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Ingrid Betancourt perto da liberdade

Há uma forte expectativa na Colômbia de que Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002, durante atividade de campanha à presidência da República, seja liberada em breve


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02/06/2007 17:19

Ingrid Betancourt é contra a troca de civis por combatentes
Ingrid Betancourt é contra a troca de civis por combatentes

As negociações entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy e o colega colombiano, Alvaro Uribe sobre o destino de Ingrid Betancourt - a política de nacionalidades francesa e colombiana em poder da guerrilha das Farc - estariam bem adiantadas, segundo fontes da presidência.

Na tarde da última sexta-feira, um funcionário de alto escalão do governo chegou a informar à AFP que o chamado "chanceler" das Farc, Rodrigo Granda, a ser libertado em breve pelo governo da Colômbia, seria o encarregado de apresentar à França uma prova de vida de Ingrid.

Sarkozy chegou a receber a família de Ingrid dois dias depois da posse como presidente recém-eleito e anunciou a libertação da política franco-colombiana como uma prioridade de seu mandato.

Ingrid Betancourt foi seqüestrada no dia 23 de fevereiro de 2002 pelas Farc quando tentava entrar numa zona desmilitarizada do sul do país, três dias depois de o então presidente, Andrés Pastrana, cancelar o processo de paz com sa guerrilha.

Em um vídeo divulgado pelas Farc em julho de 2002 como prova da sobrevivência de Ingrid, ela deu mostras de caráter, destacando sua divergência com relação à lei de troca proposta pelos rebeldes, desperdiçando a chance que teve de reivindicar sua liberdade.

Esta posição foi reforçada em outro vídeo divulgado no dia 31 de agosto de 2003 - última prova de vida - em que expressou concordância com um resgate militar, desde que a decisão fosse tomada pelo presidente Alvaro Uribe e apesar da oposição de sua família.

"Ela é terrivelmente disciplinada, voluntariosa, independente. Quando quer alguma coisa é cabeça-dura, de caráter... Eu a admiro. Ela encara as coisas de frente. Chamou o ex-presidente Ernesto Samper de criminoso, ela é inflexível, amiga da verdade, não se deixa convencer facilmente", desabafou sua mãe, Yolanda Pulecio.

Liliane Estefan, uma amiga de infância, lembra dela como uma mulher inteligente, ambiciosa, intelectual, com um grande poder de persuasão e tendências de esquerda".

"Ela sabe comandar, tem uma personalidade muito forte, dominante. Sempre a vi lutar pelas causas sociais. Desde o colégio ela se interessava pelos problemas do país", comentou à AFP.

Na fita divulgada em agosto , Betancourt reafirmou sua posição contra uma troca de civis por combatentes, destacando que a troca só deve ser feita entre civis.


AS FARC

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), maior e mais antiga guerrilha do país, completaram 43 anos no último dia 28 de maio. Atualmente, o grupo mantém pelo menos 3 mil pessoas em cativeiros, de acordo com dados de ONGs. Desse total, 56 fazem parte de uma lista de reféns que podem ser trocados, entre os quais estão políticos, soldados, policiais e cidadãos americanos. A guerrilha quer que o Governo solte cerca de 500 combatentes presos.

Na sua "9ª Conferência", realizada em 2006 nas montanhas colombianas, as Farc reafirmaram a convocação à "Nova Colômbia, Pátria Grande e Socialismo". O grupo tem atualmente cerca de 17 mil integrantes distribuídos pelas 50 facções que operam em dois terços do território colombiano.


Quem é Ingrid

Nascida em Bogotá e agora também com nacionalidade francesa, Ingrid Bittencourt tornou-se cientista pelo Instituto de Ciências Políticas de Paris. Decidiu lançar sua candidatura à presidência depois de passar pelo Congresso, onde chegou em 1998 com 160 mil votos, a mais alta votação obtida por um candidato na Colômbia. E, no entanto, para a presidência, só conseguiu 0,5% dos votos, o que reforçou a tese de que sua figura é mais popular no exterior, particularmente na França.

Pelo menos 1.112 cidades do mundo a declararam cidadã honorária, e um grupo de deputados franceses propôs sua candidatura ao Prêmio Nobel da Paz-2004. A ex-senadora publicou na França seu livro "La rabia en el corazón" (A raiva no coração), no qual acusa Samper de ter se aliado ao narcotráfico para financiar sua campanha eleitoral.

Betancourt conta também em seu livro as ameaças de morte que sofreu com seus filhos adolescentes, Melanie e Lorenzo, a perseguição política do Estado e as vezes que viajou para a Nova Zelândia e a França para fugir dessas intimidações.

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