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Bush à procura do tempo perdido

Paulo Verlaine
da Redação

O presidente George W. Bush, em sua viagem de seis dias a cinco países latino-americanos, tentou neutralizar a liderança de Hugo Chávez na região e reverter o sentimento antiamericano na parte sul do continente


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17/03/2007 15:16

Presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva debateram economia e assinaram acordo para produção e comércio de etanol, como combustível substituto do petróleo (Foto: AFP)
Presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva debateram economia e assinaram acordo para produção e comércio de etanol, como combustível substituto do petróleo (Foto: AFP)

Passados quatro dias da viagem do presidente norte-americano George W. Bush a cinco países da América Latina - Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México - de 8 a 14 deste mês, observadores internacionais questionam se a turnê, a mais longa do dirigente norte-americano ao Hemisfério Sul em seis anos, obteve os resultados esperados por Washington: neutralizar a liderança do presidente Hugo Chávez na região e frear a onda de antiamericanismo intensificada nos dois mandatos de Bush.

A viagem, disseram analistas latino-americanos, representou uma nova fase em um luta pós-Guerra Fria pela fidelidade da América do Sul e Central - áreas minimizadas por Washington enquanto Bush promovia duas guerras (Afeganistão e Iraque) e uma campanha contra o terrorismo.

Com a queda do Muro de Berlim parecia que a América Latina estava fora dos limites para os inimigos dos Estados Unidos", observou Álvaro Vargas Llosa, diretor do Centro para Prosperidade Global no Independent Institute, um grupo com sede em Washington que promove o livre comércio. "Agora, se a América Latina seguir em peso pelo caminho de Chávez, ela claramente estará em jogo novamente."

Para Richard Lapper, do Financial Times, "tamanha é a escala da desilusão latino-americana que parece que muito mais atenção e dinheiro podem ser necessários para mudar a maré a favor de Washington".

O governo dos EUA parece que, agora, acordou para esta realidade. Bush prometeu, durante a visita, propiciar "justiça social" aos pobres e aos latino-americanos em dificuldades, deixados para trás pela economia global. Ao usar quase uma retórica de esquerda, o presidente dos EUA não estaria fazendo um reconhecimento dos efeitos desastrosos da globalização no continente latino-americano?

Mas assessores reconheceram que o sentimento antiamericano disseminado era difícil de ignorar - no final da tarde de terça-feira (13), cerca de 2 mil manifestantes tentaram invadir a embaixada americana na Cidade do México.

A questão, disseram analistas latino-americanos, é se o trabalho de diplomacia americana "será grande o bastante, ou sustentado o bastante, para fazer a diferença, à medida que a frustração dos pobres continua crescendo enquanto assistem seus vizinhos ricos, que se beneficiaram do livre comércio, comprarem casas luxuosas e concessionárias da Land Rover aparecerem ao lado de suas favelas".

Rossana Fuentes-Berain, a editora da página de opinião do jornal El Universal, da Nicarágua, comparou os US$ 1,6 bilhão que os Estados Unidos dão anualmente em ajuda ao custo da guerra no Iraque - e às somas que Chávez está gastando.

Ela disse que Bush talvez seja uma "figura polarizadora" demais para transmitir uma mensagem poderosa aqui devido à guerra no Iraque - que aqui traz lembranças das antigas intervenções dos Estados Unidos na América do Sul e Central. Além disso, a assinatura de Bush do projeto de lei criando muros e cercas ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos também provocou protestos aqui.

Embora a Colômbia seja o aliado preferido dos EUA na região, o Brasil foi o primeiro país a ser visitado pela comitiva de Bush. O presidente americano, George W. Bush, e o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram no dia 9 um acordo para expandir internacionalmente a produção e o comércio de etanol como combustível substituto do petróleo.

Se o que ficou acertado entre os dois presidentes dos dois maiores países do continente realmente ultrapassar outras regiões do planeta, pode se tratar de um passo de enorme influência para o futuro da economia e da política mundiais.

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