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Iyad Alawi: um xiita com um programa ambicioso e vários inimigos


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14/12/2005 17:04

Primeiro chefe de governo iraquiano após a queda de Saddam Hussein, o xiita Iyad Alawi está no jogo político como alternativa leiga aos rivais religiosos e, se for eleito, promete trabalhar com todas as comunidades para colocar em prática seu ambicioso programa eleitoral.

"Se nosso bloco vencer, haverá um governo forte, capaz de aprovar decisões e aplicá-las", afirmou Alawi na véspera das eleições legislativas. Para atrair os eleitores anti-religiosos, ele se aliou aos sunitas liberais e comunistas. Nas eleições legislativas de janeiro passado, seu bloco ficou em terceiro lugar, com 40 dos 275 deputados.

Considerado pró-americano, esse xiita laico de 60 anos foi nomeado primeiro-ministro interino com a ajuda de Washington. Chamado de "pequeno Saddam" por sua rigidez na hora de tratar os problemas na área de segurança, é considerado "traidor" pelos sunitas radicais, que o criticam por ter ordenado a ofensiva contra o reduto rebelde de Fallujah em novembro de 2004.

Abu Musab al-Zarqawi, inimigo número um dos Estados Unidos no Iraque, convocou o assassinato de Alawi um ano após seu retorno do exílio após a queda do regime de Saddam Hussein, em abril de 2003.

Alawi já viveu situações semelhantes. Em 1979, agentes de Saddam Hussein entraram em sua casa, na cidade de Londres, de onde ele trabalhava para derrubar o regime, atacaram-no e o abandonaram, dando-o como morto.

Nascido em uma família que inclui autoridades da monarquia derrubada em 1958, Alawi pertenceu ao partido Baath de 1961 a 1971, e acompanhou Saddam Hussein em sua ascensão política, antes de enfrentá-lo e fugir para o Líbano, de onde viajou para a Grã-Bretanha.

Em março de 1991, fundou o Movimento da Aliança Nacional com ex-baathistas e oficiais residentes na Jordânia e Arábia Saudita, com a intenção de derrubar o regime de Saddam Hussein.

Com o apoio de Washington, Alawi planejou um complô fracassado em 1996. Seu grupo, infiltrado no Iraque, foi desmantelado, e vários membros foram executados. Sua família sofreu duras represálias.

Casado e pai de família, Alawi recebeu com entusiasmo a invasão americana de março de 2003, e se tornou um sócio americano, integrando o conselho de governo, antes de se tornar primeiro-ministro. Desde então, dedica-se a reconstruir as Forças Armadas, após ter criticado a extensa "limpeza" que afastou da vida política e do governo os membros do Baath.

"Deve-se julgar os acusados, mas não castigar os que simplesmente aderiram ao partido Baath para comer", estimou Alawi. Agora, apos sua rápida passagem pela cúpula do governo, ele confia nas urnas para encontrar seu lugar no novo cenário político iraquiano.

AFP


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