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Argentina surpreende

Olivier Baube
da France-Presse

Após a inédita crise de 2002, com queda de 10,9%, a economia Argentina registra quatro anos consecutivos de crescimento entre 8% e 9%. A recuperação rápida chama a atenção de economistas no mundo inteiro


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12/05/2007 14:54

CASA ROSADA, sede da presidência Argentina, onde parte das decisões econômicas emanam. Governo anunciou plano de comércio exterior para alavancar ainda mais a economia (Foto: EFE/Iván Franco)
CASA ROSADA, sede da presidência Argentina, onde parte das decisões econômicas emanam. Governo anunciou plano de comércio exterior para alavancar ainda mais a economia (Foto: EFE/Iván Franco)

Aespetacular recuperação da economia argentina, depois da inédita crise de 2002, surpreende os especialistas, que reconhecem seus erros de projeção passados, mas também não se entregam à euforia do momento. Com quatro anos consecutivos de crescimento entre 8% e 9%, após a queda de 10,9% em 2002, a Argentina comemora um período nunca vivido. “Condições favoráveis como as de hoje só assistimos há um século”, destacou recentemente o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, principal artífice do renascimento nacional.

No entanto, muitos economistas argentinos e estrangeiros preferem ser cautelosos sobre as condições deste crescimento do país. Fenômeno passageiro para uns, esta recuperação também não passaria de um sopro derradeiro para os mais ousados. “Não diria que a situação econômica da Argentina é boa”, afirmou Gary Becker, Nobel de Economia e discípulo de Milton Friedman, em declarações feitas em 2005.

O presidente Néstor Kirchner, no entanto, acaba de denunciar mais uma vez os erros dos economistas durante um discurso no Parlamento. “Entre o que anunciaram os economistas e o que realmente aconteceu, há um abismo”, declarou Kirchner. Alguns respondem, como o fez Juan Luis Bour, economista-chefe da Fundação de Pesquisas econômicas latino-americanas (FIEL) em Buenos Aires. “Prever em 2005 uma queda do preço das matérias-primas foi um erro de avaliação”, reconheceu.

Em particular, alguns diplomatas europeus, que acompanham a economia argentina de Buenos Aires, constatam o mesmo. “Fomos muito pessimistas nos últimos anos”, admitiu um deles. Eles reconhecem, por exemplo, que a alta do preço das matérias-primas, que tem tudo para ser duradoura, favorece principalmente países como a Argentina, com um forte pontecial em agroalimentos.

Hoje existe uma política de investimentos em intercâmbio que oferece grande margem de manobra à Argentina, segundo este diplomata, que pediu para não ser identificado. A Argentina é um grande exportador de produtos agrícolas e este manancial, particularmente de soja, garantiu mais de 22 bilhões de dólares ao país, ou seja, mais que o dobro que em 2002. As perspectivas para os anos vindouros são favoráveis, entre outros motivos, pelo aumento do pontecial na produção de biocombustíveis à base de soja e milho.

No entanto, os economistas argentinos se negam a ceder à euforia, advertindo para a dependência extrema desse país com relação ao contexto internacional. Orlando Ferreres, ex-vice-ministro da Economia, foi cauteloso ao falar da duração dos investimentos em intercâmbio e teme as conseqüências do desaquecimento da economia nos Estados Unidos, que pode ter impacto na China, principal comprador da soja argentina.

Otimistas a curto prazo, estes economistas voltaram a se mostrar prudentes em projeções para o longo prazo. “Continuo sendo pessimista sobre a governabilidade na Argentina, que desestimula os investimentos”, considerados indispensáveis para consolidar o crescimento e reduzir as pressões inflacionárias, afirmou o especialista Juan Luis Bour.

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