Páginas Azuis
PHILIPPE DUBOIS
A onipresença da imagem
O pesquisador de audiovisual contemporâneo, Philippe Dubois, explica como as imagens estão disseminadas no nosso cotidiano, a ponto de exigir do espectador uma nova postura. Tal situação é fruto de transformações tecnológicas, estéticas e econômicas no audiovisual
Camila Vieira
da Redação
10 Mar 2008 - 00h58min
Para o pesquisador belga, naturalizado francês, Philippe Dubois, 55, as imagens se disseminaram pela cidade contemporânea, marcada pela presença de grandes telas de projeção, de câmeras de vigilância, de pequenos aparelhos de captura de conteúdos audiovisuais. "A imagem é onipresente. Em grandes cidades asiáticas, como Tóquio, Cingapura e Seul, é extraordinário perceber que a cidade toda se tornou imagem. Há telas gigantes por todos os lados. É uma explosão audiovisual. Nós vivemos na imagem. Isto muda completamente nosso imaginário. Por ser de consumo rápido, a imagem não é mais sagrada", argumenta Dubois, que é considerado um dos principais pensadores contemporâneos da estética da imagem.
Há 15 anos, Dubois dedica suas pesquisas à investigação da natureza e do lugar do vídeo no mundo das produções visuais. Como lugar de passagem entre o cinema e a informática, o vídeo manifesta-se como uma tecnologia de identidade incerta, instável e múltipla, que converge com outras mídias. "O vídeo é uma forma de presença. É, ao mesmo tempo, algo de essencial e de acessório. Muitos artistas utilizam o vídeo como forma de pensar sobre as imagens, sobre o mundo da arte. O vídeo é o lugar do ensaio do pensamento. Não é mais uma imagem identitária, mas um estado de pensamento da imagem".
Com o advento dos aparatos digitais, o mundo da produção audiovisual - cinema, vídeo e televisão - passa por novas transformações tecnológicas, estéticas e econômicas. Agora o espectador se prepara para assumir uma nova postura diante da imagem. Em entrevista ao O POVO, Philippe Dubois fala sobre as atuais transformações do cinema e a perda de sua hegemonia, a importância do vídeo como exercício do pensamento, o desafio imposto à televisão e a onipresença das imagens no nosso cotidiano.
O POVO - Na introdução de seu livro Cinema, Vídeo, Godard, o senhor se considera uma pessoa pós-cinema e antes da informática. De que maneira, esta condição o aproximou do interesse na pesquisa sobre o vídeo?
Philippe Dubois - É simplesmente um posicionamento na história. Tenho mais de 50 anos. Nasci e passei a ver as coisas do mundo da arte e das imagens, no momento em que o vídeo apareceu, ou seja, nos anos 70. Tinha 20 anos na década de 70, ou seja, sou contemporâneo da chegada do vídeo. Antes, havia a cultura da imagem em movimento, que é a cultura, que chamamos na França de cinefilia, os amantes do cinema, que construíram uma imagem cinematográfica, Hollywood, Nouvelle Vague, a ficção e os atores, a grandiosidade da imagem que ocupou muito o imaginário desta geração, marcada pelo impacto da Segunda Guerra Mundial. Eu cheguei depois. Sou mais jovem que os cinéfilos que começaram a descobrir o cinema nos anos 50 e 60. Sou pós-cinema, neste sentido, eu cheguei ao mundo das imagens, quando o cinema já estava lá há algum tempo. Só depois chegou o vídeo. Nos anos 70, o vídeo era muito embrionário, ainda algo a ser desenvolvido, que não tinha tanta importância quanto o cinema. Era bem específico, experimental, pequenos documentários, coisas abstratas. Nada parecido com o cinema. Mais tarde, nos anos 80 e 90, tudo o que se dizia era sobre a informática, o digital e o numérico. Eu considero que o vídeo está entre o imaginário cinematográfico e o mundo lógico, do digital, da internet. Entre os dois, há o momento do vídeo, que é um momento de passagem entre o grande imaginário do cinema e uma tecnologia ou um tipo de comunicação, que é a informática, a internet, o celular, essas pequenas máquinas que circulam imagens rápidas. Entre a sala de cinema e a imagem do celular, está o vídeo. Eu cheguei nesse momento, depois do cinema e antes da chegada do digital.
OP - No percurso de 15 anos, o senhor dedicou sua pesquisa sobre a natureza e o lugar das imagens eletrônicas, principalmente do vídeo. No entanto, o vídeo parece não ter uma identidade fixa, já que ele está entre o cinema e as tecnologias da informática. É possível uma reflexão teórica de algo que está em constante mutação? Se o vídeo é um processo, qual a melhor maneira de estudá-lo?
Philippe Dubois - Eu penso, de uma maneira epistemológica, que o vídeo prolongou algo que havia no cinema, que é a idéia de que as imagens não são estáveis, ou seja, que são imagens que vão e vem, que desaparecem tão rápido quanto aparecem. Em um filme, vemos uma imagem sobre a tela, que logo é substituída por outra. Não há uma imagem que permanece. O que resta é a memória. Uma característica não objetiva da imagem-vídeo, é que ela não é um objeto. Não é algo que está lá, como o papel, uma foto. O vídeo e o cinema não são objetos, mas coisas que passam e transitam. No entanto, o vídeo - ainda mais que o cinema - se apodera dessa instabilidade, desta característica efêmera da imagem. Ele se apodera desse fenômeno do tempo real, ou seja, o que eu vejo é o real nele mesmo, no tempo simultâneo da imagem. Se tenho uma câmera que filmo você, eu posso vê-la e ver sua imagem na tela, que é simultânea e sem nenhuma estabilidade. Ou seja, epistemologicamente, o vídeo é movimento, mudança. Nada permanece. Nada resiste de definitivo. É algo da física, algo que aprendemos com Einstein e sua teoria da relatividade. Não há mais o absoluto. Cada um de nós está sempre em mudança. Não há estabilidade. O universo é instável. Acho que o domínio do vídeo encarnou esta idéia de instabilidade de tudo, no domínio da tecnologia da imagem e do som, mais até que o cinema. Em tempo real, a instabilidade se coloca, pois há apenas circulação de imagens. Seja na internet, na realidade virtual, no vídeo. É preciso nos reportarmos a essa evidência teórica: de que não há nada que permanece, apenas circulação de elementos. Todos os tipos de tecnologia de hoje são de circulação. Agora você pode me dizer que há o registro, os arquivos, que permanecem. Tudo bem, mas são arquivos do efêmero. São arquivos que estão lá como coisas que são fixas por um breve momento de tempo. São arquivos que fixam breves instantes ou aquilo que desaparece. O problema do arquivo é conservar, porque as imagens desaparecem. O arquivo luta contra o desaparecimento.
OP - Essa característica do tempo real não é algo apenas do vídeo, mas também da televisão. Em que o vídeo se aproxima da televisão e em que ele se diferencia? Quais são seus elementos constitutivos?
Philippe Dubois - No vídeo, há os efeitos eletrônicos da imagem, de manipulação visual da imagem, como a inscrustação, a sobreposição. Aquilo que Nam June Paik experimentou bastante, nos anos 70. Por outro lado, há o dispositivo de tempo real, que é direto e simultâneo, ou seja, você vê uma imagem ao mesmo tempo que a coisa. Essa é a base da televisão. O que é fundamental na televisão é que cada pessoa, em sua casa, pode ver ao mesmo tempo um acontecimento e sua transmissão em monitores, em qualquer do mundo. Ao mesmo tempo, cinqüenta milhões de pessoas podem ver um mesmo acontecimento em tempo real, como aconteceu com o 11 de setembro. É uma visão planetária de um mesmo acontecimento. A primeira grande coisa que marcou isso foi a chegada do homem à Lua, em 1969. Nós tínhamos acesso de forma direta às imagens dos astronautas que andavam na Lua. Eu ainda me lembro disso, porque meu pai me acordou às quatro horas da manhã, e eu vi na televisão aqueles pequenos homens andando como robôs na Lua e, na janela, eu vi a mesma Lua. Eu achei tudo aquilo fantástico! A idéia de tempo real é uma das características específicas da imagem eletrônica.
OP - E a diferença entre a tevê e o vídeo?
Philippe Dubois - A televisão é um tubo, não há nada. É um tubo em que eu posso ver filmes, programas, reportagens. A tevê nada mais é que a reprodução de coisas que já existem. Então, podemos ver o vídeo na televisão, que utiliza uma pequena técnica, que é uma câmera eletrônica, uma estrutura de montagem digital, que antes era magnética. A televisão transmite programas, que podem ser filmes, noticiários, partidas de futebol. Também há a utilização de técnicas do vídeo, na medida em que a televisão usa alguns efeitos interessantes como a incrustação. Mas ela não é mais que um tubo de recepção de programas. É preciso se interrogar se esses programas são específicos da televisão como tecnologia. Alguém pode dizer que o talk-show é um gênero próprio da tevê. Mas, na verdade, o talk-show é rádio na imagem. São pessoas que se sentam em poltronas, ao redor de uma mesa, e falam. Não há grande coisa para ver. Ou a tevê reproduz o videoclipe, que são canções que podemos apreciar com imagens. A televisão apenas reproduz algumas coisas. A televisão não é uma forma de imagem específica. Ela se apropria de imagens, do cinema, do vídeo... É um grande tubo que transmite.
OP - O senhor pensa questões filosóficas sobre as imagens. Mais que um simples objeto ou produto artístico, o senhor compreende que o vídeo é presença, estado, pensamento. De que maneira esta posição, permite uma politização das imagens, na medida em que procura escapar de uma compreensão superficial do que seja o vídeo?
Philippe Dubois - O vídeo é uma forma de presença, pelo seu problema epistemológico de identidade. Começa pela palavra. Nós falamos imagem-vídeo, câmera de vídeo, videocassete, festival de vídeo. É mais um adjetivo que se reporta a um nome, que já existia antes. É uma forma de dar uma especificidade a algo que já existia. Então, tem essa questão de identidade, de estar atrelado a outras coisas que já existiam há muito tempo. Ao mesmo tempo, o vídeo vem do latim, que significa ver. O vídeo é uma presença: eu vejo. É algo que diz respeito a todas as artes visuais, nesse sentido, a foto, a pintura, o cinema. De um lado, é um adjetivo, um sufixo; do outro, uma propriedade de todas as artes visuais. Essa reflexão sobre o nome demonstra, de saída, uma ambigüidade. O vídeo é, ao mesmo tempo, algo de essencial e de acessório. Esse problema de identidade faz com que o vídeo seja considerado como uma forma de reflexão em imagem de coisas que já existem. Isso interessou grandes cineastas. O que eles fizeram com o vídeo, ao longo desses anos? Eu me reporto a pessoas como Jean Luc-Godard, Peter Greenaway, Agnes Varda, Chris Marker, Atom Egoyan e outros grandes cineastas que utilizam o vídeo, de forma paralela ao filme. Para Godard, o vídeo é utilizado como comentário para suas obras, uma maneira de olhar o problema do cinema ou de fazer um ensaio. É a idéia de que o vídeo é ensaio em imagem sobre o estado do cinema, do mundo e de qualquer coisa da realidade. Entramos na dimensão da metalinguagem, de uma maneira de pensar uma imagem sobre o problema do cinema ou, no campo da arte contemporânea, uma maneira de pensar uma imagem sobre o estado da arte contemporânea. Muitos artistas utilizam o vídeo como forma de pensar sobre as imagens, sobre o mundo da arte. O vídeo é o lugar do ensaio do pensamento, o lugar de se construir, de elaboração do audiovisual. É uma forma de pensamento. Não é mais uma imagem identitária, mas um estado de pensamento da imagem.
OP - Nos últimos anos, o vídeo e o digital legaram ao cinema mudanças importantes, não só tecnológicas, mas estéticas. Essa hibridação conduziu muitos cineastas a afirmar a morte do cinema ou se perguntar pelo futuro do cinema. Quais são as novas possibilidades proporcionadas por essas imagens pós-cinematográficas?
Philippe Dubois - É uma boa questão. Eu penso que o cinema é a arte do nosso século. Começou oficialmente em 1895, com os irmãos Lumière, e se desenvolveu no século XIX e XX. No nosso século, o dispositivo cinematográfico está perto de se diluir. Em todos os níveis, tecnológico, estético e econômico. No nível tecnológico, a noção de película de 35 milímetros ainda continua, mas já podemos montar virtualmente, com a ajuda de um computador. Há inúmeros efeitos digitais, no cinema norte-americano, em filmes como Matrix. Há toda uma tecnologia que usa a película como suporte de registro e não como suporte técnico principal para a realização do filme. Existe também uma mudança no plano econômico. É importante constatar que a sala escura tradicional de cinema está em crise. O cinema ganha mais dinheiro em DVD, nos filmes que podemos ver em casa, na televisão, no computador. A difusão na internet e na televisão são majoritárias. É uma mutação da instituição da projeção da sala para o mercado da internet, que possibilita mais dinheiro à sociedade de produção de Hollywood, do que a exportação de cópias de películas para salas de cinema de todo o mundo. E, claro, há uma mudança estética, porque o pós-cinema também muda tudo o que diz respeito à imagem. A sala de cinema com uma imagem projetada na tela permite ao espectador uma identificação hipnótica. É uma imagem enorme, gigantesca. O espectador é completamente absorvido pela imagem. Evidentemente, quando vemos uma imagem no computador, ela é pequena, podemos ver individualmente. A relação do espectador com a imagem é completamente diferente. Não há mais hipnose. Há outro fenômeno que se coloca, não mais por meio da fascinação da imagem do cinema, sua beleza, sua qualidade artística. Não quer dizer que, com o computador, não exista qualidade artística, mas o que acontece é de outra ordem. O mecanismo de recepção do filme pelo espectador não é mais o mesmo. Essa é a grande diferença com a chegada da tecnologia digital, que está modificando toda a indústria do cinema.
OP - Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as novas tecnologias podem reforçar tradicionais formas de representação da imagem. Se a tecnologia não é suficiente, o que é crucial na construção da imagem, como uma maneira de pensar e de olhar o mundo?
Philippe Dubois - O mecanismo psicológico e de fabricação do imaginário são diferentes. Antes que as imagens de tecnologia digital se difundissem, não havia uma onipresença da imagem na vida social. Se a gente pega o celular hoje, há uma imagem. Antes, era preciso buscar a imagem, que não aparecia por todos os lados. Era preciso ir ao teatro, ao cinema, ao museu. Agora a cidade inteira tornou-se o lugar da imagem. Isso muda completamente o modo como o espectador percebe a imagem, que já não é mais por meio da contemplação ou do prazer estético, pois ela está sempre lá. A televisão começou a fazer isso. Podemos assistir à televisão, sem deixar de conversar com os amigos, ou almoçar ou fazer outras atividades... Hoje a imagem tecnológica torna-se uma espécie de forma bruta. Ela é onipresente. Não precisa se reportar particularmente à contemplação sagrada, mas ao consumo. Essa onipresença da imagem aponta para seu consumo. É simples presença. Em grandes cidades asiáticas, como Tóquio, Cingapura e Seul, é extraordinário perceber que a cidade toda se tornou imagem. Há telas gigantes por todos os lados. Telas de dez metros estão na cidade! Vemos umas cinqüenta telas, pelos edifícios. É uma explosão audiovisual. Nós vivemos na imagem. Isto muda completamente nosso imaginário acerca das imagens. Por ser de consumo rápido, a imagem não é mais sagrada.
OP - No percurso da tradição, o cinema firmou-se como uma linguagem artística com um vocabulário e um dispositivo específico (a exibição na sala escura). Este modelo ainda perdura nas salas de exibição. Mas há produções contemporâneas que tentam mudar essa exposição tradicional de imagens. O que interessa a essas novas experiências? Que questionamentos elas levantam?
Philippe Dubois - Hoje, cada vez mais, as imagens são convocadas em dispositivos que as recuperam. É a noção de que as imagens são recicladas, reutilizadas e que há uma forma de se reportar à imagem, que é o arquivo. Uma imagem não é mais que um arquivo, que nós reconvocamos para representar. O cinema atual também faz isso: não é mais que uma revisitação de imagens que filmamos antes. É por isso que a edição de DVD de filme é interessante, porque temos a impressão de que vemos tudo outra vez. Na televisão, quando vemos um filme, nós revemos. Todas as verdadeiras imagens são destinadas a ser vistas e revistas. Elas passam, elas voltam. São arquivos que podemos recorrer. Muitos cineastas que hoje fazem cinema pensam desta maneira. Eles fazem filmes e arquivos. Essa idéia da imagem se tornar arquivo é muito forte. Porque a imagem está em todos os lugares e podemos utilizar as imagens que já estão aí. Na arte contemporânea, muitos artistas trabalham com a reciclagem de imagens. Eles pegam filmes como Psicose, de Alfred Hitchcock, e fazem um trabalho de arte contemporânea e colocam no museu. Ou seja, eles se apropriam de imagens da história do cinema; procuram no patrimônio das imagens aquilo que os interessa para realizar seus trabalhos. O mesmo acontece com a música; fazem uma reciclagem ou mixagem das músicas que já foram criadas. Tudo já está aí. Não há mais nada de novo. A tecnologia de hoje é toda de registro. Nós difundimos um filme na tevê, remixamos trilhas sonoras, artistas no museu procuram filmes velhos e manipulam. Há um movimento no cinema contemporâneo que é a recuperação de pedaços de filmes, de imagens que estão aí. É como uma bricolagem. Não são materiais novos, mas novas combinações. É muito característico do nosso século. É a norma da produção artística contemporânea: nós recuperamos materiais e reciclamos. São reprises de fragmentos que já existe. O grande todo se perdeu.
OP - Numa entrevista, o senhor disse que era mais interessado pela forma plástica do cinema, do que pela construção de histórias. No entanto, você vem de uma formação acadêmica literária. O que o motivou a mudar de interesse?
Philippe Dubois - Eu penso que é um problema que atinge a disciplina universitária de estudos cinematográficos. Eu vim de um país que pensa nesse caminho. Nos anos 70, os departamentos de cinema foram criados por pessoas que vieram da literatura, como eu (risos). Então, a teoria do cinema, nos anos 70, era formada por literatos e, logo, a teoria narrativa ficou dominante. Nós estudávamos os personagens, os gêneros, os flashbacks, o tempo. Isso predominou, nos anos 70 e 80. Eu participei disso. Era a minha geração. O que aconteceu depois é que muitas pessoas se deram conta que esse esquema orientava completamente a percepção do filme. O cinema não é só história, mas é também imagem, como a pintura. Durante 15 ou 20 anos, nós negligenciamos essa dimensão visual, sua dimensão plástica. Nos anos 90, originou-se outra teoria do cinema, com pensadores que vem do campo da filosofia e do campo da história e teoria da arte. Analisavam o cinema do ponto de vista filosófico e plástico. É uma nova forma de pensar o cinema. É um movimento que combate o cenário, a história, a trama, que não são próprios do cinema, mas no romance. A força do cinema é a realidade visual e sonora. O que é importante é valorizar o cinema como forma plástica, ao lado da pintura. Agora estou nesta última corrente de pensadores. Tive que lutar contra eu mesmo (risos), porque esse poder narrativo não interessa mais ao cinema.
CURIOSIDADES
A entrevista com Philippe Dubois foi realizada numa sexta-feira, 2 de novembro de 2007, Dia de Finados, às 10 horas, no hall do Hotel Olympo, no Meireles. Ele havia chegado a Fortaleza, na noite do dia anterior, após retornar de uma viagem ao Cariri. Hospedado no hotel por uma semana, Dubois desceu do elevador pontualmente para a entrevista.
Após uma hora e meia de entrevista em francês, Dubois perguntou se o pingue-pongue seria publicado na íntegra. A repórter explicou novamente a proposta das Páginas Azuis, mas tergiversou na hora de dizer o dia da semana em que seria veiculada. Com muito bom humor, ele ensaiou dizer "segunda-feira" em português afrancesado.
Em Fortaleza, Dubois ministrou curso de cinco dias sobre história e linguagem do vídeo, durante a programação de comemoração do primeiro aniversário da Escola de Audiovisual, projeto de extensão da Prefeitura de Fortaleza. Em parceria com o Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC), a semana de atividades com Dubois prosseguiu com debate sobre cinema expandido no projeto Debates Incalculáveis e com palestra no Cineclube da Vila, na Casa Amarela Eusélio Oliveira.
Dubois nasceu numa pequena cidade do interior da Bélgica, perto de LiÕge, numa família de classe média. Seu pai era funcionário de banco e sua mãe, dona-de-casa. Em 1970, ele entrou na Universidade de LiÕge, para cursar filologia românica, que abrange basicamente língua e literatura francesas. Só depois de finalizar o curso, ele começou a pesquisar a estética da imagem.
Philippe Dubois é pesquisador e professor da Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle). Ele é autor de artigos, ensaios e livros publicados sobre fotografia, cinema, vídeo e meios digitais, entre eles, Cinema, vídeo, Godard (Cosac Naify, 2004) e O Ato Fotográfico (Papirus, 1999).
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