População precisa ser convencida a manter Fortaleza limpa
19/07/2008 00:12
Chamam muito a atenção as matérias “A educação mandou lembranças” (Editoria Fortaleza, página 5), na edição de quinta-feira, 17, do O POVO; e “Marcas do individualismo?” (Fortaleza, página 5), no O POVO de ontem, 18, da repórter Mariana Toniatti. O tema das duas diz respeito à falta de cidadania que leva uma determinada população da capital cearense, ainda que nem todas as pessoas, a contribuir com a sujeira da cidade. Essa cultura inclui desde aqueles habitantes que levam animais de estimação para passear, sem que recolham os detritos fisiológicos dos bichos, denunciados no dia 17, até os responsáveis pelo aumento dos entulhos de lixo em determinadas ruas, no dia 18.
Mesmo que a limpeza pública em Fortaleza deixe de ser um exemplo mundial, existe um calendário de coleta que vem sendo seguido pela Prefeitura Municipal por viaturas próprias e companhias coletoras terceirizadas. A capital cearense, com relação ao lixo, de maneira nenhuma sofre a crise que atualmente afeta a cidade italiana de Nápoles, onde a os aterros sanitários estão saturados e faltam outros locais para a destinação. Essa crise napolitana contribuiu até para o fim do governo de centro-esquerda do primeiro-ministro Romano Prodi e o retorno ao poder do premier conservador Silvio Berlusconi.
Seria preciso, primordialmente, corrigir décadas de maus hábitos, em uma campanha eficaz de cidadania. Muitas vezes, os efeitos acabam sendo neutralizados. Por volta de 1974, o Governo federal lançou uma campanha contra a sujeira lançando o personagem Sujismundo. Era um garotinho anti-higiênico na aparência, com moscas orbitando sobre a cabeça dele. O problema é que o criador do desenho animado concebeu um personagem que se tornou simpático ao público, numa época de arbítrio político. O menino virou símbolo de contestação e a campanha foi cancelada.
A sujeira em Fortaleza pode entrar na agenda de candidatos a prefeito nas próximas eleições. O ganhador pode até conseguir um aumento na tonelagem da coleta de lixo. Mas, de nada adiantará se deixar de convencer a população que, com muito pouco, pode contribuir para que a cidade fique mais limpa, desde recolhendo o que os animais de estimação depositam nas ruas e até evitando o crescimento dos entulhos nas calçadas.
Quando veio à capital cearense em 1951 o escritor gaúcho Erico Verissimo, ele declarou que considerava Fortaleza a cidade mais limpa do Brasil. Os problemas locais eram então proporcionalmente menores. Pode ser difícil proporcionar à capital um índice de qualidade de vida norueguês. Contudo, nem toda tentativa será inútil.