A ex-seqüestrada pelas Farc reencontrou os filhos e iniciou uma campanha pela libertação das outras pessoas mantidas cativas pela guerrilha. Pediu que os presidentes Hugo Chávez e Rafael Correa restabeleçam a confiança em Álvaro Uribe. Ela viaja hoje a Paris
04/07/2008 00:25

Ingrid Betancourt abraçou emocionada seus filhos Melanie e Lorenzo, que chegaram a Bogotá provenientes de Paris e a quem não via há mais de seis anos. Imediatamente, deu início a uma campanha pela libertação das outras pessoas mantidas cativas em poder da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A ex-candidata à presidência colombiana não conseguiu conter as lágrimas no reencontro. Também abraçou seu ex-marido, Fabrice Deloye, e o ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner. Posteriormente, subiu no avião que chegou de Paris, onde permaneceram por 10 minutos numa reunião mais íntima, antes de descer para se reunir com a imprensa.
"Estou muito orgulhosa deles, que lutaram sozinhos e travaram uma batalha belíssima por minha liberdade", afirmou Ingrid, recordando que a vez anterior que os viu eles eram apenas crianças. "Agradeço a Deus por este momento; são meus filhinhos, são meu orgulho, minha razão de viver, minha luz, minha lua, minhas estrelas, por isso continuei com vontade de sair da selva, para poder voltar a vê-los", indicou Ingrid.
Melanie e Lorenzo, que começaram a acenar para a mãe da janela do avião, disseram que estão vivendo o melhor momento de sua vida. "Sempre tememos um resgate militar, pelos riscos; mas agora, que vivemos esta felicidade, queremos desfrutar dela e vamos continuar lutando pela liberdade dos outros reféns", assinalou Melanie.
Lorenzo declarou estar sentindo uma "felicidade muito grande". Mas concordou com sua irmã: "Ganhamos um combate pela liberdade, mas ainda restam muitos reféns na selva e, por isso, não vamos parar, porque a liberdade é muito importante", concluiu. Ingrid também insistiu para que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, restabeleçam "a confiança no presidente (colombiano Alvaro) Uribe" e que junto a outros governantes da América Latina, "ajudem na libertação dos seqüestrados e não fortaleçam a guerra na Colômbia".
No avião Airbus A319, que levará hoje Ingrid de volta a Paris, viajava uma delegação de 30 pessoas, entre eles a irmã da ex-refém, Astrid Betancourt, seu filho e vários diplomatas e médicos. O chanceler Kouchner agradeceu a Uribe e ao povo colombiano por sua "luta pela libertação" dos reféns em poder das Farc. Disse que a França continuará apoiando os esforços pelos 24 reféns que permanecem em poder dos rebeldes. "É um milagre, um momento mágico, vê-la rodeada por sua família. Isso não nos impide de pensar que outros ainda estão seqüestrados", ressaltou.
A ex-refém passou a primeira noite na casa de sua mãe em Bogotá, relatando detalhes de seu seqüestro. "Começamos uma longa conversa em que nos narrou os detalhes de seu triste cativeiro. Ela quis tomar um café da manhã com laranjas, tinha esse desejo", ressaltou seu ex-marido Juan Carlos Lecompte.
Uma marcha pela libertação de todos os reféns na Colômbia, que será encabeçada por Ingrid, foi convocada pelos meios de comunicação colombianos para o próximo dia 20, data da independência colombiana. "Estarei lá como um soldado a mais", declarou a ex-refém à Rádio Caracol de Bogotá.
Ela disse à rede de TV pública France 2 que "não sabe" o que fará no futuro. "Tinha me programado para mais quatro anos na selva. Essa liberdade chegou de repente. Ainda estou anestesiada pelo choque", confessou. "O ideal para mim seria ter o dom da onipresença e estar ao mesmo tempo na Colômbia e na França", antes de ressaltar que tomará suas decisões em função das necessidades de seus filhos e parentes. Ainda ontem, ela visitou em companhia da família o túmulo de seu pai, que faleceu em março de 2003, quando ela estava há um mês no cativeiro. (das agências de notícias)
BASTIDORES
Novo libertado
Um professor norueguês-colombiano que havia sido seqüestrado com outras cinco pessoas no noroeste da Colômbia em janeiro foi liberado, conforme o ministério das Relações Exteriores da Noruega, poucas horas depois do anúncio da libertação de Ingrid Betancourt
Anjo da guarda
O cabo do Exército colombiano William Pérez, um soldado profissional com conhecimentos básicos de enfermaria, também refém, tornou-se o anjo da guarda de seus companheiros de cativeiro e, conforme admitiu Betancourt, salvou sua vida
DNA da operação
Os EUA estavam sabendo que Bogotá preparava uma operação de resgate dos reféns da guerrilha das Farc, e deram a entender que forneceram um apoio técnico à Colômbia, país com o qual mantêm uma cooperação militar. O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, diz, porém, que a operação foi "100% colombiana"
Jogo democrático
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) declarou que a operação foi um evento "extremamente importante para a humanidade". Ele pediu às Farc que libertem os outros reféns que ainda estão sob seu poder e participem do jogo democrático. O Senado aprovou requerimento de Eduardo Suplicy convidando Ingrid Betancourt para uma sessão na Casa
Americanos bemOs três reféns americanos resgatados, após mais de cinco anos em cativeiro, estão bem, segundo o Exército dos EUA. "Estão com o moral elevado e continuarão a ser submetidos a exames médicos"
LEITURAS
Le Monde (França)
"A liberação de Betancourt confirma o declínio das Farc"
Financial Times (Reino Unido)
"Uribe terá apoio para buscar novo mandato, mas deveria escolher um sucessor. Isso seria a melhor maneira de demonstrar a maturidade política da Colômbia"
NY Times (EUA)
"Os Estados Unidos estavam envolvidos no planejamento da operação"
El País (Espanha)
"O presidente colombiano, Álvaro Uribe, obteve ontem o maior êxito de sua carreira política, que lhe abre o caminho, a um terceiro mandato"
El Tiempo (Colômbia)
"É a oportunidade de ouro para Uribe encerrar o confronto com a Suprema Corte de Justiça, que sem dúvida alguma entenderá o momento histórico que a Colômbia vive"
La Nación (Argentina)
"Cristina Kirchner se deixou levar sempre mais pelas percepções de Hugo Chávez sobre o drama da Colômbia do que pelas informações que Uribe lhe dava"
El Mercurio (Chile)
"A libertação dos reféns é a pior derrota que a guerrilha colombiana já sofreu em seus 44 anos de existência"
Felicitação
O presidente venezuelano Hugo Chávez (foto) felicitou seu colega colombiano Alvaro Uribe pelo resgate de 15 reféns da guerrilha, entre eles Ingrid Betancourt, e se colocou a sua disposição para ajudar na libertação de todos os seqüestrados e obter a paz no país vizinho
Nobel da Paz
Representantes de vários partidos italianos, tanto da oposição de esquerda como da direita, propuseram ontem a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Ingrid Betancourt
Ingrid no Vaticano
O papa Bento XVI receberá na próxima semana Ingrid Betancourt. "Acabo de passar uma notícia muito comovedora para todos nós, que o santo padre nos receberá na próxima semana", disse durante entrevista, após receber de sua irmã Astrid bilhete com o convite do Vaticano
Equador rompido
O Equador anunciou que não retomará as relações diplomáticas com a Colômbia apesar do pedido feito por Ingrid Betancourt
CONTEÚDO EXTRA
O resgate, minuto a minuto
Caso envolveu amor do passado e ações secretas
Agência lidada às Farc defende negociação
União Européia prevê 3º mandato de Uribe
www.opovo.com.br/conteudoextra
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"JUIZ PERCY MATADOR VAI PARA SEMI-ABERTO" são de causar indignação e de dar vontade de vomitar, essas leis brasileiras. Quando um crime, que nos Estados Unidos, daria prisão perpétua, fora os agravantes, no Brasil, a vida vale 2 anos e seis mese em prisão especial. Viva o código penal brasileiro; Viva a OABosta!!!!!! . Dane-se as pessoas de bem desse país.
Antonio