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EDITORIAL

Tendência de alta

O crescimento do emprego com carteira assinada em junho continuou acelerado e voltou a bater recorde


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19/07/2008 14:13

Os índices de geração de emprego com carteira assinada no mês de junho voltaram a registrar recorde no país de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), tendo sido criadas 309.442 novas ocupações formais. A quantidade representa crescimento de 24,2% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado dos seis primeiros meses de 2008 já são 1.361.388 novas vagas geradas pelo mercado de trabalho formal no Brasil.

Os setores de serviço (438.803), indústria (317.901) e construção civil (197.153) novamente lideraram a geração de novos postos formais de emprego, o que fez o Ministério do Trabalho aumentar para 2 milhões a expectativa de vagas abertas até o final deste ano. Até o mês passado o prognóstico era chegar a 1,8 milhão. O otimismo se baseia no aumento quase generalizado de todos os setores da economia, indicando não haver o risco de possíveis bolhas localizadas de crescimento.

A constatação de que houve esse aumento generalizado é um forte indicador positivo, tendo em vista que nos últimos meses esteve em evidência o debate sobre a volta do processo inflacionário, o que poderia trazer certo receio quanto a contratação de novos profissionais por parte das empresas nos próximos meses. Felizmente isso não se confirmou, mostrando que a economia continua em ritmo acelerado, influenciado pelo consumo aquecido, investimento em alta e indústria operando quase no limite de suas capacidades. Fatores esses responsáveis por sustentar o crescimento do PIB brasileiro no primeiro trimestre em torno de 5,8%.

Outro dado a se destacar com relação ao números do Caged foi a posição alcançada pelo Ceará, que não só reverteu uma tendência de queda nos últimos meses, como registrou aumento de 172%, seguindo a tendência nacional. Com isso, o estado atingiu o melhor índice de primeiro semestre dos últimos anos, gerando 9.563 novas vagas de trabalho. O resultado alcançado pelo Ceará o coloca em segundo lugar na região Nordeste, superando a Bahia, que ficou em terceiro, ao abrir 6.427 postos. Ressalte-se que o número de empregos baianos gerados em junho supera em 0,51% o atingido em maio.

Apesar de todos os setores econômicos terem registrado aumento de emprego no Ceará, um bom indício foi a participação da indústria, principalmente os segmentos calçadista e têxtil-vestuário, tradicionalmente exportadores, que nos últimos meses vinham perdendo mercado em virtude da queda do dólar e conseqüentemente postos de trabalho. O fato levou até mesmo o coordenador de estudos e análises do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, a considerar não só satisfatório, como também surpreendentes os resultados.


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