Opinião
EDITORIAL
Pesadelo inaceitável
Retirar documentos de identidade tornou-se um pesadelo para os que procuram o Instituto de Identificação do Ceará ainda de madrugada
19 Ago 2008 - 00h38min
Uma matéria publicada, ontem, pelo O POVO, revelou as cenas revoltantes que se passam em uma fila formada em frente sede do Instituto de Identificação do Ceará, onde oportunistas vendem senhas para os que não querem se submeter à longa espera. Não é a primeira vez que o assunto é abordado nas páginas do jornal, sendo assunto bastante conhecido das autoridades.
O escândalo começa pelo fato de cidadãos serem obrigados a passar à noite ao relento para obter um documento a que têm direito para o exercício da cidadania. Mais revoltante, além de tudo, é que, apesar do sacrifício feito, de nada adianta a longa espera porque há uma máfia negociando os lugares na fila para quem tem dinheiro para pagar (o que prejudica a maioria, favorecendo alguns privilegiados).
Qual a razão que impede a solução de um problema aparentemente tão simples? Essa é a indagação que fazem os cidadãos. Será que ninguém tem competência para organizar esse tipo de serviço e dar um atendimento digno aos que recorrem a ele?
Em primeiro lugar, no estágio tecnológico em que nos encontramos, é inadmissível esse tipo de ineficiência. Embora se reconheça a necessidade de um controle rigoroso para evitar fraudes, não se admite que não se possa organizar um sistema eficiente, ágil, capaz de oferecer um serviço de qualidade, propiciando ao mesmo tempo conforto e respeito à dignidade dos cidadãos. É preciso descentralizar esse serviço, espalhando unidades nos bairros densamente povoados, informatizando ao máximo os procedimentos e encontrando outras maneiras de facilitar sua operacionalização. Se o poder público não pode responder a um desafio desse nível, como poderá atender a outros mais complexos? É a pergunta que todos se fazem. O que está ocorrendo, na sede do Instituto de Identificação é uma indignidade contra os cidadãos.
De imediato, é preciso reprimir a venda de senhas nas filas, não permitindo que oportunistas realizem esse comércio ilegal, cuja causa, sem dúvida nenhuma, é a ineficiência do próprio poder público. Só o atraso, a burocracia paquidérmica, a omissão produzem tais resultados, como se estivéssemos numa republiqueta caudilhesca.
As iniciativas tomadas para resolver essa questão, ao longo do tempo, têm sido tímidas e não focam o cidadão real e sua realidade concreta. Não pode haver desenvolvimento de uma cidadania efetiva, em condições tão precárias. Só com a auto-estima preservada e a dignidade respeitada os cearenses poderão lançar-se com confiança à tarefa de construção de uma sociedade moderna e democrática, como requer o século XXI.
O escândalo começa pelo fato de cidadãos serem obrigados a passar à noite ao relento para obter um documento a que têm direito para o exercício da cidadania. Mais revoltante, além de tudo, é que, apesar do sacrifício feito, de nada adianta a longa espera porque há uma máfia negociando os lugares na fila para quem tem dinheiro para pagar (o que prejudica a maioria, favorecendo alguns privilegiados).
Qual a razão que impede a solução de um problema aparentemente tão simples? Essa é a indagação que fazem os cidadãos. Será que ninguém tem competência para organizar esse tipo de serviço e dar um atendimento digno aos que recorrem a ele?
Em primeiro lugar, no estágio tecnológico em que nos encontramos, é inadmissível esse tipo de ineficiência. Embora se reconheça a necessidade de um controle rigoroso para evitar fraudes, não se admite que não se possa organizar um sistema eficiente, ágil, capaz de oferecer um serviço de qualidade, propiciando ao mesmo tempo conforto e respeito à dignidade dos cidadãos. É preciso descentralizar esse serviço, espalhando unidades nos bairros densamente povoados, informatizando ao máximo os procedimentos e encontrando outras maneiras de facilitar sua operacionalização. Se o poder público não pode responder a um desafio desse nível, como poderá atender a outros mais complexos? É a pergunta que todos se fazem. O que está ocorrendo, na sede do Instituto de Identificação é uma indignidade contra os cidadãos.
De imediato, é preciso reprimir a venda de senhas nas filas, não permitindo que oportunistas realizem esse comércio ilegal, cuja causa, sem dúvida nenhuma, é a ineficiência do próprio poder público. Só o atraso, a burocracia paquidérmica, a omissão produzem tais resultados, como se estivéssemos numa republiqueta caudilhesca.
As iniciativas tomadas para resolver essa questão, ao longo do tempo, têm sido tímidas e não focam o cidadão real e sua realidade concreta. Não pode haver desenvolvimento de uma cidadania efetiva, em condições tão precárias. Só com a auto-estima preservada e a dignidade respeitada os cearenses poderão lançar-se com confiança à tarefa de construção de uma sociedade moderna e democrática, como requer o século XXI.
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