, a defesa que se faz de se respeitar a Constitução brasileira; irmã Dorothy foi morta por respeitar a Constituição e o desenvolvimento sustentável contra os gananciosos. Não era ela que estava colocando em perigo o Brasil. Quem está colocando o Brasil em perigo são contrabandistas, quem explora a madeira sem o manejo sustentável. Então, isso é uma balela. Esse negócio dos americanos vão invadir se não cuidarmos. Qual é a melhor defesa do Brasil do que toda a imensidão de quilômetros de florestas? Vão poder invadir como? Então é uma bela balela para esconder os interesses deles, porque não estão nem ai para o Brasil. A nação deles não é o Brasil. A nação deles é o bolso.

OP - Outra crítica recorrente é sobre a defesa da Amazônia ser conduzida por religiosos ditos incendiários.
Flávio Giovenale - Quando você vê populações inteiras, digo pequenos agricultores - vamos deixar o problema indígena de lado -, gente pequenina, que está sendo tirada do lugar porque não tem o papel. Portanto você não existe. Sua casa não existe. E este terreno eu comprei, eu ganhei e agora é meu. Ou você sai, ou vai ficar para sempre aqui (morto). Quando se vê que a PF, em Rondônia, de 22 deputados, deixou só dois fora, e todos os outros foram para a prisão. Então, quer dizer, não é incendiário quem defende o estado de direito. Incendiário é quem ataca. A população tem o direito de se organizar, de se defender. Qual era a arma da irmã Dorothy? A Bíblia e depois a legalidade através dos órgaõs do governo. Qual é a arma que os fazendeiros usam? O revólver, a ameaça, a morte, a corrupção. Então, quem é incendiário? O bombeiro que entra no fogo para apagar, salvar vidas, correr risco, ou quem taca o fogo? Na prática as vítimas estão sendo acusadas de serem os agitadores. Quem agita são os incendiários e não os que dizem: 'Olhe estas populações estão aqui há 200 anos trabalhando. Mas não têm propriedade da terra. Então vamos organizá-las para que possam regularizar essa propriedade'. Quando se defende os pobres se é acusado de ser incendiário, quando se defende os ricos.... quando os grandes fazem podem fazer o que quiserem que está tudo bem. Se ser incendiário é ser a favor da lei, então eu me considero incendiário...

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  • 26/05/2008 02:25:05 - Perfil

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