Rita Célia Faheina
da Redação
Mãe de um dos milagres de frei Galvão, brasileiro que será canonizado durante a visita do papa Bento XVI ao Brasil, no mês que vem, a jornalista Carolina Chagas fala sobre o livro recém-lançado sobre a vida do religioso
23/04/2007 02:04

Carolina Chagas, jornalista paulistana com dois filhos, tem variados motivos para nutrir expectativa pessoal com a visita do papa Bento XVI ao Brasil, programada para acontecer entre os dias 9 e 13 de maio próximo. Um deles é o fato de confessar uma admiração especial pelo pontífice; outro, a oportunidade que a vinda dele dá à maior divulgação do livro que recém lançou, e chegou na semana passada às livrarias, centrado na história do frei Galvão, religioso brasileiro que será canonizado dentro da programação de Bento XV no País.
Autora, antes, de dois livros vinculados à temática do catolicismo - Nossa Senhora! e O livro das Graças - Carolina agrega um outro motivo importante à sua nova investida literária: seu filho mais novo, de um ano, seria fruto de um dos famosos milagres das pílulas de frei Galvão.
A programação intensa que costuma cercar os períodos em que os livros começam a ser distribuídos está prejudicada, nos últimos dias, pelo período de convalescência que a autora cumpre, após se submeter a uma cirurgia. De sua casa na capital paulista, Carolina falou por telefone ao O POVO na tarde da quinta-feira, dia 19, quando detalhou as circunstâncias da realização do seu novo livro e falou de outros brasileiros na lista seleta de beatificação ou canonização pelo Vaticano, dentre os quais o cearense padre Cícero. Confira os trechos principais da conversa dela com O POVO.
O POVO - A decisão de escrever livro sobre o frei Galvão veio depois do anúncio da canonização dele ou já era um projeto anterior?
Carolina - Esse projeto eu fiz a quatro mãos com a fotógrafa que assina as fotos. O livro conta a história formal do Frei Galvão e, também, há uma parte da história contada por imagem. Quem teve a idéia de oferecer o projeto do frei Galvão foi a fotógrafa Roberta Dabdab, uma fotojornalista. Quando fizeram a capa da revista Veja, ela acompanhou o fotógrafo. Quando anunciaram que iam canonizar o frei a Veja fez uma capa, assim como a Época. Eu achava, sinceramente, que já tinha perdido - pois tinha acabado de lançar Nossa Senhora!, que é de outubro, e conta a história das 40 nossa senhoras mais famosas do Brasil. Eu achei que tinha perdido o bonde, que já deviam ter encomendado o livro, que já estava pronto etc. Então, não tive esse ímpeto de apresentar esse projeto. Foi a Roberta que falou: 'Carol, vamos fazer'.
OP - Na época, então, você não conhecia nada sobre o frei Galvão?
Carolina - Conhecia. Eu tenho dois filhos. No meu primeiro filho,
engravidei muito rápido. Logo depois, decidi que queria ter outro. Aí,
engravidei e perdi. Tive um aborto espontâneo. Eu demorei seis meses para engravidar do meu segundo filho. E eu conhecia o frei Galvão, rezava para ele, já tinha tomado as pílulas. Eu já sabia do que a gente estava falando, mas não tinha acordado para esse fato de que dava para fazer um livro agora. Tinha que ter uma agilidade que eu não esperava.
OP - Quer dizer que você foi uma das que conseguiu uma graça com o frei Galvão?
Carolina - Eu consegui. Para ter meu segundo filho eu tomei as pílulas. Eu acho engraçado os meus livros. Eu tenho três e o que tem nos livros mantém ligação com o que faço, com o que escrevo a respeito. O frei Galvão eu conhecia, sabia quem era, já era devota, já rezava. Já tinha dado as pílulas do frei Galvão para várias pessoas. Tem uma moça da minha família que engravidou de gêmeos.
OP - E ele ajuda exatamente essas pessoas, que não engravidam, que têm problemas de saúde. Não é isso?
Carolina - Depois que fiz o livro, descobri que o frei Galvão é um santo. Santo como qualquer santo. Arruma emprego, resolve os problemas do casamento. As pessoas procuram ele pelas razões que procuram todos os santos.
OP - Noto que a sua linha é a linha religiosa. Por ser uma católica muito fervorosa ou por seguir uma linha, como jornalista ou escritora?
Carolina - Eu não sou uma católica fervorosa no sentido latu sensus da
palavra. Não sou uma católica que vai à igreja, mas sou muito religiosa e sou católica.
OP - Então, por que seguiu essa linha de escrever livros ligados à fé?
Carolina - É tudo meio por acaso. O Livro das Graças é de 2002. Desde que me entendo por gente, faço promessa para São José no dia 19 de março. Na minha família tem uma brincadeira, que é uma promessa para São José que a gente faz. Você pega todos os nomes de frutas que conhece e escreve num papel, igual amigo oculto, amigo secreto. Dobra os nomes das frutas que é capaz de reconhecer, coloca numa cestinha e faz um pedido para São José. Então pode pedir uma casa, emprego, namorado...
OP - A gente pede até chuva aqui no Ceará...
Carolina - Exatamente. São José aí é chuva. Aí você sorteia uma fruta, e aquela que foi escolhida a gente fica um ano inteiro sem comer. E a tua graça acontece naquele ano. É impressionante. São José é um santo impressionante. Desde sempre eu faço isso. Sabendo que eu fazia isso, a editora do Publifolha, que é a Luciana Maia - o Publifolha é ligado à Folha de São Paulo, onde trabalhei -, falou: 'Carol, por que você não faz um livro recolhendo todo esse tipo de promessa que se faz no Brasil para santos?' E foi exatamente o que fiz. São 55 santos. Para arrumar marido, esposa, há Santa Cecília, São Domingos, São João Batista, São Jorge, São Francisco, Santo Expedito, Nossa Senhora Aparecida.
OP - São os santos mais populares do Brasil...
Carolina - Exatamente. E aí conta a historinha desses santos e ensina a fazer pedido para ele. Esse livro foi um sucesso de vendas dentro da
editora, vendeu muito bem. A gente não esperava que ele fosse tão bem
aceito. Em 2004, eu fiz tese de mestrado e o meu orientador era do Publifolha. Então, por acaso, fui lá um dia e conversando com a minha editora, ela disse: "vamos fazer outro?". Eu falei "vamos". Ela perguntou se eu topava fazer um sobre Nossa Senhora. Achei uma boa idéia e a gente fez o Nossa Senhora!. Aí ela perguntou se teria 40 nossa senhoras para encher um livro, porque é um formato do jeito que eles têm lá. Fui fazer a pesquisa e descobri mais de duas mil. Só no Brasil há 300. E a gente, então, selecionou, dentro dessas 300, 40 que foram para o livro, lançado no dia 12 de outubro, o dia de Nossa Senhora. Foi um sucesso. Eu fui na Ana Maria Braga e na Hebe divulgar o livro. No Natal já não tinha mais para comprar.
OP - E segue a linha do Frei Galvão, com novenas, por exemplo?
Carolina - Não. É um livro na linha do O Livro das Graças. O Frei Galvão é um livro diferente, é o primeiro com texto corrido. Um livro inteiro só sobre o frei Galvão. Porque tem uma novena, mas são orações curtas. Não dá nem uma página da novena.
OP - O seu primeiro livro não foi aceito pela Igreja Católica por causa das simpatias. Quanto a essa história, por exemplo, das pílulas de Frei Galvão, teve uma época que o cardeal Aloísio Lorscheider, quando era o arcebispo de Aparecida, até proibiu pela questão do período, você acredita que pode ser um milagre ou assume que é um tipo de simpatia?
Carolina - Eu não acredito. Eu tenho uma relação muito boa com santo. Não questiono. Da mesma forma que não questiono a virgindade de Nossa Senhora - é virgem e pronto. Esse é o jeito de você se aproximar desses santos, de você falar com ele. É? Então é. Eu acredito. Eu fui, um dia, onde elas fazem as pílulas, porque tem um único lugar que são feitas por não-freiras. É lá em Guaratinguetá. São senhoras aposentadas, pessoas voluntárias escolhidas pelo pároco da cidade. São pessoas super-católicas que se reúnem às tardes, de segunda a sexta, na Igreja da Matriz de Guaratinguetá e fazem essas pílulas. Você tem acesso. O pesquisador tem fácil acesso. Você liga, tenta conversar com elas, pode ir lá acompanhar o processo de fabricação das pílulas. Todas elas usam muito as pílulas e têm histórias impressionantes. Do filho que estava desempregado, do filho que tinha problema de droga.
OP - Não é só de doenças?
Carolina - Não. A hora que você começa a ter contato com o frei Galvão, ele é um santo como qualquer outro. Aquela coisa de que você recorre ao santo na aflição. É esse o tipo de santo que ele é.
OP - A canonização de frei Galvão pode abrir um leque para que o Vaticano resolva o processo de outros santos que, aqui no Brasil, esperam a canonização?
Carolina - É um processo muito demorado, muito burocrático canonizar uma pessoa, um santo. O frei Galvão tem três processos. O que acontece é que o João Paulo II acreditava na aproximação da Igreja Católica via canonização e cortou um monte de etapas. A figura do advogado do diabo, que a gente usa essa expressão, vem do processo de canonização, mas, não existe mais. Antes, para você beatificar, precisava de dois milagres comprovados e para canonizar mais dois. Hoje, precisa de um milagre em cada etapa. É um milagre para beatificar e um milagre para canonizar. Foi bem simplificado o processo de canonização no papado do João Paulo II. O João Paulo foi beatificado, mal morreu.
OP - Enquanto aqui no Nordeste, nós temos, por exemplo, o padre Ibiapina uma vida toda esperando essa canonização.
Carolina - Eu acho que o Brasil, hoje, tem o know how de como conduzir esse processo. O que eu entendi dessa pesquisa é que é um processo demorado, tem vários percalços e você precisa de uma pessoa obstinada e um especialista mesmo. E entregar a documentação quando ela é necessária. O Brasil conseguiu canonizar a irmã Paulina que não é nascida no Brasil, mas está sendo considerada a primeira santa brasileira. Pois eu acho que é uma injustiça. A carreira da irmã Paulina é brasileira, assim como a Carmem Miranda é portuguesa. A irmã Paulina é tão santa brasileira quanto a Carmen Miranda, nossa musa maior na música. Uma música que fez sucesso no Brasil e fora do Brasil. É a mesma relação. O processo de canonização da irmã Paulina foi pedido pelo mosteiro que ela morreu em São Paulo. Quem conseguiu a
canonização dessa santa foi São Paulo, foi o Brasil. É uma santa brasileira. Então, o que acho é que abre um precedente e que sim, há espaço para os outros acontecerem. Tomara que sejam canonizados.
OP - O papado de João Paulo II abriu muito a questão da canonização. Já tem agora, com o Bento XVI, três brasileiros com beatificação já marcada, inclusive um nordestino do Rio Grande do Norte.
Carolina - Eu acho justo. O frei Galvão é muito próximo dos paulistas, é um santo que a gente tem muita notícia. Realmente, ele é um santo que ajuda mesmo, aproxima da Igreja Católica, que tem perdido inúmeros fiéis todos os dias para as igrejas protestantes.
OP - Você tem conhecimento da história do padre Cícero Romão Batista?
Carolina - Tenho. Esse é mais controverso. O que eu ouvi aqui é que é uma história difícil de canonizar.
OP - Na verdade, ele foi renegado pela igreja antes de falecer por conta de um milagre. Ele se tornou um milagreiro. E por conta de um milagre de uma hóstia que virou sangue na boca de uma beata, a igreja, na época, não aceitou e afastou ele das funções religiosas. Mas agora está num processo de reabilitação.
Carolina - Eu acho que vai conseguir, ele é tão forte. Ele é uma figura ímpar, todo brasileiro já ouviu falar. Eu sinto, junto aos simpáticos de frei Galvão, que agora tem uma ciumeira, porque todo mundo sempre quis que ele fosse canonizado. Ele finalmente será canonizado. O Mosteiro da Luz, que tinha um movimento intenso em busca das pílulas, triplicou desde que ele virou esse santo famoso. Você vai qualquer dia da semana, qualquer dia do mês, e tem movimento nas instituições ligadas ao frei Galvão. Tem uma ciumeira. É engraçado isso.
OP - Essa linha de escrever livros sobre santos vai ser continuada? É um projeto para o futuro?
Carolina - Agora a gente está com a idéia de fazer. Esse do frei Galvão foi feito com alegria e ficou bonito. Foi um livro gostoso de fazer. Então, a equipe fez agora um projeto de pegar os cinco santos brasileiros mais populares e transformar num livro igual. É muito legal você fazer a história dessas pessoas, que foram iluminadas mesmo. São bons exemplos de bondade, de cristianismo.
OP - E quanto aos santos populares, como a história do padre Cícero, ou de outros...
Carolina - Eu adoraria. Pessoalmente, esse tipo de pesquisa me move mais porque, no fim, tem o lado do jornalismo. Eu gosto de descobrir essas coisas novas.
OP - Mas isso é um projeto que você poderia fazer no futuro, ou ainda não pensou?
Carolina - Ainda não pensei, para ser muito sincera. Porque no fim o mercado é muito ingrato. Não é assim. A gente pode até pensar nos projetos, mas não e tão fácil colocar um livro desses em pé.
OP - Mas você acha que tem crescido essa fatia do mercado?
Carolina - A minha editora percebeu que tem um potencial muito grande.
Agora, eu sei, por exemplo, que evangélico vende muito mais que católico. Muito mais. Católico é um mercadinho perto do evangélico. Quem compra livro no Brasil e evangélico.
OP - Em relação a Bento XVI e sua exortação apostólica mais recente, na qual ele condenou bastante a indissolubilidade do matrimônio e considerou o segundo matrimônio como uma ferida. Foi algo que causou muita polêmica. O que você acha?
Carolina - O meu pai é de formação católica, mineiro. Uma época, eu era mais jovem, ainda com o João Paulo II, um papa pelo qual eu tinha admiração, porque tinha proximidade etc. Mas, às vezes, tinha aquelas coisas de anticoncepcional, aquelas brigas. Eu era jovem e um dia fui discutir com o meu pai sobre isso e ele falou: 'Papa tem que ser conservador. A função de papa é essa. É manter a casa em ordem. As discussões têm que ser abaixo do papa. O papa é ligado a Deus e tem de ser conservador'. Eu, hoje, olho por esse lado. Não vou dizer que o Bento XVI já tenha me cativado. Acho que depois do João Paulo que era um papa, apesar de tudo, que cativou todo mundo, Bento XVI tem um desafio e tanto pela frente. Porque para ganhar popularidade depois do João Paulo II é difícil. E ele é mais reservado, com uma personalidade diferente do João Paulo II. É, por natureza, menos simpático.
OP - Você já teve algum contato com o Bento XVI?
Carolina - Não, não tive. Eu sou super-distante e acho que não vou ter essa oportunidade nessa vinda dele aqui.
OP - De volta ao livro, há poucas publicações relacionadas à vida de Frei Galvão?
Carolina - Os livros que existem não são bonitos. Tem dois livros sobre ele. Um no Mosteiro da Luz, que tem o processo de canonização, de 400 páginas, muito interessante. Agora, é um livro muito pouco atraente para o leitor normal. É um livro para especialista, para gente de igreja. Não é um livro charmoso, um livro que tenha apelo popular.
OP - E não é um livro como o seu, até, de utilidade pública. Ensina como é que as pessoas devem rezar, onde devem procurar as pílulas...
Carolina - Eu acho que a gente tem essa vantagem, nós jornalistas. A gente tem uma linguagem muito próxima.
PERFIL
A jornalista Carolina Chagas tem mestrado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ela teve passagens pelos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo, pela Editora Abril e pelo portal iG. É devota de São José, São Longuinho e Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Publicou "O Livro das Graças", "Nossa Senhora!" e "Frei Galvão".
SAIBA MAIS
FREI GALVÃO
O beato frei Galvão, que será canonizado no dia 11 de maio pelo papa Bento XVI, ficou conhecido pelas "pílulas de frei Galvão", que são distribuídas gratuitamente. Freiras que moram no Mosteiro da Luz, em São Paulo, produzem as pílulas ditas milagrosas, feitas de pequenos pedaços de papel com a inscrição "Depois do parto permanecestes Virgem, Mãe de Deus, intercedei por nós." Elas podem ser adquiridas no local ou pelo Correio. Antônio Galvão de França nasceu em 1739, em Guaratinguetá (SP). Adotou o nome de Frei Antônio de Sant'Anna Galvão em homenagem à Mãe da Santíssima Virgem, Santa Ana, padroeira de sua família. Com 21 anos, recebeu o hábito de São Francisco, no Rio de Janeiro. Poucos anos depois, foi ordenado sacerdote e se mudou para São Paulo. Era chamado "homem da paz e da caridade" porque tornou-se conselheiro e confessor, além de aliviar e curar os doentes e os pobres. Morreu em 1822. Em 1938, começa o processo de beatificação e canonização.
PADRE IBIAPINA
José Antônio Maria Ibiapina nasceu em Sobral em 1806 e morreu em 1883 na cidade de Arara na Paraíba. Iniciou sua vida missionária aos 47 anos depois de decepcionar-se com a profissão de bacharel em direito. Como religioso, visitou regiões do Nordeste, erguendo casas de caridade, igrejas, capelas, cemitérios, cacimbas d'água, açudes e outras obras na Zona Rural dos Estados. Desde 1992, está em curso o processo de canonização do padre Ibiapina, iniciado no tribunal eclesiástico da diocese de Guarabira (PB).
PADRE CÍCERO
Nascido no Crato, padre Cícero é o maior benfeitor de Juazeiro do Norte e a figura mais importante de sua história. Foi ele quem levou para Juazeiro as Ordens dos Salesianos e dos Capuchinhos; construiu capelas e igrejas; incentivou a fundação do primeiro jornal local (O Rebate); dinamizou o artesanato como fonte de renda; estimulou a expansão da agricultura; contribuiu para instalação de escolas e socorreu a população durante as secas e epidemias. A Santa Sé o afastou de suas funções após o milagre da Hóstia. Consta que, ao comungar, a beata Maria de Araujo, sua seguidora, sangrou pela boca várias vezes. O fato não foi aceito pela Igreja Católica. Depois de sua morte em 20 de julho de 1934, aos 90 anos, aumentaram as romarias à cidade de Juazeiro do Norte que atualmente chega a receber dois milhões de romeiros por ano que vão pagar promessas ou pedir graças ao "santo popular do Nordeste". No ano passado, o bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico, entregou ao Vaticano, um estudo sobre a vida de Cícero Romão Batista, e aguarda a sua reabilitação.
MADRE PAULINA
Madre Paulina é considerada a primeira santa brasileira, apesar de ter nascido na Itália. A canonização de Madre Paulina do Coração Agonizante foi oficializada em 2002, pelo Papa João Paulo II. O processo de canonização foi iniciado em 1965 e sua beatificação ocorreu em 1991.
Madre Paulina passou 68 dos 76 anos de sua vida ajudando aos necessitados no Brasil. Ela veio da Itália aos nove anos acompanhada de sua família, fixando residência na então província de Santa Catarina.
O Santuário dedicado a Santa Madre Paulina fica localizado em Nova Trento Vígolo, em Santa Catarina
DOM ALOÍSIO E A PROIBIÇÃO DAS PÍLULAS
Depois da festa de celebração da beatificação de Frei Galvão, em 1998, o cardeal arcebispo de Aparecida, dom Aloísio Lorscheider, proibiu que as irmãs do Mosteiro da Imaculada Conceição continuassem produzindo as "pílulas" - pequenos pedaços de papel enrolados com trechos de orações em latim-. Segundo Dom Aloísio a produção da "pílula" estaria atrapalhando "a vida contemplativa das irmãs".
A decisão foi acatada no mosteiro, mas provocou protestos entre os devotos da região.
Hoje, as pílulas são produzidas na catedral de Santo Antônio, no centro de Guaratinguetá (176 km de SP),e no Mosteiro da Luz, na capital paulista. Todo mês são feitas cerca de 90 mil unidades.