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Mares do Sertão

Bióloga faz alerta sobre presença de microalga


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29/08/2007 22:47

A poluição liberada pelas cidades à montante do Banabuiú pode deixar a água sem qualidade para consumo humano em 20 anos (Foto: Fco Fontenele)
A poluição liberada pelas cidades à montante do Banabuiú pode deixar a água sem qualidade para consumo humano em 20 anos (Foto: Fco Fontenele)

A população ribeirinha do açude Banabuiú que consome água sem passar por tratamento do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade de Banabuiú corre sério risco de saúde, com problemas que podem ir até a tumor de fígado e distúrbios neurológicos. O alerta é da bióloga e mestre em engenharia de pesca Sarah de Paiva Sales. Entre março de 2005 e fevereiro de 2006, a pesquisadora realizou análises química, física e biológica da água e encontrou cianobactérias (microalga) do gênero oscillatoria em níveis bem acima do tolerável.

O estudo serviu de tese de mestrado, apresentada em abril na Universidade Federal do Ceará (UFC). Segundo Sarah, o açude apresenta cerca de 300 mil células da cianobactéria por mililitro de água, quando o Ministério da Saúde recomenda o máximo de 20 mil. "A cianotoxina liberada pela microalga é extremamente perigosa", avisa a bióloga. A presença da cianobactéria é conseqüência da poluição despejada pelas nove cidades à montante do açude. "Nenhuma possui saneamento básico. O esgoto é jogado direto nos rios", confirma o vereador Daniel Lima, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Banabuiú.

Preocupado com a situação, o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Banabuiú, Veridiano Sales, cobra apoio do Governo do Estado para formação de consórcio entre as nove cidades para implantação de saneamento básico. "As cidades são muito pobres. Se nada for feito, a água do açude ficará inviável para consumo humano em 20 anos", estipula.

Para assegurar que a água tratada não contém a cianotoxina, o Saae de Banabuiú enviou amostras no início de agosto para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), em Fortaleza, mas a análise ainda não tinha sido concluída até o fechamento do caderno. "De forma emergencial, acredito que a Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) deveria assumir o tratamento da água do Banabuiú, pois não considero o Saae capacitado para isso", avalia Sarah Sales.

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