Para o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, a diferença agora de quatro anos atrás é que há menos violência. Protestos nos últimos dias foram motivados pela alta nos preços dos alimentos
11/04/2008 00:26
O descontentamento social e as manifestações violentas dos últimos dias no território haitiano são similares à revolta em fevereiro de 2004 que culminou na queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide. Foi o que afirmou ontem o comandante militar da Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah), o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz.
Há quatro anos, os norte-americanos intervieram militarmente para conter a crise, passando após dois meses o controle do país à Minustah. A diferença agora, segundo Santos Cruz, é que há menos violência em meio à população e as tropas internacionais, 7.060 militares, dos quais 1.200 são brasileiros, estão presentes. Desde o início das manifestações, na última semana, cinco pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas.
Ontem, a situação se apaziguou um pouco e o comércio reabriu após três dias. Para Santos Cruz, bandidos se aproveitam das manifestações para realizar pilhagens e insuflar a população contra a presença das tropas de paz da ONU. Cerca de 80% da população está desempregada e sobrevive com menos de US$ 2 por dia.
Ontem, era esperada a renúncia do primeiro-ministro Jacques-Édouard Alexis. O Senado haitiano aprovou quarta-feira à noite, em uma sessão extraordinária, a solicitação de renúncia de Alexis, após os violentos protestos registrados nos últimos dias motivados pelos elevados preços dos alimentos.
A Constituição obriga o premier a sair do cargo em 24 horas se uma das duas câmaras legislativas retirar seu apoio. Há um mês, Alexis teve que enfrentar uma revolta no Parlamento. Sob ameaça de um voto de censura por parte da oposição, insatisfeita com o governo ante a alta dos preços dos produtos de consumo, o primeiro-ministro recusou as críticas e conseguiu reverter o quadro.
Porto Príncipe encontrou-se praticamente paralisada e suas ruas exibem vestígios dos confrontos, com barricadas de pneus queimados, pedras e lixos. Na cidade, pararam atividades comerciais e de transporte, e as instituições públicas e as escolas também não abriram. Os postos de combustíveis ficaram fechados, o que provocou a escassez de combustível, principalmente do gás de cozinha. O presidente René Preval pediu pela televisão calma à população. (da Folhapress)
RAIO X DO PAÍS
Nome oficial: República do Haiti
Capital: Porto Príncipe
População: 8,8 milhões de habitantes
Área: 27.750 km
Idiomas: Crioulo e francês (oficiais)
Religiões: Cristianismo (majoritário, dividido entre católicos, protestantes e outras correntes), ritos de procedência africana
Governo: república com características de presidencialismo e parlamentarismo
Moeda: gourde (cotação, US$ 1,00 equivale a 35,95)
Dados gerais: O Haiti, país mais pobre das Américas, divide, a oeste da ilha de Hispaniola com a República Dominicana, a leste. A ilha foi visitada por Cristóvão Colombo na descobertada da América, em 1492. Em 1801, o ex-escravo Toussaint l'Ouverture começa a governar o Haiti. Preso pelos franceses, a independência ocorre em 1804, proclamando-se a primeira república negra do mundo. A história do país é conturbada, incluindo as ditaduras de François Duvalier, o Papa Doc, de 1957 a 1971, e do filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, de 1971 a 1986. Diversos governos instáveis sucederam-se, havendo a presença de tropas de intervenção e de paz a partir de 1994. O Brasil comanda uma força desde 2004. Em 2006, foi empossado o atual presidente René Préval.
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