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Opinião

EDITORIAL

Fortaleza pede calçadas mais desobstruídas

População pede até pouco: ter o direito de circular pelos passeios


18 Ago 2008 - 00h41min

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Bem a tempo, a matéria "População privatiza calçadas" (Editoria Fortaleza, página 8), na edição de ontem, 17, do O POVO, aborda um antigo problema que tem origens diferentes. O pedestre fica sacrificado quando determinados imóveis avançam sobre os passeios, o que pode significar inclusive risco de morte no caso de a irregularidade acontecer em vias movimentadas.

É verdade que, muitas vezes, esse tipo de anomalia depende da origem da rua ou avenida, fazendo com que, com o passar do tempo, sejam mantidas falhas. Quando a rua Domingos Olímpio foi duplicada, em muitos trechos, como no cruzamento com a rua Jaime Benévolo, a calçada simplesmente inexistia na casa do lado sudoeste. No projeto de alargamento, a residência foi desapropriada e a situação corrigida.

É preciso que os órgãos competentes da Prefeitura de Fortaleza, primordialmente a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam), empreendam um grande levantamento para que se apure o que foi denunciado pela matéria e muito mais. De maneira nenhuma, basta punir o proprietário isoladamente. Qualquer solução tem de abranger toda a capital cearense. Passeios estreitíssimos regulares são tolerados quando a cidade é histórica, fazem parte das origens da sede do município.

Fortaleza, apesar de manter relíquias arquitetônicas e urbanísticas esparsas de seu passado, desde a década de 1960, pelo menos, perdeu as características de município histórico. Em anos recentes, foram articuladas blitze para monitorar proprietários de bares e restaurantes que colocam mesas nos passeios, justamente por onde circulam os transeuntes. É uma situação irregular, deve ser combatida. Contudo, em determinados casos, de maneira nenhuma significa o avanço do imóvel com a anexação da calçada, o que é mais grave.

Além disso, uma das fotos-legendas do texto indica a colocação de piso deslizante, indicando que de azulejo, numa calçada. Em dias chuvosos, pessoas poderão escorregar numa situação como essa, podendo quebrar um braço, uma perna ou até morrer, se na queda for atingida parte vulnerável do corpo.

Aproximam-se as eleições nas quais vai ser definido o nome do próximo prefeito da capital cearense. Quem quer que seja o eleito, terá de administrar Fortaleza com visão ampla. Incluindo a uniformização de um modelo de cidade cujos habitantes anseiam por qualidade de vida melhor. Na verdade, a população pede até pouco, abrangendo ter direito de calçada mais acessível a ela. Digna tanto dos habitantes quanto dos visitantes que tanto almejam conhecê-la.

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