O cativeiro revelou uma outra Ingrid Betancourt. Corajosa e carismática quando em liberdade, foi acorrentada no cativeiro, quase acabando psicologicamente com ela
03/07/2008 01:19

Ingrid Betancourt é considerada uma política ousada e polêmica. Um recente vídeo com imagens de Ingrid comoveu o mundo. Na gravação, apareceu cabisbaixa, aparentemente esgotada e extremamente magra. Suas múltiplas tentativas de fuga, as longas marchas na selva, as noites que passou acorrentada e os constantes conflitos com seus captores pareciam ter acabado psicologicamente com essa mulher corajosa e carismática, embora não fosse bem esta imagem que ela passou ontem ao ser apresentada após o resgate.
"Eles (os guerrilheiros) me tiraram tudo. Tento ficar silenciosa, falo o mínimo possível para evitar os problemas. Não tenho vontade de nada", escreveu Ingrid, na última carta enviada a sua mãe. As circunstâncias do seqüestro mostraram muito de sua personalidade. Ela chegou a ser advertida pelas autoridades sobre os riscos que corria em meio à ofensiva para retomar a área de distensão. Mas disse que havia se comprometido a visitar os moradores de San Vicente del Caguán, sede das conversações.
Em um vídeo divulgado pelas Farc em julho de 2002 como prova da sobrevivência de Ingrid, ela deu mostras de seu caráter, destacando sua divergência com relação à lei de troca proposta pelos rebeldes, desperdiçando a chance que teve de reivindicar sua liberdade.
Essa posição foi reforçada em outro vídeo divulgado no dia 31 de agosto de 2003 em que expressou concordância com um resgate militar, desde que a decisão fosse tomada pelo presidente Álvaro Uribe e apesar da oposição de sua família.
"Ela é terrivelmente disciplinada, voluntariosa, independente. Quando quer alguma coisa é cabeça-dura, de caráter... Eu a admiro. Ela encara as coisas de frente. Chamou o ex-presidente Ernesto Samper de criminoso, ela é inflexível, amiga da verdade, não se deixa convencer facilmente", desabafou sua mãe, Yolanda Pulecio.
Liliane Estefan, uma amiga de infância, lembra dela como uma mulher inteligente, ambiciosa, intelectual, com um grande poder de persuasão e tendências de esquerda. Ela sabe comandar, tem uma personalidade muito forte, dominante. Sempre a vi lutar pelas causas sociais. Desde o colégio ela se interessava pelos problemas do país", comentou.
Nascida em Bogotá e também com nacionalidade francesa, formou-se pelo Instituto de Ciências Políticas de Paris. Decidiu lançar sua candidatura à presidência depois de passar pelo Senado, onde chegou em 1998 com 160 mil sufrágios, a mais alta votação obtida por um candidato na Colômbia. Embora, como candidata a presidente da Colômbia em 2002, tenha recebido apenas 0,5% dos votos. Em parte devido à hegemonia dos partidos Liberal e Conservador na política colombiana, um bipartidarismo de fato que dá poucas chances a candidatos alternativos em votações presidenciais.
No total, 1.112 cidades do mundo a declararam cidadã honorária e um grupo de deputados franceses propôs sua candidatura ao Prêmio Nobel da Paz. A ex-senadora publicou na França seu livro La Rabia en el Corazón (A Raiva no Coração). Casada duas vezes, Ingrid conta em seu livro as ameaças de morte que ela sofreu com seus filhos adolescentes, Melanie e Lorenzo, a perseguição política do Estado e as vezes que viajou à Nova Zelândia e à França para fugir dessas intimidações. (das agências de notícias)
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