Páginas Azuis
JESUALDO FARIAS
Portas abertas para a comunidade
O professor Jesualdo Farias assumiu como reitor em exercício da UFC, com a morte de Ícaro Moreira, em abril deste ano
Lisiane Mossmann
da Redação
19 Mai 2008 - 00h42min
A estátua do padim Cícero atrás da mesa revela a procedência do reitor em exercício da Universidade Federal do Ceará (UFC): Juazeiro do Norte. O professor Jesualdo Farias, 49 anos, chegou a Fortaleza em 1975 para continuar seus estudos. Aqui, terminou a graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Depois passou um tempo no Sul, onde fez o mestrado e doutorado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mais tarde se especializou em Tratamentos Térmicos de Ligas Metálicas no Municipal Industrial Research Institute, em Nagoia (Japão).
Ponderado, começa a entrevista deixando claro que está reitor em exercício e espera nomeação do presidente da República para a sua permanência no cargo, que assumiu com a morte do professor Ícaro Moreira, em 17 de abril, aos 55 anos. É enfático ao dizer que a comunidade universitária está em um período de transição do trauma que sofreu há pouco mais de um mês. No entanto, os projetos continuam sendo encaminhados e a instituição não parou. "Estou no exercício das funções. O que foi projetado não será mudado."
O professor Jesualdo não consegue esconder a sua ligação afetiva e acadêmica com o reitor anterior. Além de reiterar sucessivas vezes que os projetos encaminhados foram estruturados e pensados pelo professor Ícaro e equipe, Jesualdo se emociona ao falar do convite de fazer parte da chapa que estaria à frente da instituição até 2011, dos projetos e das decisões nestes últimos meses. "Ele (Ícaro) era uma pessoa incansável. Começava a despachar pela manhã e à noite continuava com o mesmo humor e disposição."
Mas o companheiro de Ícaro, Jesualdo, que assumiu como vice-reitor então em junho de 2007, tem a preocupação de manter o ritmo das atividades da instituição. Até porque os dois, quando foram empossados, queriam, diz ele, uma gestão descentralizada, com a participação de todos: pró-reitores, diretores, vice-diretores, corpo discente e docente. Tranqüilo, mas determinado, faz uma autocrítica do enclausuramento dos conhecimentos produzidos pelas universidades federais. "A universidade precisa abrir suas portas para a comunidade."
Quando deve ser confirmado a permanência do senhor no cargo de reitor da UFC?
Quem deve confirmar é o presidente da República (Luiz Inácio Lula da Silva), com o ato de nomeação. A chapa eleita, de acordo com estatuto da UFC, deveria estar à frente da universidade até 2011. Mas é necessário agora que o presidente me conduza ao cargo de reitor. Isso deve demorar uns 60 dias, aproximadamente.
Há mudanças previstas, caso o senhor permaneça como reitor?
A equipe e o projeto da UFC discutidos com o professor Ícaro serão mantidos. Tenho certeza que este projeto tem apoio da comunidade universitária. Cada pessoa que compõe a diretoria da UFC foi pensada para um determinado cargo, de acordo com suas qualidades. Há pessoas mais ligadas às questões políticas, outras técnicas, institucionais. A tarefa de pensar as pessoas foi feita por nós dois (Ícaro e eu). Foi uma tarefa difícil porque a universidade é muita rica, tem pensadores brilhantes. Estamos saindo do trauma e o nosso desafio agora com o projeto de expansão.
Como será a continuidade do projeto?
A universidade não parou. Os projetos continuam caminhando porque os recursos já estão no orçamento. Estamos na segunda etapa de construção do campus do Cariri, em Juazeiro, e ainda neste ano iniciaremos as obras do campus da cidade do Crato. Já temos recursos para o campus de Quixadá, região que temos projetos na área de Tecnologia da Informação. Há um problema com terreno, que espero que seja resolvido logo. Não podemos começar a construir ainda. Falta o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) assinar a doação da área. Em Sobral, estamos em fase conclusão da implantação das áreas de Odontologia, Engenharia e Economia. Lá, o prédio de uma fábrica antiga será recuperado, preservando as características da fachada, para abrigar as salas. As obras estão previstas para serem iniciadas ainda este ano.
Como conciliar a qualidade no ensino e a expansão, com aberturas de unidades e novos cursos no Interior?
O princípio da UFC nas novas unidades é o mesmo. Acredito que a infra-estrutura que estamos montando no Interior será igual ou melhor a que temos na Capital. Será melhor porque está sendo planejado. Aqui em Fortaleza, a UFC teve de se adequar à infra-estrutura que já possuía. No entanto, não vamos abrir mais cursos sem as unidades estarem concluídas. É uma decisão pensada e discutida.
O senhor não acha que a falta de estrutura (salas de aula, prédios) acaba atrapalhando o processo de ensino?
Claro que a estrutura traz desconforto para professores e alunos. No entanto, o ganho supera essa falta da estrutura. E estamos tendo apoio das prefeituras locais, do Governo do Estado. O projeto de expansão da UFC também é projeto dos governos. Eles sabem da importância de ter unidades educacionais no Interior, de como a implantação da universidade influencia no desenvolvimento da cidade e da região. Em Quixadá, por exemplo, queremos desenvolver um pólo da Tecnologia da Informação. Os cursos pensados para o local são com este intuito. A geração de conhecimento nesta área vai atrair empresas e desenvolver a região.
Estamos falando da estrutura, mas e a contratação dos professores e servidores?
Os concursos que estamos abrindo para professores no Interior são para doutores. Isso para as três unidades. São profissionais com qualificação e que vão manter o nível de ensino. A maioria dos professores do Interior são doutores, temos mestres e alguns especialistas, mas nem por isso são menos qualificados. Ao contrário, temos os mesmos cuidados que com os cursos na Capital. O vestibular aplicado para o ingresso nos cursos nas unidades do Interior é o mesmo de Fortaleza. Os equipamentos, os laboratórios, tudo está planejado. A estrutura dos novos cursos já está avaliada pelo MEC (Ministério de Educação), foram levadas em conta também as especificidades regionais. Não há porque a qualidade ser inferior. As unidades já têm grupos de pesquisas junto ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O mestrado em Biotecnologia, de Sobral, foi aprovado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) com conceito 4 e já está em funcionamento.
A unidade em Redenção, anunciada pelo Governo Federal, como será? Como funcionará?
Trata-se de uma Universidade Federal dos Países de Língua Portuguesa que será sediada no Ceará. O Governo do Estado está apoiando a iniciativa e já está avaliando a possibilidade da sua instalação no município de Redenção. O MEC, em entendimento com a UFC (que será a universidade tutora) deverá nomear uma comissão para iniciar os trabalhos que definirão a estrutura da nova instituição de ensino superior. Além de atender a estudantes dos países de língua portuguesa, a nova universidade atenderá também estudantes brasileiros. Os cursos a serem implantados serão definidos a partir das demandas identificadas pelos países envolvidos e dos estudos que serão realizados pela comissão.
E os projetos para os campi de Fortaleza?
Em Fortaleza, vamos dar continuidade na discussão do Instituto de Cultura e Arte (ICA) como uma unidade de graduação e pós-graduação. O local deverá abrigar as áreas de Cinema, Comunicação, Artes Cênicas e Estilismo. Pode ser que até o departamento de Filosofia seja transferido para o Instituto. Ainda não foi definido, mas a Filosofia combina com o local: é o princípio de tudo.
Quais são os projetos além do ICA?
Estamos fazendo intervenções nos três campi da UFC na Capital. Pedidos históricos estão sendo atendidos. Estamos expandindo a Faculdade de Educação. Estamos construindo prédios na Psicologia e para Ciências da Informação. Vamos ampliar as casas de cultura. Vamos construir um anexo para o Direito. Temos obras de praças e locais de convivência nos campi. O Pici será urbanizado, o parque esportivo está sendo recuperado. Novos blocos para a pós-graduação. Também terá uma intervenção no Porangabuçu. Ampliaremos as instalações da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem. Investiremos em obras no Hospital Universitário, além de projeto de urbanização. Queremos que o Plano Diretor da cidade contemple esta área porque a região é de interesse público, temos o hospital universitário (Walter Cantídio) e a maternidade-escola (Assis Chateaubriand) no local. A universidade está sendo pensada para os próximos 50 anos. Queremos desenvolver no local um centro avançado de saúde.
A falta de recursos inviabiliza muitos projetos na área de saúde? O Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep) quase foi fechado por falta de dinheiro.
Estamos promovendo este debate. Antes mesmo de você chegar (entrevista foi feita no dia 9 de maio às 11 horas), estava discutindo este assunto. Estamos constituindo uma equipe com consultores externos e com especialistas da área da saúde da UFC para que ela avalie qual o modelo de gestão a empregar no complexo hospitalar para sair deste sufoco, destes prejuízos. Os profissionais da saúde precisam estar mais livres para pensar em melhorias no atendimento e não no gerenciamento financeiro. Vamos formar um grupo de especialistas para desenvolver um projeto somente para que esta área não precise só de recursos federais.
Como o senhor avalia a presença da UFC, como produtora de conhecimento, na sociedade?
A Universidade deve estar perto da comunidade. O professor Ícaro visitou todos os setores para contatos, para desenvolver parcerias. As universidades públicas devem fazer uma autocrítica. Elas passaram muito tempo voltadas para elas mesmas. Todos os temas passam pela universidade e ela pode contribuir com conhecimento: violência, fome, habitação. Como já acontece. Por exemplo, a região do Cariri já está mudando, com a chegada de uma unidade da UFC, a comunidade ganhou mais ânimo, têm pessoas de fora morando na região. A universidade mantém o jovem estudando, contribuindo. Ela ajuda na formação de futuros líderes na região. Aliás, essa é uma carência no Estado: líderes. A universidade é avaliada pela sociedade pelo ganho que ela traz.
Com a aposentadoria de professores, há previsão de novas contratações?
Em julho de 2007, o Governo Federal aprovou uma medida que tem dois pontos positivos, no meu ponto de vista: permite ocupar todas as vagas de professores aposentados ou falecidos e substituir o professor substituto pelo efetivo. A medida representa um avanço. Agora já estamos cobrando do MEC a mesma política para o servidor.
O senhor será o primeiro reitor do Centro de Tecnologia. Em que influencia a sua formação de engenheiro?
Já ocupo cargos de gestão na UFC desde 1994. Comecei como chefe de departamento, depois fui vice-diretor do Centro de Tecnologia e diretor. Foi um espaço construído com o tempo. E depois esta gestão da reitoria é compartilhada e descentralizada. O crescimento da UFC faz com que as funções e as responsabilidades sejam compartilhadas. A nossa intenção é crescer ainda mais. Até 2011 vamos gerar mais duas mil vagas na graduação, com o surgimentos dos novos cursos e a ampliação das vagas dos cursos já existentes. Também vamos incluir mais cursos noturnos para alunos de escolas públicas. Há a previsão para a liberação de contratação de mais 400 professores até 2010 e pelo menos 150 servidores técnico-administrativo até 2010.
O senhor desconfia que há servidores da UFC envolvidos na invasão do campus do Pici? Por que se abriu essa sindicância? Qual a avaliação que o senhor faz deste movimento?
A sindicância foi aberta para verificarmos se houve o envolvimento de pessoas ligadas à UFC na invasão. A UFC é reconhecidamente uma instituição que produz, em todas as suas atividades, ganhos sociais expressivos. Ali mesmo, nas proximidades do campus do Pici, desenvolvemos atividades de assistência à saúde e de esportes que atende a toda a comunidade, especialmente mulheres e crianças. As nossas relações com os movimentos sociais são pautadas pelo respeito mútuo e por uma agenda tratada diretamente pelo reitor da instituição. Nenhuma audiência solicitada ao reitor da UFC, para tratar de questões de interesse dos movimentos sociais deixou de ser realizada. Portanto, as portas da instituição estarão sempre abertas para o diálogo. Por isso, a reação da comunidade foi inicialmente de surpresa e depois de indignação, pela violência com que foi realizada a invasão e pela falta de identificação dos invasores. Pela repercussão do caso, muito bem expressa pelos meios de comunicação locais e nacionais, pode-se concluir que a sociedade também ficou indignada com a invasão.
Cursos abertos
Cariri
Medicina, Engenharia Civil, Agronomia, Biblioteconomia, Filosofia e Administração
Sobral
Medicina, Odontologia, Psicologia, Economia, Engenharia Elétrica, Engenharia de Computação
Quixadá
Sistema de Informação
Cursos que serão abertos
Cariri
Ciências da Computação, Engenharia Agrícola e Ambiental, Sistemas de Informação, Agronegócios, Engenharia Mecânica, Design de Produtos, Gestão Ambiental
Sobral
Tecnologia em Finanças, Engenharia de Produção, Fisioterapia, Sistema de Informação e Nutrição
Quixadá
Tecnologia da Informação, Engenharia de Software, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores, Jogos Digitais
Fortaleza
Engenharia Bioquímica, Engenharia Biomédica, Gestão e Saúde Pública, Tecnólogo em Mecânica, Desenho Industrial, Oceonografia.
Cursos que farão parte do Instituto de Cultura e Arte (ICA)
Cinema e Audiovisual, Produção Audiovisual, Artes Cênicas, Produção Cênica, Estilismo e Moda, Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Licenciatura em Música e Filosofia (em discussão)
Casado com uma estilista, mas com formação em Direito, Jesualdo Farias tem uma filha de 20 anos, que estuda Arquitetura, na UFC. Ele até admite que os momentos em família sejam mais raros, mas garante que ainda encontra tempo para suas duas mulheres.
À primeira vista, o engenheiro Jesualdo parece ser uma pessoa metódica e técnica. Surpresa. O escritor preferido: Thomas Mann, romancista alemão, que em 1929 recebeu o prêmio Nobel da Literatura. Os times do coração são dois. Botafogo e Ferrão. Outra surpresa. Está lendo a biografia de Garrincha. A Estrela Solitária de Ruy Castro. "Com pouco tempo, tenho preferido deixar o notebook em casa e levar livros nas minhas viagens".
Mesmo com todas as tarefas à frente da instituição, o mestre e pesquisador continua orientando seus alunos. Dois que estão no mestrado e outros três no doutorado. "Logo depois de terminar o doutorado, em 1993, fui convidado para ser chefe de departamento, assumi mais tarde a função de vice-diretor do Centro de Tecnologia e de diretor, mas estas funções não limitaram minhas atividades de pesquisador. Sou um pesquisador".
O reitor informou que haverá investiremos em residências universitárias no Pici e no Benfica e em um refeitório no Porangabuçu. As instalações da Faculdade de Economia Administração, Atuárias, Contabilidade e Secretariado Executivo será ampliada. Destacou ainda que outras intervenções em todas unidades acadêmicas serão discutidas. Com recursos do programa Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), nos próximos três anos, serão capacitados os laboratórios de graduação, além de melhorias na infra-estrutura. O reitor anunciou a iniciativa de transformar o Instituto de Ciências do Mar e o Instituto de Universidade Virtual em duas novas universidades acadêmicas. Mas a idéia ainda será debatida com a comunidade acadêmica.
Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (18 de outubro de 1933 - Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983) foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar, ou exatamente, pelo fato de ter suas pernas tortas. É considerado entre os especialistas de futebol como um dos maiores jogadores da história do futebol em todos os tempos. No auge de sua carreira, passou a assinar Manoel Francisco dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha, O anjo de pernas tortas, foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do ataque brasileiro.
O professor Jesualdo Farias atualmente é o reitor em exercício da UFC. É necessário ainda que o presidente da República o emposse. O estatuto da instituição, art. 24, diz o seguinte: "Os mandatos do reitor e do vice-reitor serão simultâneos e com duração de quatro anos, permitida, em cada caso, uma única recondução. º 1º - Em caso de vacância do cargo de reitor, o vice-reitor assumirá o exercício do cargo."
Ponderado, começa a entrevista deixando claro que está reitor em exercício e espera nomeação do presidente da República para a sua permanência no cargo, que assumiu com a morte do professor Ícaro Moreira, em 17 de abril, aos 55 anos. É enfático ao dizer que a comunidade universitária está em um período de transição do trauma que sofreu há pouco mais de um mês. No entanto, os projetos continuam sendo encaminhados e a instituição não parou. "Estou no exercício das funções. O que foi projetado não será mudado."
O professor Jesualdo não consegue esconder a sua ligação afetiva e acadêmica com o reitor anterior. Além de reiterar sucessivas vezes que os projetos encaminhados foram estruturados e pensados pelo professor Ícaro e equipe, Jesualdo se emociona ao falar do convite de fazer parte da chapa que estaria à frente da instituição até 2011, dos projetos e das decisões nestes últimos meses. "Ele (Ícaro) era uma pessoa incansável. Começava a despachar pela manhã e à noite continuava com o mesmo humor e disposição."
Mas o companheiro de Ícaro, Jesualdo, que assumiu como vice-reitor então em junho de 2007, tem a preocupação de manter o ritmo das atividades da instituição. Até porque os dois, quando foram empossados, queriam, diz ele, uma gestão descentralizada, com a participação de todos: pró-reitores, diretores, vice-diretores, corpo discente e docente. Tranqüilo, mas determinado, faz uma autocrítica do enclausuramento dos conhecimentos produzidos pelas universidades federais. "A universidade precisa abrir suas portas para a comunidade."
Quando deve ser confirmado a permanência do senhor no cargo de reitor da UFC?
Quem deve confirmar é o presidente da República (Luiz Inácio Lula da Silva), com o ato de nomeação. A chapa eleita, de acordo com estatuto da UFC, deveria estar à frente da universidade até 2011. Mas é necessário agora que o presidente me conduza ao cargo de reitor. Isso deve demorar uns 60 dias, aproximadamente.
Há mudanças previstas, caso o senhor permaneça como reitor?
A equipe e o projeto da UFC discutidos com o professor Ícaro serão mantidos. Tenho certeza que este projeto tem apoio da comunidade universitária. Cada pessoa que compõe a diretoria da UFC foi pensada para um determinado cargo, de acordo com suas qualidades. Há pessoas mais ligadas às questões políticas, outras técnicas, institucionais. A tarefa de pensar as pessoas foi feita por nós dois (Ícaro e eu). Foi uma tarefa difícil porque a universidade é muita rica, tem pensadores brilhantes. Estamos saindo do trauma e o nosso desafio agora com o projeto de expansão.
Como será a continuidade do projeto?
A universidade não parou. Os projetos continuam caminhando porque os recursos já estão no orçamento. Estamos na segunda etapa de construção do campus do Cariri, em Juazeiro, e ainda neste ano iniciaremos as obras do campus da cidade do Crato. Já temos recursos para o campus de Quixadá, região que temos projetos na área de Tecnologia da Informação. Há um problema com terreno, que espero que seja resolvido logo. Não podemos começar a construir ainda. Falta o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) assinar a doação da área. Em Sobral, estamos em fase conclusão da implantação das áreas de Odontologia, Engenharia e Economia. Lá, o prédio de uma fábrica antiga será recuperado, preservando as características da fachada, para abrigar as salas. As obras estão previstas para serem iniciadas ainda este ano.
Como conciliar a qualidade no ensino e a expansão, com aberturas de unidades e novos cursos no Interior?
O princípio da UFC nas novas unidades é o mesmo. Acredito que a infra-estrutura que estamos montando no Interior será igual ou melhor a que temos na Capital. Será melhor porque está sendo planejado. Aqui em Fortaleza, a UFC teve de se adequar à infra-estrutura que já possuía. No entanto, não vamos abrir mais cursos sem as unidades estarem concluídas. É uma decisão pensada e discutida.
O senhor não acha que a falta de estrutura (salas de aula, prédios) acaba atrapalhando o processo de ensino?
Claro que a estrutura traz desconforto para professores e alunos. No entanto, o ganho supera essa falta da estrutura. E estamos tendo apoio das prefeituras locais, do Governo do Estado. O projeto de expansão da UFC também é projeto dos governos. Eles sabem da importância de ter unidades educacionais no Interior, de como a implantação da universidade influencia no desenvolvimento da cidade e da região. Em Quixadá, por exemplo, queremos desenvolver um pólo da Tecnologia da Informação. Os cursos pensados para o local são com este intuito. A geração de conhecimento nesta área vai atrair empresas e desenvolver a região.
Estamos falando da estrutura, mas e a contratação dos professores e servidores?
Os concursos que estamos abrindo para professores no Interior são para doutores. Isso para as três unidades. São profissionais com qualificação e que vão manter o nível de ensino. A maioria dos professores do Interior são doutores, temos mestres e alguns especialistas, mas nem por isso são menos qualificados. Ao contrário, temos os mesmos cuidados que com os cursos na Capital. O vestibular aplicado para o ingresso nos cursos nas unidades do Interior é o mesmo de Fortaleza. Os equipamentos, os laboratórios, tudo está planejado. A estrutura dos novos cursos já está avaliada pelo MEC (Ministério de Educação), foram levadas em conta também as especificidades regionais. Não há porque a qualidade ser inferior. As unidades já têm grupos de pesquisas junto ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O mestrado em Biotecnologia, de Sobral, foi aprovado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) com conceito 4 e já está em funcionamento.
A unidade em Redenção, anunciada pelo Governo Federal, como será? Como funcionará?
Trata-se de uma Universidade Federal dos Países de Língua Portuguesa que será sediada no Ceará. O Governo do Estado está apoiando a iniciativa e já está avaliando a possibilidade da sua instalação no município de Redenção. O MEC, em entendimento com a UFC (que será a universidade tutora) deverá nomear uma comissão para iniciar os trabalhos que definirão a estrutura da nova instituição de ensino superior. Além de atender a estudantes dos países de língua portuguesa, a nova universidade atenderá também estudantes brasileiros. Os cursos a serem implantados serão definidos a partir das demandas identificadas pelos países envolvidos e dos estudos que serão realizados pela comissão.
E os projetos para os campi de Fortaleza?
Em Fortaleza, vamos dar continuidade na discussão do Instituto de Cultura e Arte (ICA) como uma unidade de graduação e pós-graduação. O local deverá abrigar as áreas de Cinema, Comunicação, Artes Cênicas e Estilismo. Pode ser que até o departamento de Filosofia seja transferido para o Instituto. Ainda não foi definido, mas a Filosofia combina com o local: é o princípio de tudo.
Quais são os projetos além do ICA?
Estamos fazendo intervenções nos três campi da UFC na Capital. Pedidos históricos estão sendo atendidos. Estamos expandindo a Faculdade de Educação. Estamos construindo prédios na Psicologia e para Ciências da Informação. Vamos ampliar as casas de cultura. Vamos construir um anexo para o Direito. Temos obras de praças e locais de convivência nos campi. O Pici será urbanizado, o parque esportivo está sendo recuperado. Novos blocos para a pós-graduação. Também terá uma intervenção no Porangabuçu. Ampliaremos as instalações da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem. Investiremos em obras no Hospital Universitário, além de projeto de urbanização. Queremos que o Plano Diretor da cidade contemple esta área porque a região é de interesse público, temos o hospital universitário (Walter Cantídio) e a maternidade-escola (Assis Chateaubriand) no local. A universidade está sendo pensada para os próximos 50 anos. Queremos desenvolver no local um centro avançado de saúde.
A falta de recursos inviabiliza muitos projetos na área de saúde? O Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep) quase foi fechado por falta de dinheiro.
Estamos promovendo este debate. Antes mesmo de você chegar (entrevista foi feita no dia 9 de maio às 11 horas), estava discutindo este assunto. Estamos constituindo uma equipe com consultores externos e com especialistas da área da saúde da UFC para que ela avalie qual o modelo de gestão a empregar no complexo hospitalar para sair deste sufoco, destes prejuízos. Os profissionais da saúde precisam estar mais livres para pensar em melhorias no atendimento e não no gerenciamento financeiro. Vamos formar um grupo de especialistas para desenvolver um projeto somente para que esta área não precise só de recursos federais.
Como o senhor avalia a presença da UFC, como produtora de conhecimento, na sociedade?
A Universidade deve estar perto da comunidade. O professor Ícaro visitou todos os setores para contatos, para desenvolver parcerias. As universidades públicas devem fazer uma autocrítica. Elas passaram muito tempo voltadas para elas mesmas. Todos os temas passam pela universidade e ela pode contribuir com conhecimento: violência, fome, habitação. Como já acontece. Por exemplo, a região do Cariri já está mudando, com a chegada de uma unidade da UFC, a comunidade ganhou mais ânimo, têm pessoas de fora morando na região. A universidade mantém o jovem estudando, contribuindo. Ela ajuda na formação de futuros líderes na região. Aliás, essa é uma carência no Estado: líderes. A universidade é avaliada pela sociedade pelo ganho que ela traz.
Com a aposentadoria de professores, há previsão de novas contratações?
Em julho de 2007, o Governo Federal aprovou uma medida que tem dois pontos positivos, no meu ponto de vista: permite ocupar todas as vagas de professores aposentados ou falecidos e substituir o professor substituto pelo efetivo. A medida representa um avanço. Agora já estamos cobrando do MEC a mesma política para o servidor.
O senhor será o primeiro reitor do Centro de Tecnologia. Em que influencia a sua formação de engenheiro?
Já ocupo cargos de gestão na UFC desde 1994. Comecei como chefe de departamento, depois fui vice-diretor do Centro de Tecnologia e diretor. Foi um espaço construído com o tempo. E depois esta gestão da reitoria é compartilhada e descentralizada. O crescimento da UFC faz com que as funções e as responsabilidades sejam compartilhadas. A nossa intenção é crescer ainda mais. Até 2011 vamos gerar mais duas mil vagas na graduação, com o surgimentos dos novos cursos e a ampliação das vagas dos cursos já existentes. Também vamos incluir mais cursos noturnos para alunos de escolas públicas. Há a previsão para a liberação de contratação de mais 400 professores até 2010 e pelo menos 150 servidores técnico-administrativo até 2010.
O senhor desconfia que há servidores da UFC envolvidos na invasão do campus do Pici? Por que se abriu essa sindicância? Qual a avaliação que o senhor faz deste movimento?
A sindicância foi aberta para verificarmos se houve o envolvimento de pessoas ligadas à UFC na invasão. A UFC é reconhecidamente uma instituição que produz, em todas as suas atividades, ganhos sociais expressivos. Ali mesmo, nas proximidades do campus do Pici, desenvolvemos atividades de assistência à saúde e de esportes que atende a toda a comunidade, especialmente mulheres e crianças. As nossas relações com os movimentos sociais são pautadas pelo respeito mútuo e por uma agenda tratada diretamente pelo reitor da instituição. Nenhuma audiência solicitada ao reitor da UFC, para tratar de questões de interesse dos movimentos sociais deixou de ser realizada. Portanto, as portas da instituição estarão sempre abertas para o diálogo. Por isso, a reação da comunidade foi inicialmente de surpresa e depois de indignação, pela violência com que foi realizada a invasão e pela falta de identificação dos invasores. Pela repercussão do caso, muito bem expressa pelos meios de comunicação locais e nacionais, pode-se concluir que a sociedade também ficou indignada com a invasão.
Cursos abertos
Cariri
Medicina, Engenharia Civil, Agronomia, Biblioteconomia, Filosofia e Administração
Sobral
Medicina, Odontologia, Psicologia, Economia, Engenharia Elétrica, Engenharia de Computação
Quixadá
Sistema de Informação
Cursos que serão abertos
Cariri
Ciências da Computação, Engenharia Agrícola e Ambiental, Sistemas de Informação, Agronegócios, Engenharia Mecânica, Design de Produtos, Gestão Ambiental
Sobral
Tecnologia em Finanças, Engenharia de Produção, Fisioterapia, Sistema de Informação e Nutrição
Quixadá
Tecnologia da Informação, Engenharia de Software, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores, Jogos Digitais
Fortaleza
Engenharia Bioquímica, Engenharia Biomédica, Gestão e Saúde Pública, Tecnólogo em Mecânica, Desenho Industrial, Oceonografia.
Cursos que farão parte do Instituto de Cultura e Arte (ICA)
Cinema e Audiovisual, Produção Audiovisual, Artes Cênicas, Produção Cênica, Estilismo e Moda, Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Licenciatura em Música e Filosofia (em discussão)
Casado com uma estilista, mas com formação em Direito, Jesualdo Farias tem uma filha de 20 anos, que estuda Arquitetura, na UFC. Ele até admite que os momentos em família sejam mais raros, mas garante que ainda encontra tempo para suas duas mulheres.
À primeira vista, o engenheiro Jesualdo parece ser uma pessoa metódica e técnica. Surpresa. O escritor preferido: Thomas Mann, romancista alemão, que em 1929 recebeu o prêmio Nobel da Literatura. Os times do coração são dois. Botafogo e Ferrão. Outra surpresa. Está lendo a biografia de Garrincha. A Estrela Solitária de Ruy Castro. "Com pouco tempo, tenho preferido deixar o notebook em casa e levar livros nas minhas viagens".
Mesmo com todas as tarefas à frente da instituição, o mestre e pesquisador continua orientando seus alunos. Dois que estão no mestrado e outros três no doutorado. "Logo depois de terminar o doutorado, em 1993, fui convidado para ser chefe de departamento, assumi mais tarde a função de vice-diretor do Centro de Tecnologia e de diretor, mas estas funções não limitaram minhas atividades de pesquisador. Sou um pesquisador".
O reitor informou que haverá investiremos em residências universitárias no Pici e no Benfica e em um refeitório no Porangabuçu. As instalações da Faculdade de Economia Administração, Atuárias, Contabilidade e Secretariado Executivo será ampliada. Destacou ainda que outras intervenções em todas unidades acadêmicas serão discutidas. Com recursos do programa Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), nos próximos três anos, serão capacitados os laboratórios de graduação, além de melhorias na infra-estrutura. O reitor anunciou a iniciativa de transformar o Instituto de Ciências do Mar e o Instituto de Universidade Virtual em duas novas universidades acadêmicas. Mas a idéia ainda será debatida com a comunidade acadêmica.
Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (18 de outubro de 1933 - Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983) foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar, ou exatamente, pelo fato de ter suas pernas tortas. É considerado entre os especialistas de futebol como um dos maiores jogadores da história do futebol em todos os tempos. No auge de sua carreira, passou a assinar Manoel Francisco dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha, O anjo de pernas tortas, foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do ataque brasileiro.
O professor Jesualdo Farias atualmente é o reitor em exercício da UFC. É necessário ainda que o presidente da República o emposse. O estatuto da instituição, art. 24, diz o seguinte: "Os mandatos do reitor e do vice-reitor serão simultâneos e com duração de quatro anos, permitida, em cada caso, uma única recondução. º 1º - Em caso de vacância do cargo de reitor, o vice-reitor assumirá o exercício do cargo."
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