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Chirac deixa o poder na França depois de 12 anos

Depois de 12 anos à frente da presidência da França, Jacques Chirac entrega hoje o poder ao presidente recém-eleito Nicolas Sarkozy. Depois de ver sua popularidade chegar a 75% em episódios como a invasão norte-americana do Iraque, quando se opôs à ação dos Estados Unidos, Chirac deixa o poder com a rejeição de 54% dos franceses


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16/05/2007 00:42

JACQUES CHIRAC: oposição aos Estados Unidos e fracasso nas políticas sociais (Foto: AFP)
JACQUES CHIRAC: oposição aos Estados Unidos e fracasso nas políticas sociais (Foto: AFP)

O presidente Jacques Chirac, que entrega formalmente hoje o poder a Nicolas Sarkozy depois de 12 anos no comando da França, deixa um legado contestado pelos franceses, que, no entanto, se lembrarão dele como o líder que conseguiu se opor aos americanos durante a guerra no Iraque. De acordo com uma pesquisa publicada alguns dias antes de sua saída, mais da metade dos franceses consideram "ruim" (40%) ou "péssimo" (14%) o balanço dos anos Chirac. Para 42% e 2% dos franceses, respectivamente, o balanço do governo de Chirac foi "bom" ou "muito bom".

Longe de acabar com a "fratura social" que havia prometido eliminar em 1995, quando chegou ao poder, Chirac teve de enfrentar durante seus dois mandatos vários conflitos sociais graves e manifestações que envolveram milhões de pessoas. Os violentos tumultos que abalaram as periferias das cidades francesas no fim de 2005 e deflagraram uma crise sem precedente na França significaram o fracasso da visão de Chirac de um país mais justo e tranqüilo. Hoje, a França é um país em que não pára de crescer o número de pessoas que moram em condições insalubres.

Apesar das críticas, Chirac lançou com sucesso algumas políticas importantes, como a luta contra o câncer e contra a insegurança nas estradas. No âmbito econômico, seu segundo mandato termina com uma leve diminuição do nível de desemprego, embora com um aumento da dívida pública. Do ponto de vista da política externa, Chirac também procurou assumir os erros históricos do País, admitindo, por exemplo, a responsabilidade do Estado francês na deportação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Inspirado no modelo do general Charles de Gaulle, para quem a "França deve ter uma visão do mundo independente", o ex-presidente também contestou a hegemonia dos Estados Unidos em episódios como o da invasão americana do Iraque, em março de 2003. Na época, a oposição aos planos da Casa Branca rendera a Chirac seu recorde de popularidade na França, com a aprovação de 75% dos franceses. Além disso, sua popularidade também cresceu em muitos países do hemisfério sul e do mundo árabe. No entanto, essa política também provocou uma deterioração das já tumultuadas relações franco-americanas, que só seria amenizada com a união entre Chirac e Bush pelo fim da tutela síria sobre o Líbano.

Do ponto de vista europeu, Chirac não teve o mesmo sucesso. Defensor pragmático da União Européia, perdeu, em maio de 2005, sua aposta no referendo sobre a Constituição Européia, rejeitada pela grande maioria dos franceses. França e Alemanha se encontravam, então, em lados opostos, sem poder desempenhar, como no passado, o papel de motor da Europa. A visita de Sarkozy a Berlim logo após a transmissão de poderes mostra a urgência que existe em reatar essa cooperação.

Jacques Chirac expressou também, durante toda sua presidência, seu compromisso com a África, um continente aonde viajou pelo menos uma vez por ano. Ele foi acusado, porém, de complacência com alguns regimes autoritários no Continente. (das agências de notícia)

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