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Estado crítico em 2025

Luiz Henrique Campos - textos
Demitri Túlio - foto

Estudo da Agência Nacional das Águas aponta perspectivas de graves problemas hídricos para o Ceará dentro de duas décadas


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29/08/2007 22:47


O Ceará pode enfrentar em menos de 20 anos um quadro de escassez hídrica atingindo cerca de 81% de seu território. Os dados são do estudo Atlas Nordeste, concluído em 2005 pela Agência Nacional das Águas (ANA) com base em documentos dos órgãos responsáveis pela política de recursos hídricos do Estado. O levantamento envolveu aspectos como estimativa de demandas, análise de recursos hídricos superficiais e subterrâneos, avaliação de sistemas de produção de água e arranjo institucional.

Os principais motivos que poderiam levar ao problema no Estado seriam o regime de chuvas irregular e a questão da qualidade da água que pode vir a se tornar imprópria ao consumo devido a diversos fatores poluentes. O Atlas compreendeu os nove estados da Região e as bacias dos rios São Francisco, Pardo, Mucuri e Jequitinhonha, situadas em Minas Gerais. A intenção inicial seria contemplar as sedes municipais com população urbana superior a 5 mil habitantes, mas os resultados acabaram englobando também as localizadas na área de influência de sistemas de abastecimento integrados com população inferior ao limite inicialmente estabelecido. Ao todo, o levantamento envolveu 1.300 sedes municipais, sendo que no Ceará o número atingiu 139 cidades.

No Ceará, o trabalhou apontou como em situação crítica as sedes municipais que apresentam balanço hídrico negativo ou com capacidade do sistema de abastecimento insuficiente para atender à demanda estimada para os horizontes de planejamento - 2015 e 2025. Em relação a 2025, por exemplo, 19% das cidades do Ceará foram prognosticadas com abastecimento satisfatório e 81% se mostraram em situação crítica.

Para definir como maior risco de escassez hídrica, o Atlas se baseou em variáveis como precipitação média anual inferior a 700 mm; índice de aridez inferior a 0,35 (valor central da faixa de classificação da região semi-árida, ou seja, a metade do ideal); e a ausência de rios perenes com elevado porte ou com grande capilaridade, que também significariam fator de segurança hídrica. O Ceará possui 184 municípios, dos quais 139 com mais de 5.000 habitantes na área urbana.

Com exceção do trecho ao longo da costa e das chapadas e pequenas serras, o clima em aproximadamente 95% do território do Estado é semi-árido, com médias pluviométricas inferiores a 750mm e irregularidade nas precipitações, o que ocasionam secas periódicas. O estudo identificou, porém, que embora apresente grande parte do seu território localizado no semi-árido, o Estado dispõe de excelentes áreas para o cultivo de produtos agrícolas pelo sistema de irrigação.

Isso se deve ao grande número de reservatórios de regularização com capacidade de armazenamento maior que 100.000 m³, localizados nas bacias do Alto e Médio Jaguaribe e na Bacia do Banabuiú. Além desses, existem 18 reservatórios com capacidade de armazenamento maior que 10.000 m³ distribuídos nas principais bacias do Estado. Há ainda 92 açudes com volume hídrico de acumulação maior que 1.000 m³.

Esses açudes e lagos artificiais são atualmente os grandes responsáveis pelas ofertas hídricas superficiais no Estado, atendendo às demandas industriais, de irrigação e humana urbana. Como a população rural encontra-se dispersa no espaço territorial, o atendimento da demanda rural é realizado por poços ou por açudes com capacidade menor do que 1.000 m³.

Como propostas de solução para os déficits de abastecimento, o estudo aponta a necessidade de manter em níveis satisfatórios o aproveitamento de mananciais existentes, bem como dar continuidade a obras já em andamento e a projetos previstos. Outras medidas seriam a ampliação do sistema existente, integrando os sistemas produtores e a implantação de novas adutoras onde se fizer necessário. Com base em dados de maio de 2005, as sugestões apresentadas no Atlas, entre projetos, obras civis e equipamento estariam orçadas em R$ 436 milhões.


BACIA HIDROGRÁFICA

QUALIDADE DA ÁGUA NOS PÓLOS ECONÔMICOS


- Pólo Ceará Costa do Sol (Acaraú, Amontada, Barroquinha, Cajueiro da Prata, Camocim, Caucaia, Chaval, Cruz, Fortaleza, Granja, Ilha Grande, Itapipoca, Itarema, Jijoca de Jericoacoara, Luís Correia, Paracuru, Paraipaba, Parnaíba, São Gonçalo do Amarante, Trairi, Viçosa do Ceará Coreaú, Acaraú, Litoral, Curu e Metropolitana) - Poluição dos corpos d'água devido diretamente à ação do turismo e às atividades de apoio ao turismo

- Complexo Industrial e Portuário do Pecém, São Gonçalo do Amarante, Curu e Metropolitana - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos e metais.

- Distrito Industrial de Maracanaú e Horizonte - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos e metais

- Pólo de Desenvolvimento Integrado Fruticultura e Irrigação (Baixo Jaguaribe Aracati, Fortim, Ibicuitinga, Icapuí, Itaiçaba, Jaguaratema, Jaguaribara, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Palhano, Quixeré, Russas, São João do Jaguaribe e Tabuleiro do Norte, Médio Jaguaribe, Baixo Jaguaribe, Banabuiú) - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos, assoreamento dos corpos d'agua por utilização predatória das margens

- Pólo de Desenvolvimento Integrado de Fruticultura no Cariri (Abaiara, Barbalha, Brejo Santo, Crato, Jardim, Juazeiro do Norte, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Porteiras e Santana do Cariri, Alto Jaguaribe e Salgado) - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos, assoreamento dos corpos d'agua por utilização predatória das margens.

- Pólo de Irrigação Baixo Acaraú (Marco, Martinópole, Morrinhos, Senador Sá e Uruoca, Coreaú, Acaraú e Litoral) - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos -Assoreamento dos corpos d'agua por utilização predatória das margens

- Pólo de Desenvolvimento Integrado de Floricultura (Aratuba, Baturité, Crato, Guaraciaba do Norte, Guaramiranga, Ibiapina, Mulungu, Pacoti, Palmácia, Redenção, São Benedito, Tianguá, Viçosa do Ceará, Salgado, Coreaú, Longá, Poti e Curu) - Assoreamento dos corpos d'água por utilização predatória das margens

- Pólo de Desenvolvimento Integrado - Coureiro/Calçadista (Juazeiro do Norte, Sobral, Salgado e Litoral) - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos

- Pólo de Desenvolvimento Integrado - Confecções do Acarape - Poluição dos corpos d'água por produtos químicos.


Fonte: Atlas Nordeste (Agência Nacional de Águas)

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