Bartolomeu Augusto
28/06/2008 00:24

Maracanaú, que te fiz eu
para assistir teu apogeu
oculto em teus corredores?
Depois de levar-te aos mundos
vejo eu que são profundos
ainda os teus rancores!
Sois minha mãe e minha amante
em quem esculpi meu semblante
para a festa do futuro.
Mas da namorada em festa
te fizeste esposa funesta
por ter eu o sangue impuro.
Mas, quem mais do que eu te enobrece
- quando tu de mim se esquece
em prol dos que te abutinam?
Meus versos nasceram em ti
e nesse momento é que pressenti
a que os poetas se destinam.
E hoje o amor que por ti tenho
- amor que dá mais fácil engenho -
é o amor de quem é incompreendido.
E quando olho para minhas filhas
percebo nelas as maravilhas
do teu futuro, para mim perdido.
Mas não lamento o destino imposto
a mim, de agosto até agosto:
um mundo de lágrimas povoado!
Não lamento se para isso sou
o reflexo de tudo que passou
- fruto malsão de um infeliz passado.
Mas tu, que te mataste a criança
e roubaste de teu povo a esperança
ao escrever tua história a sangue;
assim como eu por ti padeço
tu pagarás, também, um alto preço
por não teres nascido entre serra e mangue.