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Cúpula de Lima será precedida de tensões

Os temas da cúpula de Lima são o aquecimento global, crise alimentar e desigualdade social. O encontro é precedido pelo laudo da Interpol descartando evidência de alteração nos arquivos do computador do número dois das Farc, Raúl Reyes


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16/05/2008 00:46

Cinqüenta chefes de Estado e de governo da União Européia (UE) e da América Latina, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reúnem-se hoje em Lima para debater o aquecimento global, a crise alimentar e a desigualdade social, num ambiente marcado por uma série de tensões políticas na região andina.

A presença na capital do Peru dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez; da Colômbia, Alvaro Uribe; e do Equador, Rafael Correa, pressagia turbulências na cúpula convocada para buscar uma posição comum na luta contra a pobreza e a mudança climática. Antes da chegada dos participantes, a Polícia Internacional (Interpol) divulgou em Bogotá os resultados de uma perícia sob sua responsabilidade, descartando manipulação no conteúdo dos arquivos encontrados no computador do número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes.

Segundo o governo colombiano, os arquivos conteriam provas da ligação dos governos da Venezuela e do Equador com a guerrilha das Farc. A presença anunciada de Chávez gera reações, assim como no ano passado na Cúpula Ibero-Americana do Chile, quando houve um bate-boca com o rei da Espanha, Juan Carlos, e o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

Chávez agora mira a chanceler alemã Angela Merkel, que previamente desqualificou o governo de Caracas. A cúpula, no Museu da Nação de Lima, encontra a América Latina num momento de bonança econômica, graças, em grande parte, aos altos preços internacionais das matérias-primas. Mas, igualmente, em um período marcado por convulsões políticas que poderiam refletir-se no encontro em Lima.

A região abaixo do rio Grande mexicano é a mais desigual do planeta, com a metade da riqueza concentrando-se em 10% da população. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), a zona possui 194 milhões de pobres, 36,5% da população, e 71 milhões de indigentes, que representam 13,4%. A Europa, por outro lado, está voltada para um plano de ação para o meio ambiente.

"Palhaçada"
Chávez classificou de "palhaçada" o resultado do laudo da Interpol negando evidência de alteração nos arquivos do computador encontrado com um líder das Farc. "É uma palhaçada que não merece, do meu ponto de vista, um comentário sério", disse Chávez em Caracas.

Foi o que declarou horas após o diretor mundial da Interpol, Ronald Noble, apresentar o dossiê sobre o computador entregue por Bogotá. "É tão ridículo que não merece a perda do nosso tempo", acrescentou. O presidente da Venezuela questionou a seriedade da Interpol e chamou o diretor da agência de "um policial gringo e agressivo". (das agências de notícias)

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