Opinião
EDITORIAL
Eleições: além da tecnologia
Se bem que estejamos na vanguarda, no que diz respeito à tecnologia eleitoral, ainda temos de avançar muito para ter igual destaque no aspecto ético-eleitoral
20 Ago 2008 - 00h59min
Não há como deixar de reconhecer que esse mecanismo responsável pela apresentação dos candidatos através dos meios eletrônicos nem sempre corresponde ao que foi idealizado pelo legislador, mas ainda é o meio mais democrático para produzir uma disputa minimamente democrática. Sem esse recurso, apenas o poder econômico prevaleceria, com prejuízo para a maioria dos disputantes, quase sempre com poucos recursos financeiros. Contudo, o fato de se poder recorrer a sofisticados recursos técnicos para a produção dos programas, a balança continua desigual, favorecendo quem tem mais dinheiro a seu dispor. Ainda bem que, nem sempre, o eleitor se deixa levar pela prestidigitação tecnológica.
Conhecer a vida pregressa do candidato ainda é o melhor critério de orientação. Isso permite saber se a política para ele é um simples meio de vida, ou um serviço motivado pelo interesse público. Os candidatos não devem representar apenas a si mesmo, mas traduzir os anseios coletivos dos representados. Isso esta esquecido em um sistema representativo que perdeu o liame com os mecanismos originários da representação verdadeira. Na idéia original, o candidato é escolhido porque o conjunto dos representados não pode estar lá, no Parlamento (ou na condução do Executivo), para defender pessoalmente aquilo em que acredita ou quer para si. Da forma como o processo está organizado, perde-se de vista que o eleitor é a fonte do poder político e que o mandato lhe pertence, em última instância, ou que, ao menos é mediado pelo partido. Infelizmente, a grande parte dos políticos entende o mandato como jurisdição particular.
Enquanto não tivermos uma reforma política que introduza o financiamento público obrigatório da campanha, as fragilidades do sistema de escolha dos dirigentes políticos continuarão a permitir os vícios registrados em cada eleição. Cabe aos próprios cidadãos organizar comitês de monitoramento da campanha para flagrar e denunciar qualquer ilícito. De qualquer forma, o Brasil já avançou muito no que diz respeito à lisura e transparência do processo. Podemos nos orgulhar, inclusive, de deter a melhor tecnologia de votação e apuração de votos. É motivo de admiração mundial. É preciso também que no campo do procedimento político alcancemos também o mesmo destaque, livrando-nos de tudo o que é espúrio e eticamente comprometedor em uma campanha eleitoral.
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