No próximo domingo (22) os franceses votarão, em primeiro turno, para escolher o presidente do país. Há incerteza sobre quem disputará com Nicolas Sarkozy (direitista) no segundo turno. A socialista Ségolène Royal é a segunda colocada nas pesquisas, mas vem registrando ligeira queda. O centrista François Bayrou pode surpreender
14/04/2007 14:23

Disputa acirrada pelo 2° lugar
Há uma semana para a eleição presidencial francesa, o clima ainda é de incertezas sobre quais os candidatos que irão disputar o segundo turno.
A estratégia de François Bayrou é atingir o segundo turno e instituir uma nova república, com o Parlamento eleito por método proporcional. Teoricamente, o candidato tem boas possibilidades, apresentando-se como alguém exterior ao sistema político, sem as manchas do exercício do poder e, ainda mais crucial, alheio às clivagens entre esquerda e direita
Nicolas Sarkozy (direitista), da União por um Movimento Popular (UMP), tem lugar garantido no segundo turno, marcado para o dia 6 de maio, mas a Ségolène Royal (Partido Socialista), que registra leve queda nas pesquisas, não está tão tranqüila quanto o seu adversário. Ela disputa a vaga com o centrista François Bayrou (União para a Democracia Francesa) e o líder da extrema-direita, Jean Marie Le Pen.
Seis candidatos da extrema-esquerda e verdes estão no páreo no primeiro turno. Não têm chances de vitória, mas podem tirar votos da socialista Ségolène Royal, e até mesmo impedi-la de chegar ao segundo turno. De todos eles, o que pode fazer mais estragos é Olivier Besancenot, carteiro e candidato da Liga Comunista Revolucionária (LCR). Sua retórica simplista e direta vem impressionando setores do eleitorado.
Segundo a revista alemã Der Spiegel, o "líder rebelde é um carteiro por profissão, que entrega cartas e pacotes em Neuilly-sur-Seine, nos arredores de Paris". "Ele personifica todas as melhores qualidades que os cidadãos gostariam de ver em um revolucionário do século 21", escreveu o ensaísta Alain Duhamel. "Mesmo seus maiores adversários do campo burguês não hesitariam em lhe dar carona caso pedisse."
Por sua vez, Sarkozy também não pode cantar vitória. Ser o mais votado no primeiro turno não é garantia de vitória no segundo. Em 1974, 1981 e 1995 os líderes no primeiro turno foram derrotados para adversários que começaram mais fracos. Há previsões de que isto se repita este ano.
O sistema eleitoral em dois turnos da França às vezes causa surpresas. As eleições de 2002 ainda chocam os franceses. As esquerdas divididas facilitaram a trajetória da Frente Nacional, de Le Pen, da extrema-direita, ultrapassar o socialista Lionel Jospin e passar ao segundo turno contra o conservador e centro-direitista Jacques Chirac.
Desde então, houve questionamentos sobre a eficácia da forma como a França elege seu presidente. Em uma pesquisa publicada em março pelo jornal francês Le Figaro, quase dois terços dos entrevistados apoiaram uma reforma das instituições políticas, incluindo pedidos para um novo sistema de votação.
Os franceses elegem seu presidente por voto popular desde 1965 - conseqüência de referendo convocado pelo general Charles de Gaulle como resposta a um Parlamento rebelde que tentava minimizar os poderes executivos.
De acordo com a lei, os pré-candidatos devem obter 500 assinaturas de autoridades eleitas, como prefeitos locais ou deputados, entrave que tem o objetivo de garantir que os candidatos tenham apoio legítimo.
Isto, no entanto, não evita as distorções. Na atual eleição, muitos prefeitos de comunidades rurais negaram apoio a qualquer candidato, sob a alegativa de que seus próprios partidos ameaçaram atrasar o repasse de recursos estaduais caso assinassem qualquer lista além das deles.
Para ser eleito presidente no primeiro turno um candidato deve obter a maioria absoluta dos votos. Se ninguém conquistar mais que 50% dos votos, os dois mais votados disputam um segundo turno duas semanas depois.
Em 2007, 12 partidos estão representados na lista eleitoral, desde ativistas antiglobalização ao lobby de caça da França.
Por sua vez, Sarkozy também não pode cantar vitória. Ser o mais votado no primeiro turno não é garantia de vitória no segundo. Em 1974, 1981 e 1995 os líderes no primeiro turno foram derrotados para adversários que começaram mais fracos. Há previsões de que isto se repita este ano.
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