Hélder Pinto de Vasconcelos
06/09/2008 00:33
Certo dia, há muitos e muitos anos, numa região erma e desértica, um casal caminhava exaustivamente por um arenoso e inóspito caminho. Tal casal era composto, naturalmente, por um homem e uma mulher, ainda jovens, sendo que ela montava um resistente jegue e conduzia nos braços uma pequena criança, com poucos meses de vida. Enquanto ele caminhava a pé, ao lado, segurando o cabresto do asinino e levando nas costas uma mochila.
Ambos estavam por demais preocupados, pois haviam caminhado durante todo o dia, estavam bastante cansados e famintos. E o pior que já estava quase anoitecendo e não encontravam nenhum lugarejo ou uma casa de alguém onde pudessem se arranchar. E a preocupação maior era com relação ao estado físico do seu precioso rebento.
Nestas condições, prosseguiam em sua lenta e obstinada caminhada, quando foram, surpreedentemente, detidos por uma quadrilha de assaltantes, mal-encarados e agressivos, e levado à presença de seu chefe, acampado nas proximidades, a fim de saber qual o procedimento em reação a eles.
Logo após chegar lá, surgiu o aludido chefe. Tratava-se de um jovem rapaz, de feições simpáticas, mas demonstrando acentuada capacidade de liderança e autoridade.
Então, ele, depois de encarar o humilde casal, ficou comovido quando constatou a existência do pequeno bebê. Em seguida, disse a seus comparsas: não quero que lhes façam nenhum mal. Ato contínuo, mandou levá-los a uma das tendas, onde lhes deu abrigo, alimentação, inclusive leite para o bebê, e agasalho, por causa do frio.
Ao amanhecer o dia, o assaltante líder dirigiu-se ao casal e ao ver novamente o pimpolho, ao qual se afeiçoara à primeira vista, pediu para pegá-lo, no que foi consentido. Assim, pegou o pequeno infante nos braços e caminhou com ele pelo acampamento. Ao trazê-lo de volta a seus pais, beijou-lhe a testa antes de entregá-lo a eles, dizendo: vocês podem prosseguir em sua viagem. Inclusive, já mandei colocar água e mantimentos necessários para que vocês possam chegar a seu destino.
Na hora da partida do casal, com o bebê que tanto lhe encantara, o chefe do bando perguntou-lhe:
- Qual o nome de vocês?
- O meu nome é José e o de minha esposa é Maria. E o seu?
- O meu é Dimas.
- Que o Senhor te dê a salvação na hora da morte, pois tu a mereces, proferiu a jovem senhora.
E o modesto casal, com seu filho encantador, prosseguiu em sua longa e extenuante viagem rumo ao Egito.