Ir para a página sobre a Publicidade

O POVO Online

Mundo

DEVASTAÇÃO

Salvação da Terra na mão das pessoas

Hoje é Dia Mundial da Terra. Há pouco motivo para comemorações. Aquecimento global aumenta a temperatura e amplia a água dos oceanos. A destruição dos recursos naturais piora a cada dia e tem efeitos desastrosos para os seis bilhões de habitantes do Planeta

Érica Azevedo
da Redação

21 Abr 2007 - 16h09min

A+ A- Mudar tamanho

Por todos os recantos do Planeta há sinais visíveis dos estragos feitos pelo homem (foto: Leopoldo Kaswiner/Imagem Brasil)
No Dia Mundial do Planeta. As estatísticas de degradação ambiental há muito assustam a população do mundo inteiro. O assunto em voga, o aquecimento global, longe de ser uma preocupação nova, já vem dando sinais de efeitos na natureza desde a segunda metade do século passado. O aumento das temperaturas e ampliação do nível da água dos oceanos, a queimada das matas, o calor insuportável principalmente nos grandes centros urbanos. Assim tem sido o apelo da Natureza para anunciar que talvez não possa mais manter a vida. Em meio a tanto descuido com o patrimônio ambiental, cabe ainda uma pergunta: o planeta pode se salvar?

Alguns especialistas ouvidos pelo O POVO traçaram o parâmetro atual de degradação do meio ambiente e responderam à pergunta dando receitas bem simples para reverter o que hoje são estatísticas de destruição em preservação ambiental e sustentabilidade do ecossistema. A análise foi feita tomando por base a vida humana nas grandes cidades, onde hoje habita metade da população do mundo, que é de cerca de seis bilhões de pessoas.

Dados da Organização das Nações Unidas (Onu), no documento "O estado das cidades no mundo 2006/2007" revelou que o crescimento das favelas é o grande responsável pelo aumento da população urbana no planeta. Hoje um terço da população urbana mora em favelas e, até 2020, esse número pode saltar para 1,4 bilhão - número equivalente à população da China. O estudo aponta que no Brasil, nesse mesmo intervalo, a população das favelas pode chegar a 55 milhões, um quarto da população do país.

Para a bióloga Cristine Pereira, coordenadora do programa de Bioeducação Mudança de Atitude na População, da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), o maior problema das cidades é o consumo exagerado desatrelado de uma conscientização com relação ao destino do lixo. Segundo a estudiosa, que trabalha na conservação das espécies de mamíferos e tartarugas, o lixo, tanto o químico quanto o doméstico, são os maiores responsáveis pelo aniquilamento de ecossistemas marinhos e de água doce.

"Os animais que nós resgatamos, cada vez mais, apresentam quadros de fome, ocasionados por ingestão de lixo doméstico, principalmente de origem plástica", ressaltou Cristine. Ela informou que são retirados dos oceanos, por ano, milhares de toneladas de lixo plástico. "Hoje a gente percebe um consumo exagerado de saco plástico na sociedade. Indo parar no mar, os sacos provocam a morte dos animais por afogamento, ele fica impedido de respirar, por aprisionamento, quando ele não consegue se locomover em busca de alimento e morre de fome, e por ingestão, porque o animal não digere o plástico".

Uma mudança no quadro de poluição de mares e lagoas, no mundo, segundo a pesquisadora, poderia começar com a limpeza das praias. "As nossas praias estão replestas de lixo de origem doméstica. Os finais de semana são os piores dias, porque a maioria das pessoas está nas praias consumindo". Segundo ela, a população deveria ser conscientizada para não acumular lixo nas praias. "Ainda tem muita gente que deixa lixo nas praias. Não há uma rotina para o condicionamento adequado desse lixo. Não há cestos de lixos disponíveis para as pessoas", alertou.

Para o oceanólogo David Zen, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o aumento da população do planeta e a ocupação desenfreada dessa população nos grandes centros urbanos têm contribuído para o desequilíbrio ambiental. "Para que a população mundial chegasse a um bilhão, demorou dois milhões de anos. Nos últimos 200 anos, a população na Terra cresceu seis vezes. Hoje são um bilhão e meio e pessoas", disse. "Como a maior parte da população está nas cidades, o que se percebe ainda é que, no Brasil, 82% da população, habita cidades de zonas costeiras. E o que se constata é que não existiram condições apropriadas para que essas cidades se desenvolvesem de forma equilibrada", informou.

O especialista apontou como solução de preservação do meio ambiente nos grandes centros urbanos, principalmente nas cidades de zonas costeiras, é a mobilização da sociedade. "A solução está nas mãos das pessoas. A situação hoje do meio ambiente não chega a ser uma coisa incontrolável. Enquanto a sociedade não se organizar, não for informada, os problemas ambientais tendem a se intensificar. Hoje já deveríamos ter passado da fase de reclamação para a ação".

Dê sua nota clicando nas estrelas

Leia mais sobre esse assunto

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados