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A turma do barulho

Antonio Mourão Cavalcante
16 Ago 2008 - 01h51min

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Amigos que trabalham no interior falam, com insistência, do clima insuportável nas cidades onde trabalham. O período eleitoral tem se transformado numa verdadeira farra. Ninguém suporta o intenso, insistente e insuportável barulho que fazem os candidatos. Invadem as ruas com insuportáveis equipamentos de som. São carros imensos. Caixas de som enormes. E tome barulho...

Será que esses míseros candidatos pensam convencer os eleitores com essa barulheira toda? Há uma verdadeira disputa de quem grita mais alto. Fazem carreatas de som. Passa um candidato com seus trios elétricos. Logo, em seguida, desfilam os adversários. Sinceramente, será que isso ajuda na construção de uma verdadeira democracia? A população sente-se invadida e aviltada.Para quem apelar? As autoridades da Justiça Eleitoral parecem assoberbadas com tanto trabalho.Fechados em seus gabinetes, parecem não ter conhecimento dessa "zorra total"...

Para quem apelar? Seria a legislação extremamente conivente e frouxa? A lei eleitoral permite essa agressão à cidadania? Outro dia, passou um carro destes, na beira da praia, tão estridente, que os alarmes dos automóveis estacionados dispararam todos... Aqui mesmo, em Fortaleza, sobretudo nos bairros periféricos, a coisa se repete com igual intensidade. Esses malditos candidatos sentem-se no direito de agredir as pessoas. Isso é democracia? Para quem apelar?

Não consigo esquecer as sábias e santas palavras de dom Aloísio Lorscheider: quem muito gasta em política, ou já roubou ou vai roubar!

Esses serviços de publicidade, acintosos aos tímpanos e à dignidade dos cidadãos, não podem continuar. A mão firme e forte do Poder Judiciário precisa coibir esses abusos. Além de atentar contra o sossego público, configura-se como uma forma de pressão indevida ao eleitor.

De minha parte, já tomei a decisão: candidato que fizer muito barulho, muita pichação, muita promessa e campanha agressiva, vai para o lixo. Não freqüentará minha urna.

A democracia não aceita esses que querem ganhar na marra. O voto é sagrado. Não pode ser confiado a quem anda gritando tantas lorotas, com tanto barulho...

Antonio Mourão Cavalcante
Médico e antropólogo. Professor Universitário
a_mourao@hotmail.com

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