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Ombudsman

Entrevista

Paulo Verlaine fala um pouco da função de Ombudsman


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07/01/2008 11:55

Em veículos de comunicação impressa, a função de ombudsman ainda é incomum no Brasil. De que forma o senhor encara a nova função?
Pelo menos aqui no O POVO, não se pode dizer que isso é uma coisa nova. O POVO já tem uma tradição de 15 anos. A redação já tem uma relação com o ombudsman solidificada. Acredito que apenas nos primeiros anos houve uma certa resistência e surpresa.

Por parte dos jornalistas?
Sim. Eu sentia que muita gente ficava incomodada com isso aí. A reação era de surpresa. Mas hoje, 15 anos depois, parece ser uma coisa mais natural. Na verdade, o problema é que ninguém gosta de ser criticado. É difícil tanto para a pessoa que recebe a crítica quanto para quem a faz. Muitas vezes, as pessoas que recebem a crítica não aceitam isso com tanta naturalidade. Mas penso que a redação já se habituou com a figura do ombudsman. Para a redação não parece ter sido surpresa, mas para mim foi. Achei um desafio muito grande e por um momento pensei em relutar. Tenho 37 anos de jornal, já faço parte da mobília (risos).

O senhor é conhecido por seu espírito tranqüilo e calmo. Já se sente preparado para possíveis embates com a Redação?
Quanto a isso eu estou preparado sim. E vou trabalhar. Durante minha atuação como ombudsman, não vou mudar minha personalidade. Se eu tiver que fazer uma crítica, espero que todos entendam. Minhas críticas vão visar o aperfeiçoamento do jornal.

Como novo ombudsman, o que o senhor espera dos leitores e dos jornalistas do O POVO?
Dos leitores, espero que eles continuem a questionar o jornal sempre. Isso é bom não só para o ombudsman como para todos os jornalistas. Para que o jornal possa cada dia se aperfeiçoar e oferecer algo que satisfaça o leitor. Que a qualidade das notícias veiculadas se mantenha e se aperfeiçoe.

De 15 anos atrás até os dias de hoje, o senhor acha que a função de ombudsman vem contribuindo para melhorar a qualidade do que é produzido pelo O POVO?Claro que sim. Já existe uma longa trajetória na função do ombudsman. Isso é bom.

Ser ombudsman, entre outras coisas, também é observar a imprensa com os olhos do público. O senhor acha que, ao cumprir o seu mandato, seu fazer jornalístico diário pode ganhar um novo olhar?
Obviamente vai mudar. A minha experiência até agora tem sido de profissional do batente. Passar um tempo atuando como ombudsman vai me possibilitar um outro olhar, e muito positivo. Penso que enxergarei o jornal de uma maneira diferente. Isso é muito positivo e acho que todos que já passaram pelo cargo devem ter tido essa experiência.

Discutir com jornalistas e leitores acertos e falhas de quem tem a missão de informar pode ser uma atividade tensa. De quais desses lados (jornalistas/leitores) o senhor acha que essas discussões podem se tornar mais difíceis?
A maior parte dos leitores quer mesmo é um produto melhor. Só que nem sempre o leitor tem razão. Mas, na maioria das vezes, o leitor percebe falhas no jornal e cobra melhoras. Isso é bom. Já com relação aos jornalistas, muitos de nós não gostamos de receber críticas. Somos submetidos a pressões de toda ordem, inclusive em relação ao tempo, horários de fechamento... As críticas muitas vezes incomodam. Só que vejo isso com naturalidade. O pessoal (jornalistas) deve entender também que o papel do ombudsman é esse. O que vou fazer em nenhum momento será perseguição. A crítica é feita no sentido de o jornal melhorar e meu direcionamento vai ser esse. Não serão críticas distorcidas. Vou apontar erros, falhas, impropriedades, enfoques distorcidos. Isso se eles aparecerem. Quero ver o jornal melhorar. Sempre. E quando um dia por acaso eu sair dessa função, também estarei aberto a críticas. Podem puxar a orelha do ombudsman (risos).

O senhor começou sua trajetória no O POVO em 1970. Cinco anos depois, instalou-se na redação do O POVO. Daquele tempo pra cá, que mudanças o senhor tem visto no jornalismo impresso cearense em geral?
Mudanças aconteceram muitas, principalmente nas últimas décadas. No início dos anos 90, quando entrou a informatização nas redações, foi uma verdadeira revolução no fazer jornalístico. E antes a gente fazia. Era "uma luta", mas a gente fazia. Hoje as coisas estão facilitadas pela Internet e pelo computador. Houve avanços e salto de qualidade mas também se verificaram algumas imperfeições e problemas característicos. Por incrível que pareça, os erros aumentaram. Jamais deveriam ter eliminado, por exemplo, a função do revisor. Defendo que tenha revisores de páginas. Não necessariamente apenas de texto. Uma pessoa de cabeça fria ajuda a perceber mais o que fazemos de errado. A gente que está produzindo normalmente está de cabeça mais quente. Às vezes o erro está na frente da gente e a gente não vê. É próprio da nossa atividade, que muitas vezes é tão desgastante e tensa.


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