Noemi Elisa Aderaldo
06/09/2008 00:33

Embora o destino não tivesse permitido, Demócrito mais que merecia o agradecimento pelo magnânimo gesto frente à Academia Cearense de Letras - gesto que redundou numa irmanal aliança - bem como o abraço solidário pela cosmovisão cultural de quem sempre espelhava ondas sucessivas de sonhos muitas vezes fundidos, no longe dos horizontes, a mares e céus que tanto transmutava - talvez pelo ritmo com que os perseguia - em povos, perfis, guerras e pazes, confundindo-nos, por segundos, antes da nossa desconstrução analítica habitual do seu abrangente e integralizante discurso.
Assim, unia-se a todos, não só pela informação que inovadoramente fornecia, mas sobretudo pelo compartilhamento reflexivo e elevação de espírito, persuadindo-nos de que se sabia uno e diverso ao mesmo tempo, e de que se sabia - como dissera tantas vezes a seus filhos - completando-se no outro.
Demócrito falava como se todos nós proviéssemos de um único núcleo do qual a espiral humana nascia, e isso o diferenciava imensamente dos esquecidos de si mesmos e de sua origem, extasiados, infantilmente, com o vôo fútil, fátuo e fugaz da existência.
A ansiosa curiosidade pelos fatos, portanto, necessariamente propiciava-lhe discorrer sobre os atos humanizantes que poderiam ir depurando aqueles
mesmos fatos.
É por essa sensibilidade que por graça herdada, cultuada pela amorosa sagração à nossa Wânia, a dona Lúcia, a Luciana Dummar, a André Azevedo, a Georgiana, a Dummar Neto, a Demócrito Filho, ao meu amigo Dummar filho, a Albaniza Pontes, a Lúcia Helena Antero, a Carmen Lúcia Azulai, a Lúcia Maria Asly, a nós também seus irmãos em alma, no sentido metafísico por meio do qual a todos considerava, que cremos no caminho de luz de sua real permanência e de sua
perene paz.